A estratégia do grupo do Bar Brahma para reinventar sua marca mais forte

As pessoas saem de casa não apenas pelo consumo de bebidas e comida, mas para viver algo inesquecível

Camila Lutfi

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Produto, consistência no que se propõe a ser e gestão são os três pilares que Caire Aoas, um dos sócios do Fábrica de Bares, afirma serem essenciais para manter um bar atualmente. A empresa que já é responsável pelas marcas Bar Brahma, Bar Léo, Riviera, Filial, Orfeu, Blue Note, Bar dos Arcos, Love Cabaret e sócia da Le Pain Quotidien, está com uma nova empreitada em São Paulo, de uma das maiores marcas de bares e restaurantes da região: a abertura do Bar Brahma Paulista.

Com um investimento de R$ 12 milhões, o projeto já é maior que o tradicional Bar Brahma na esquina entre as Avenidas São João e Ipiranga.

Um, contudo, não concorre com o outro. Os dois possuem propostas diferentes: enquanto o tradicional bar do centro da capital paulistana proporciona músicas de diversos gêneros e tradição do centro da cidade, o novo ambiente na Avenida Paulista pretende ser um “museu do samba”, com uma curadoria 100% samba raiz e um local destinado tanto aos trabalhadores corporativos para almoço e happy hour, até aos turistas na avenida consolidada como “a praia do paulistano”.

Ainda assim, há o desafio de manter a qualidade na marca que existe a quase 80 anos e ressignificá-la em outro canto da cidade.

“O diferencial dessa unidade da Paulista é ter a identidade totalmente única, tanto na arquitetura, quanto na identidade visual, além do estilo musical, que será exclusivamente o samba”, explica Caire Aoas, em entrevista ao InfoMoney.

Com uma rede de marcas de mais de 70 anos no portfólio, Aoas conta que a estratégia do grupo não é replicar modelos já existentes, mas recriar a atmosfera já conhecida, mas com uma “alma” totalmente única.

Esse foi justamente o motivo de demorar anos para uma nova unidade do Bar Brahma, sob comando da família Aoas desde os anos 2000. Desde então, a Fábrica de Bares expandiu os negócios para um fluxo que atualmente já chega a dois milhões e meio de consumidores por ano em todas as casas.

O Bar Brahma é a vaca leiteira do grupo, que garante o maior retorno, mas a rede Blue Note e o Le Pain Quotidien representam outras marcas de forte peso para o grupo.

“O desafio é manter a história em um mercado que tem ciclo de mortalidade muito curto. Os restaurantes que abrem no Brasil tem uma taxa de mortalidade média de 3 anos e meio”, diz o sócio.

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Mercado potencial

“São Paulo, se não for a melhor cidade do mundo para ter um bar, está entre as três melhores do mundo”, afirma Caire Aoas. Para ele, a cidade já oferece altos níveis de gastronomia, coquetelaria e ambiente para a vida noturna.

O executivo entende que a cena do bar de rua paulistano ainda não é muito conhecida no turismo e que bares de coquetelaria com gastronomia de qualidade serão o futuro de São Paulo, como uma verdadeira expressão cultural da cidade.

Apesar do otimismo com a cidade, ele admite que ter um bar em ruas paulistanas é um grande desafio, especialmente com tantas dificuldades econômicas do país e mudanças no padrão de consumo.

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Por que sair de casa?

“É caro sair à noite, o álcool é caro. E os hábitos de consumo mudaram. As pessoas têm mais consciência sobre sua saúde, sobre sono, alimentação e álcool. E isso faz com que as pessoas selecionem melhor o que vão consumir. A gente tem que se adaptar”, afirma o executivo.

Bares com mais qualidade, capacidade de se diferenciar, seja através do ambiente, da oferta, da gastronomia, curadoria, ou serviço, garantem maior espaço entre os clientes. A palavra-chave que ele destaca é hospitalidade.

“As pessoas não saem só pelo consumo. Elas saem para se sentirem especiais, diferentes, bem recebidas, conectarem-se com alguma coisa”, afirma. Caire Aoas acredita que esse movimento pressionará bares e restaurantes a se posicionarem de forma diferente, se qualificarem e evoluírem.

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Isso também vale para as tendências de canetas emagrecedoras e a nova geração que escolhe beber menos ou evitar o álcool. Ozempic, Mounjaro, Ozivy e outras marcas de canetas emagrecedoras são conhecidas por diminuir o apetite e o impacto já deve ser observado no mercado de bares e restaurantes.

Em sua visão, quem apostar em hospitalidade, um ambiente para além da gastronomia e bebidas, mas também focar em olhar para esse público com cuidado — talvez diminuindo porções, oferecendo drinks sem álcool — deve sair na frente.

O Bar Brahma Paulista

Foto: Divulgação

O espaço de 650 m² é distribuído em três andares, o térreo e o mezanino, o Sports Bar dedicado para transmissões esportivas e uma área de bilhar. O primeiro está em fase de soft opening desde o dia 16 de julho e ficará aberto ao público geral a partir da próxima segunda-feira (27).

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A área de esportes tem inauguração prevista para o final deste ano e o subsolo com bilhar, no início de 2027. O sócio contou que a intenção era inaugurar junto da Copa do Mundo 2026, mas motivos logísticos adiaram o lançamento.

Segundo o sócio, esse é um dos principais investimentos do grupo e os sócios “não têm pressa” do retorno, assim como da expansão desse projeto. Isso porque o Fábrica de Bares costuma olhar para projetos e marcas que sejam perenes.

“Nosso olhar é de longo prazo. Então, temos essa conta do payback de dois, três, quatro anos. É um negócio que a gente pretende que cresça de maneira sólida”, afirma.