PP, União Brasil e PL lideram repasses de ‘emendas de liderança’ na Câmara

Dados foram compilados em relatório produzido pela Transparência Brasil, divulgado nesta segunda-feira (13)

Caio César

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O Partido Progressista foi a sigla que mais enviou emendas da Câmara dos Deputados em 2025 vinculada à liderança partidária, ocultando os reais autores da indicação de recursos públicos. A informação consta no relatório publicado pela Transparência Brasil nesta segunda-feira (13).

Também lideram o ranking as siglas União Brasil e Partido Liberal. Na sequência, figuram o Republicanos, Avante, Solidariedade e Podemos. Confira:

Os dados foram extraídos a partir de documentos da Comissão Mista de Planos, Orçamentos e Fiscalização do Congresso Nacional, que reúne dados orçamentários das duas Casas legislativas.

O relatório destaca que os líderes de bancada de seis dos sete partidos indicaram emendas sem apontar responsáveis, somando R$ 143,2 milhões em 2025. A única exceção é o PP, que não possui registros de indicação atrelados a Dr. Luizinho, líder da bancada na Câmara.

No entanto, o partido direcionou mais da metade do montante discriminado no relatório ao Piauí, estado que elegeu o presidente do partido, Ciro Nogueira, como senador.

Confira a porcentagem das emendas de 2025 direcionadas a beneficiários dos estados dos líderes partidários:

No total, foram indicadas 1.341 emendas de comissão, totalizando R$ 1,3 bilhão sem transparência, em um movimento semelhante ao orçamento secreto – proibido pelo Supremo Tribunal Federal ao final de 2022.

O montante de emendas partidárias sem indicação de origem além da liderança equivale a 16% do total das emendas de comissão. Destas, R$ 818,1 milhões partiram da Comissão de Saúde, dominada pelo Partido Liberal.

O PL é presidido por Valdemar Costa Neto, considerado uma grande figura política, mesmo sem exercer mandato atualmente, e responsável por abrigar a família Bolsonaro sob a sigla. Ele é acusado de participar do esquema das “emendas de liderança” e ter desviado R$ 119 milhões no total.

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Segundo a investigação da Polícia Federal, Valdemar teria utilizado servidores da Câmara para direcionar a ele mesmo os recursos. Após decisão do ministro do STF, Flávio Dino, Valdemar teve o mesmo montante bloqueado em bens.

No domingo (12), Dino também determinou o bloqueio dos bens do ex-deputado Eduardo Cunha até o limite de R$ 6 milhões, valor que, segundo a PF, teria sido destinado por meio de 21 emendas parlamentares a municípios de Minas Gerais durante o período.