Sem Ibaneis, Celina Leão lança candidatura ao GDF e defende seus 4 meses de gestão

Ela assumiu em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis, que pretendia concorrer ao Senado, mas desistiu da disputa

Estadão Conteúdo

Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília
Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasília

Publicidade

Sem a presença do antigo aliado e ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), a atual governadora do DF, Celina Leão (PP), foi oficializada candidata à reeleição neste domingo, 2. Em discurso, ela defendeu seu trabalho à frente do GDF, que se estende por quatro meses – ela assumiu em 30 de março de 2026, após a renúncia de Ibaneis, que pretendia concorrer ao Senado, mas desistiu da disputa.

O ex-governador se viu no centro do escândalo do Banco Master, em meio à investigação que apura a tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB), durante o mandato do ex-governador, que acarretou prejuízo bilionário para a entidade regional.

Buscando se afastar do então aliado e se apresentar ao eleitorado como independente, Celina se distanciou de Ibaneis. Ele, por sua vez, citou decepções com Celina, que se tornou sua vice apenas no segundo mandato (2023-2026). Ela rebateu o antigo aliado, dizendo que sucessão não é “submissão”. Mesmo sem Ibaneis, a coligação de Celina conta com o apoio do MDB, além de União Brasil, Republicanos e Podemos. O PL não integra formalmente a chapa, mas a governadora apoia os nomes do partido para o Senado – Bia Kicis e Michelle Bolsonaro.

No palco montado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, Celina discursou ao lado do candidato a vice em sua chapa, Gustavo Rocha (Republicanos), que foi ministro dos Direitos Humanos no governo Michel Temer. “Limpei as contas públicas, nomeei concursados”, disse. Na sequência, ela afirmou ter cortado gastos, e citou o cancelamento da festa de aniversário de Brasília, no último 21 de abril.

Em referência aos adversários, disse ser “ficha-limpa” e chamou atenção para o fato de sua chapa estar completa. “Tenho meu nome de vice-governador e o nome das minhas duas senadoras. Não vai ser chapa surpresa, não”, disse. Os principais adversários de Celina – o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) e o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) – demoraram a definir os candidatos a vice.

Arruda está fora de cargos públicos desde 2010, quando foi preso e afastado do governo do Distrito Federal. Depois, foi condenado por improbidade administrativa. Ele alega que, de acordo com uma lei de 2025 que flexibilizou a Lei da Ficha Limpa, o prazo de inelegibilidade terminaria em julho de 2026, antes da eleição.

“A nossa chapa não briga pela elegibilidade, é uma chapa limpa. É uma chapa que tem trabalho prestado por todas as pessoas. Eu acho que isso é um projeto muito histórico para mostrar para o Distrito Centro Federal. Não é uma aventura”, defendeu Celina a jornalistas.

Aliada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Celina também fez referência a ela, dizendo que a orgulha ter uma candidata a senadora “do quilate de Michelle”. “É muito importante ter a Michelle e a Bia como candidatas. Nós já ajudamos a Damares na campanha passada. E ter essas duas agora tendo a possibilidade de ser candidata. É um sonho pra mim ter três mulheres numa chapa”, disse.

Michelle informou pelas redes sociais que foi internada para realizar exames no sábado (1) e investigar um quadro de enxaqueca persistente que dura mais de dez dias. Ela não participou de eventos políticos neste fim de semana. Segundo Celina, Michelle atendeu a um apelo do marido, Jair Bolsonaro, mas vai ser uma campanha diferente. “Uma campanha em que ela não vai poder estar muito presente, porque ela ainda está muito presa em casa”, resumiu.

Continua depois da publicidade

Celina ainda fez referência ao ex-governador Joaquim Roriz, que governou o DF por três mandatos (entre 1988 e 2006), sustentando que ele a ensinou que o governo existe para “cuidar de quem mais precisa”. Roriz faleceu em 2018.

As dezenas de candidatos a deputado distrital e federal de legendas da coligação discursaram por cerca de duas horas – a maior parte sem a presença de Celina – e compararam os poucos meses de gestão de Celina no GDF com os quase oito anos do antecessor, Ibaneis. Também estavam presentes no palco a senadora Damares Alves; a candidata a uma das duas vagas ao Senado pelo DF, a deputada federal Bia Kicis; e a candidata do Democracia Cristã à Presidência da República, a advogada Clariana Brandão, acompanhada pelo presidente da sigla, João Caldas.