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Quem é que está comprando carro novo?

As vendas de carros, neste trimestre, avança 15%. Mas quem é que está comprando estes veículos?

Carros: quais são as novas Preferências dos Consumidores?
(Blog Seu Carro e Seu Bolso)

Caro leitor; ilustríssima leitora. Se você acompanha um pouco o setor automotivo, deve ter percebido que, nesse primeiro trimestre, as vendas  estão crescendo - aumento de 14,7% sobre o mesmo período do ano passado. Todo mundo publicou uma nota, mostrando que, quem está puxando o mercado são a VW, Renault e Nissan; e que o vírus do otimismo está pegando todo mundo; as revisões das perspectivas para este ano já apontam para um mercado crescendo 15% (????) neste ano e por aí vai...

Como nós olhamos para esses números todo dia – EVERY SINGLE DAY – não fizemos um post sobre isso, pois faltou tesão. Além do mais, todo mundo fez... seria mais um no meio de vários.

O que estamos abordando aqui?

É saber quem é o COMPRADOR DO CARRO NOVO!

Quem é esse cabloco que está saindo da sua casa, no meio deste turbilhão chamado Brasil, para comprar um carro novo?

Então, para simplificar as coisas, nós dividimos os quase 530 mil carros vendidos neste trimestre em quatro categorias:

 

1 – Pessoas Jurídicas (empresas, produtor rural, taxistas);

2 – Pessoas Físicas;

3 – Locadoras;

4 – PNE (Portador de Necessidades Especiais – deficiente físico)

 

E o que encontramos? O resultado é mais ou menos esse:

 

EM MIL UNIDADES 2017 2018 V%
EMPRESAS 89,3 102,9 15,34%
PNE 26,0 35,5 36,57%
LOCADORAS 42,4 49,2 16,02%
PESSOAS FÍSICAS 302,2 339,7 12,41%
TOTAL 459,8 527,7 14,68%

 

O público que mais está comprando carro é o de Deficientes Físicos. A venda de veículos para PNE cresceu neste trimestre mais de 36%. Quase 7% de todos os carros vendidos são para este público. A grande vantagem que esse povo tem, é comprar o carro com um enorme desconto (que pode chegar até 30% do valor do carro). A gente já falou sobre isso aqui. O preço atual dos carros – para a realidade da maioria dos brasileiros – é proibitivo. Como existe a ineficiência geral do Estado em gerar transporte de qualidade para a massa, ele faz uma “mea-culpa” para aqueles que possuem certa dificuldade! Além disso, 11 em cada 10 montadoras adora trabalhar com os “malacabados”. A montadora ganha a sua margem cheia; o concessionário idem; o cliente fica fidelizado à marca/concessionário por uns três anos. E o cliente fica mais feliz pois comprou um carro com um excelente desconto.

Na segunda posição, vem o mercado para locadoras, com crescimento de 16%. Neste ano, elas compraram quase 50 mil carros (10% do total). Aqui, o conceito é o contrário do PNE. Se com os “malacabados” todos ficam felizes, aqui só a locadora fica feliz, já que ela compra um carro “não comprando”: uma analogia “feia” que fazem sobre a venda de carros para locadoras por parte das montadoras, que é aquela de quando o cabloco está sem dinheiro e precisa de algum emprestado. Como ele não consegue crédito junto aos bancos, corre para o agiota. O que a gente já viu de gente com “as pernas quebradas” não é mole não!

Com 20% das vendas totais de veículos (103 mil carros neste trimestre), as vendas para as empresas avançam em 15,3%. O público aqui – na grande maioria – é do povo que compra furgões; picapes (aqui é do pessoal que usa a picape para trabalhar, não o povo sertanejo lá de Goiás, por exemplo) e taxistas. Além disso, como a venda é B2B, tem muita montadora (e empresa) que utiliza essa metodologia (e os diferimentos fiscais) para comprar o seu veículo. Por exemplo, a Audi e a BMW venderam 28% e 25% dos seus carros neste trimestre, respectivamente, para o PJ, ou frotistas (já descontado o volume para locadoras). 

Por fim, a grande maioria (quase 65% das vendas), foi feita para o caboclo normal, assim como eu e você (o estagiário aqui não entra na conta, já que ele ainda é “anormal”). E aqui, a grande menção mais que honrosa vai para o pessoal da Honda. Afinal de contas, os “japas da Honda” são muito “mais melhor de bom” que os outros! Como eles dificilmente vendem o seu carro para os “agiotas”, empresas "parceiras” (quase toda montadora tem uma quantidade delas), os seus veículos vão para os consumidores normais em sua maior parte -  90%; os “malacabados” correspondem por 6% das vendas da marca (mais uma menção honrosa pelo programa que a marca tem para esse público), e o restante (4%) vai para locadoras e empresas no conceito B2B. O que a marca ganha trabalhando desse jeito? Respeito, reconhecimento, fidelidade! Bens intangíveis que todos querem, mas só ela faz por merecer!

 

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=)

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

perfil do autor

Raphael Galante

É economista, trabalha no setor automotivo há 14 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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