Pablo Marçal e Kim Kataguiri conversam sobre possível chapa na eleição em São Paulo

Pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP) se reuniram em Brasília (DF) e discutiram a possibilidade de unir forças na eleição de outubro; Kim e Marçal são fortes nas redes sociais e têm interlocução com eleitorado jovem

Fábio Matos

Kim Kataguiri (União Brasil) e Pablo Marçal (PRTB), pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP) (Foto: Reprodução/YouTube

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Com forte penetração nas redes sociais e apoio de parte do eleitorado mais jovem, o deputado federal Kim Kataguiri (União Brasil-SP) e o coach, empresário e influenciador digital Pablo Marçal (PRTB-SP) vêm se aproximando, nos bastidores, em conversas que giram em torno de uma possível composição para as eleições municipais de outubro.

Tanto Kim quanto Marçal são pré-candidatos à prefeitura de São Paulo (SP) no pleito deste ano, mas ainda aparecem distantes do pelotão de frente na corrida pela sucessão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) – que será candidato a um segundo mandato.

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Em um dos cenários da mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada no dia 29 de maio, o pré-candidato do PRTB obteve 7% das intenções de voto e está tecnicamente empatado com nomes mais conhecidos do mundo político, como a deputada federal Tabata Amaral (PSB) e o apresentador de TV José Luiz Datena (PSDB), ambos com 8%.

Nesse cenário, Kim aparece com 4% das intenções de voto, numericamente empatado com Marina Helena (Novo) e tecnicamente empatado com o próprio Marçal, no limite da margem de erro (que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos).

Os dois líderes que vêm polarizando o cenário eleitoral em São Paulo são o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), com 24%, e o prefeito e candidato à reeleição Ricardo Nunes (MDB), com 23%.

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No segundo cenário testado pelo Datafolha, sem a presença de Datena e Kim, Marçal tem um desempenho ainda melhor, aparecendo com 9% das intenções de voto – numericamente empatado com Tabata.

Nesse caso, Nunes fica numericamente à frente de Boulos, marcando 26% contra 24% do pré-candidato do PSOL. A terceira colocação fica dividida entre Tabata e Marçal, ambos com 9% das menções. Marina Helena, por sua vez, marca 6%.

A aproximação entre Kim e Marçal

Próximos no espectro político-ideológico, Kim Kataguiri e Pablo Marçal mantêm boa relação e, nas últimas semanas, têm se aproximado com vistas à eleição de outubro.

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O deputado federal participou, no fim do mês passado, do programa “Marçal Talks”, comandado pelo coach e exibido no YouTube. Ambos tiveram uma conversa cordial e demonstraram sintonia.

“Posso até sair candidato à prefeitura, e mesmo saindo pré-candidato por enquanto, eu topo te ajudar no que você precisar. Porque eu sei que a cidade tinha que ter políticos que raciocinam”, elogiou Marçal, dirigindo-se a Kim. “Se o povo pensar do jeito que você [Kataguiri] pensa, nós vamos mudar este país.”

Foi a senha para que União Brasil e PRTB encaminhassem as negociações em torno de uma eventual chapa formada por Kim e Marçal para a prefeitura de São Paulo.

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Em uma reunião de cerca de 3 horas de duração, realizada na noite de terça-feira (4), em Brasília (DF), Marçal foi convidado pelo União Brasil para ser candidato a vice na chapa encabeçada por Kim. A informação foi publicada inicialmente pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e confirmada pelo InfoMoney.

Além dos dois pré-candidatos a prefeito de São Paulo, participaram do encontro o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda; o tesoureiro do partido e ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil-BA); e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil) – que almeja ser candidato à Presidência da República em 2026.

Durante a conversa, Marçal teria recusado o convite e lançado uma contraproposta, convidando Kim para ser candidato a vice em sua chapa.

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Segundo o União Brasil, isso não seria possível porque o partido é muito maior do que o PRTB, de Marçal, que não conta com tempo no horário eleitoral nem tem direito de participar de debates na TV e no rádio.

Apesar da recusa inicial de Pablo Marçal, os dirigentes do União Brasil esperam que o assunto volte a ser discutido em futuras conversas. Nem mesmo a candidatura de Kim está totalmente assegurada, avaliam integrantes da legenda.

Procurado pela reportagem do InfoMoney, o deputado Kim Kataguiri afirmou, por meio de sua assessoria, que não tinha “nada a declarar” sobre o assunto.

Além de Kim, o prefeito Ricardo Nunes também tem a expectativa de que Marçal possa desistir da candidatura própria e, seguindo recomendação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apoie o pré-candidato à reeleição. Nos bastidores, aliados do coach descartam completamente essa possibilidade.

