Ozivy, Ozempic e Mounjaro: quais as diferenças entre as canetas emagrecedoras?

O novo produto nacional pode garantir valores mais baratos no tratamento

Camila Lutfi

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na última terça-feira (26) a primeira “Ozempic brasileira”, um medicamento sintético análogo à semaglutida (GLP-1) que será fabricado pela EMS com o nome de Ozivy.

O novo produto terá uma indicação restrita, sendo utilizado somente para tratar o diabetes tipo 2 em adultos. Mas quais as diferenças entre as canetas emagrecedoras mais famosas do mercado com a concorrente nacional?

A principal diferença entre esses produtos está no princípio ativo e na forma como cada medicamento age. Segundo especialistas, o uso dessas canetas emagrecedoras exige indicação clínica e acompanhamento médico.

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Para os pacientes que realizam tratamentos de diabetes ou de perda de peso com canetas emagrecedoras, a marca nacional pode diminuir os preços nas farmácias. As vendas devem começar nos próximos 30 dias com projeção de faturamento mínimo de R$ 500 milhões no primeiro ano.

Confira abaixo as principais diferenças:

Ozivy vs Ozempic vs Mounjaro: entenda as diferenças

Renato Zilli, endocrinologista e membro do Corpo Clínico do Hospital Sirio Libanês, explica que Ozempic e Ozivy têm como princípio ativo a semaglutida, uma medicação da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. Eles ajudam a melhorar a glicemia, aumentam a saciedade, reduzem o apetite e podem favorecer perda de peso.

Dessas forma, a Ozivy é uma alternativa nacional com o mesmo princípio ativo para os pacientes com diabetes tipo 2. Mas ele alerta que essa troca não deve ser feita por conta própria. É preciso avaliar dose, resposta clínica, efeitos colaterais, controle glicêmico, disponibilidade do produto e forma correta de uso e armazenamento.

O Mounjaro é diferente: o princípio ativo é a tirzepatida, que atua em dois receptores, GIP e GLP-1. Por isso, em muitos estudos, ele mostrou efeito mais potente tanto na redução da glicose quanto na perda de peso.

No Brasil, o Mounjaro tem indicação para diabetes tipo 2 e também teve aprovação para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades.

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A escolha entre Ozivy, Ozempic ou Mounjaro depende do perfil do paciente: diagnóstico, grau de obesidade, diabetes, risco cardiovascular, tolerância, custo, disponibilidade, exames, rotina e objetivo terapêutico. Essa decisão deve ser individualizada e acompanhada por um médico.

Quem pode usar canetas emagrecedoras?

O endocrinologista destaca que essas medicações são indicadas principalmente para pacientes com diabetes tipo 2, obesidade ou sobrepeso com complicações associadas, como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, pré-diabetes ou doença cardiovascular.

“Mas é importante deixar claro: não são medicamentos para uso estético, nem para quem quer perder poucos quilos sem critério médico. São ferramentas muito importantes, mas devem estar dentro de um plano de cuidado que inclua alimentação, movimento, sono, saúde emocional e acompanhamento médico”, reforça Zilli.

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Quando bem indicada e acompanhada, o uso contínuo pode trazer benefícios importantes: melhor controle glicêmico, perda de peso, redução da resistência à insulina, melhora de pressão, triglicérides, gordura no fígado e, em alguns grupos, proteção cardiovascular e renal.

Mas o efeito contínuo depende de continuidade do tratamento e mudança de estilo de vida.

Os efeitos adversos mais comuns são náuseas, empachamento, refluxo, constipação, diarreia e perda de apetite. Em alguns casos, pode haver vômitos, desidratação, piora de sintomas gastrointestinais e necessidade de ajuste de dose.

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O que pode comer durante o tratamento com canetas emagrecedoras?

Além de manter um acompanhamento médico adequado, bem como uma prática de exercícios regular, é necessário estar atento à alimentação.

Quando o indivíduo utiliza essas medicações, uma das principais orientações é garantir uma alimentação com boa qualidade nutricional, porque normalmente ocorre a redução do apetite e muitas pessoas deixam de se alimentar.

A orientação geral costuma ser uma indicação de refeições menores, mais leves, porém mais fracionadas ao longo do dia, buscando melhorar a adaptação gastrointestinal e reduzir sintomas como náusea e sensação frequente de empachamento — ou seja, estômago cheio.

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Verena Pospischek, nutricionista da Clínica CliNutri, mostra que é importante que pessoa tenha a ingestão de macro e de micronutrientes, se atentando bem ao consumo de proteínas para preservar a massa muscular durante esse processo, porque pode ocorrer a perda e de forma bem rápida.

“Perder massa muscular não é interessante porque isso pode reduzir a força, a disposição, piorar o metabolismo e dificultar o processo de manutenção a longo prazo, manutenção do peso”, explica Pospischek.

A ingestão de fibras e hidratação também são fatores essenciais para manter durante o uso das canetas.

Além disso, dependendo da redução alimentar e da velocidade da perda de peso, pode existir risco deficiência nutricional. Então, em alguns casos, pode ser necessário avaliar uma suplementação de proteínas, de vitaminas e minerais, mas sempre de forma individualizada.

“Ozivy natural”

A nutricionista ainda comenta que existe uma forma de promover o emagrecimento mais acelerado sem o uso de medicação, como um efeito natural do que as canetas emagrecedoras promovem.

Isso é possível, principalmente, ao alinhar as estratégias alimentares na rotina do paciente que ajudem no controle da fome, saciedade e compulsão alimentar.

“Uma alimentação mais rica em proteínas, fibras — como o psyllium — e alimentos que o paciente possa comer maior volume, por exemplo, folhagens, frutas menos calóricas como morango, melancia, já ajuda muito na saciedade”, explica Pospischek.

Além disso, pensar no sono, na atividade física e todo o manejo do estresse. Segundo ela, isso tudo faz diferença “porque o emagrecimento não vai depender só de comer menos”.

Os especialistas reforçam que o emagrecimento muito rápido nem sempre é saudável ou sustentável. Na prática clínica, o objetivo é promover uma perda de peso que preserve a massa muscular, a saúde metabólica e que a pessoa consiga principalmente manter a longo prazo.