Publicidade
O líder do PP na Câmara, deputado Doutor Luizinho (RJ), afirmou que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência abriu um novo cenário para os partidos de centro-direita. A entrevista foi concedida ao jornal Folha de S. Paulo.
Segundo ele, ao lançar seu nome sem consulta prévia aos aliados, o PL encerrou qualquer expectativa de construção conjunta e liberou o PP e o União Brasil para buscarem outros caminhos.
Para o deputado, a movimentação de Flávio alterou o tabuleiro porque a família Bolsonaro, tradicionalmente centralizadora nas decisões, decidiu impor sua estratégia. “Quando um partido opta por agir sozinho, os demais passam a ter liberdade para fazer o mesmo”, disse Luizinho ao jornal, destacando que o PP hoje não se sente vinculado à candidatura do senador.
Oportunidade com segurança!

Moraes determina perícia sobre saúde de Bolsonaro após pedido de cirurgia
Defesa alega que ex-presidente tem que se queixado de dores, que pioraram após crise de soluços

Justiça suspende benefícios vitalícios de Bolsonaro durante prisão
A decisão liminar determinou que a União bloqueie em até 48 horas o fornecimento desses serviços
PP avalia alternativas
Luizinho descreve um partido dividido em três grupos: um que defende aproximação com Lula, outro que prefere manter uma candidatura de direita e um terceiro, hoje majoritário, que deseja preservar independência total.
O foco, diz ele, não é a disputa presidencial em si, mas maximizar a representação da legenda no Congresso em 2026.
Nesse ambiente, nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Junior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) aparecem como alternativas naturais para liderar o campo de centro-direita. Para o líder do PP, governadores de estados grandes partem com mais lastro político e eleitoral.
Continua depois da publicidade
Dificuldades para Flávio Bolsonaro
Luizinho avalia que Flávio entra na disputa com níveis de rejeição mais altos do que outros possíveis candidatos e encontra resistência adicional pela associação direta com o ex-presidente.
Segundo ele, episódios recentes ligados ao clã Bolsonaro, como o prolongado período de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, desgastaram ainda mais a imagem da família.
O deputado também vê pouca margem para recuos imediatos: “Uma vez anunciada a candidatura, a reversão não costuma acontecer antes de junho ou julho. E, quando vier, os palanques estaduais já estarão montados”. Para ele, essa compressão do calendário tende a dificultar a reorganização da direita em torno de um nome único.
Centrão e PL da Dosimetria
Luizinho rejeitou a interpretação de que a aprovação do PL da Dosimetria seria uma tentativa de isolar Flávio ou pressioná-lo a desistir. Ele afirma que o movimento se deu por iniciativa do presidente da Câmara, Hugo Motta, que buscava encerrar temas sensíveis ainda em 2025. Segundo ele, não houve articulação explícita do Centrão para interferir na escolha do candidato da direita.
Para o deputado, ao contrário do que se especula, a aprovação do projeto pode até reforçar a postura de Flávio, que, após declarações polêmicas sobre “preço” de sua desistência, estaria ainda mais preso à manutenção da pré-candidatura.