No dia 30 de maio, ao participar da Marcha para Jesus, em São Paulo, Nunes assegurou que não está preocupado com o avanço de Marçal nas pesquisas. “Eu preciso sair desse tema de política nacional, de questões ideológicas, de coaching. Já pensou, vou disputar com o Paulo Marçal sobre coaching? Vou perder, não quero”, ironizou.

“Eu quero discutir a cidade. E as pessoas não estão votando em professor de coaching. Então, vamos votar em quem vai cuidar da cidade”, completou Nunes.

Encontro com Bolsonaro

Nesta quarta-feira (5), Marçal, que está fazendo um “giro” por Brasília, se reuniu com Jair Bolsonaro. Apesar da tentativa do coach de assegurar o apoio do ex-chefe do Executivo, Bolsonaro – que tem uma boa relação com Marçal e foi apoiado por ele na campanha de 2022 – reiterou seu apoio à candidatura à reeleição do prefeito de Ricardo Nunes.

“Eu disse a ele [Marçal] que tenho um compromisso com o prefeito através da indicação do vice, o coronel [Ricardo] Mello Araújo. A essa altura do campeonato, eu não tenho como apoiá-lo”, disse Bolsonaro, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

Ainda de acordo com o ex-presidente, caso Marçal chegue ao segundo turno na eleição paulistana, os dois podem conversar novamente sobre um eventual apoio, dependendo do adversário. “Até lá, eu estou com o prefeito e com o coronel Mello Araújo”, disse Bolsonaro.

Na terça-feira (4), circulando pelos corredores da Câmara dos Deputados, Pablo Marçal garantiu a parlamentares e jornalistas que terá o apoio de Bolsonaro na eleição. “Ele estará comigo”, afirmou o pré-candidato do PRTB.

Em uma mensagem em sua conta oficial no X (antigo Twitter), Marçal postou uma foto ao lado de Bolsonaro e escreveu que o aliado é “o brasileiro que mais brilhou como presidente do Brasil”. Almoçamos juntos e não pedi nada ao Bolsonaro. Todavia, tomei conselhos importantes que irei seguir. Em breve, teremos você novamente guiando essa nação”, afirmou.

Presenteado com uma medalha por Bolsonaro, o empresário escreveu, ainda: “A partir de agora, faço parte do grupo de poucos no Brasil que ganharam essa medalha dos 3i do clube do Bolsonaro. O Nunes nunca terá essa medalha”.

Ainda em Brasília, nesta quarta, Pablo Marçal acompanhou a sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que arquivou uma representação contra o deputado André Janones (Avante-MG).

Durante a sessão, marcada por muito tumulto, confusão e troca de xingamentos entre os parlamentares governistas e de oposição, Marçal se desentendeu com Guilherme Boulos (PSOL-SP) e foi chamado de “coach picareta”. O empresário ironizou Boulos nas redes sociais.

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Quem é Pablo Marçal

Fenômeno nas redes sociais, com mais de 10 milhões de seguidores apenas no Instagram, o investidor, escritor e influenciador digital apresentou sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo (SP) pelo Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).

Em 2022, o coach lançou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PROS e chegou a ter seu nome testado em pesquisas de intenção de voto, surpreendendo analistas, candidatos e partidos políticos.

Divergências internas envolvendo dirigentes do PROS, no entanto, fizeram naufragar a tentativa de Marçal de concorrer ao Planalto. A legenda decidiu apoiar a candidatura de Lula e, contrariando o próprio partido, o coach declarou que votaria no então presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.

Ainda em 2022, após ter a candidatura barrada à Presidência, Pablo Marçal partiu para o “plano B” e tentou disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, pelo estado de São Paulo. Ele obteve 243 mil votos, terminando entre os 20 mais bem colocados. Venceu, mas não levou.

No dia 30 de outubro de 2022, Marçal teve a candidatura impugnada pelo então ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Lewandowski (hoje ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Lula).

No mês anterior, Marçal já havia tido seu pedido de registro de candidatura rejeitado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) devido à falta de documentos, mas pôde concorrer sub júdice. A decisão final do TSE, no entanto, sepultou, mais uma vez, o sonho do coach de ser eleito para um cargo político.

Nas eleições de 2022, Marçal declarou ter um patrimônio de R$ 16,9 milhões. Posteriormente, o valor foi atualizado para R$ 96,2 milhões.

Filiado ao PRTB neste ano, Pablo Marçal já passou por outros três partidos políticos: PROS (2022-2023), Solidariedade (2023-2024) e Democracia Cristã (2024). Ficou apenas 15 dias neste último.

Nome completo:Pablo Henrique Costa Marçal
Data de nascimento:18 de abril de 1987
Local de nascimento:Goiânia (GO)
Formação:Bacharel em Direito
Ocupação:Investidor, empresário, escritor, influenciador digital e político
Partido:Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB)

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”