Datena diz a tucanos que será candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB

Até então cotado como possível candidato a vice na chapa de Tabata Amaral (PSB), apresentador teria sido convencido por lideranças tucanas a disputar a prefeitura da maior cidade do país nas eleições de outubro

Fábio Matos

José Luiz Datena deixou o PSB após quatro meses e se filiou ao PSDB (Foto: Reprodução/TV Globo)

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José Luiz Datena (PSDB) anunciou que será candidato à prefeitura de São Paulo (SP) nas eleições de outubro deste ano. A decisão, costurada junto a alguns dos principais líderes tucanos, foi sacramentada na quarta-feira (15), embora ainda haja dúvidas, dentro do próprio partido, se o apresentador da TV Bandeirantes vai manter a posição até o fim.

Até então, Datena era o nome mais cotado para ocupar a vaga de candidato a vice na chapa liderada pela deputada federal Tabata Amaral (SP), pré-candidata do PSB à prefeitura da capital paulista. Em abril, apenas 4 meses depois de se filiar ao PSB, Datena migrou para o PSDB, em um acordo que supostamente atrairia os tucanos para a chapa da parlamentar.

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Apesar das especulações de que poderia ser vice de Tabata, Datena nunca assumiu, publicamente, a pré-candidatura. Desde que trocou de partido, o apresentador vinha sendo pressionado por nomes como o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e o presidente nacional da legenda, Marconi Perillo (PSDB-GO), a liderar a chapa tucana na maior cidade do Brasil.

Desde que foi fundado, em 1988, o PSDB sempre teve candidato próprio nas eleições municipais em São Paulo. A legenda elegeu três prefeitos: José Serra (em 2004), João Doria (2016) e Bruno Covas (2020). O atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB), era vice de Covas e assumiu a prefeitura com a morte do tucano, em 2021.

“Há 15 dias, nós tivemos um jantar com o Datena e ele se disse desejoso e encorajado a encarar essa eleição. Nós ficamos felizes porque ele é uma grande liderança popular e já começamos as conversas internas para tentar viabilizar isso e construir uma robusta chapa de candidatos a vereador na cidade até final de julho”, afirmou José Aníbal, presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, ao G1.

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“Até as convenções partidárias de julho, tem muita conversa para acontecer, inclusive com outros partidos com os quais já vínhamos conversando, como é o caso do PSB. Não tenho bola de cristal para saber o que vai acontecer no futuro. Mas, durante toda a conversa que tivemos com o Datena, ele se mostrou decidido em encarar uma corrida eleitoral finalmente. E a gente confia nisso”, completou Aníbal.

Segundo apurou o InfoMoney, o presidente do diretório paulistano do PSDB é, inclusive, um dos nomes ventilados para ser candidato a vice em uma possível chapa “puro sangue” liderada por Datena. Outra hipótese seria tentar convencer Tabata a desistir de sua candidatura e ser vice do apresentador – mas essa possibilidade é considerada quase nula, segundo dirigentes do PSB.

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Até o momento, a pré-campanha de Tabata Amaral não se manifestou sobre a decisão de Datena de concorrer à prefeitura.

Em entrevista ao InfoMoney, em abril, José Aníbal já afirmava que o PSDB queria “recuperar seu protagonismo” nas eleições municipais. “Não podemos deixar que usem nossa legenda para negociar acordos políticos aqui ou ali e não termos protagonismo no processo. Temos de falar, nos posicionar e dizer o que o partido pensa que seria importante para a cidade de São Paulo”, afirmou.

O apresentador da TV Bandeirantes já passou por 10 partidos em sua trajetória política, embora jamais tenha se candidatado a nenhum cargo. Antes de trocar o PSB pelo PSDB, Datena já fez parte de PT, PP, PRP, DEM, MDB, PSL, PSD, União Brasil e PSC – em uma verdadeira “montanha-russa” partidária.

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Namoro antigo

Nas eleições municipais de 2020, Datena esteve muito próximo de ser companheiro de chapa do então prefeito Bruno Covas (PSDB), que buscava renovar o mandato. Então filiado ao MDB, ele teve uma série de conversas com Covas, que se animava com a possibilidade de ter o apresentador como vice.

Na reta final, Datena – autor de bordões que se tornaram icônicos na TV como “quero ‘ibagens’”, “põe na tela”, “é só nosso” e “me ajuda aí, pô” – recuou mais uma vez, alegando que a TV Bandeirantes havia lhe pedido para permanecer na emissora. O candidato a vice na chapa foi Ricardo Nunes (MDB), que acabaria assumindo a prefeitura após a morte de Covas, em 2021, e agora tenta a reeleição.

Ao se filiar ao PSDB, Datena relembrou o episódio e disse que errou ao não ter aceitado o convite de Covas. “Eu deixei de ser vice-prefeito dele e acho que foi a pior coisa que eu fiz. Acabou caindo no colo do atual prefeito, que transformou São Paulo no que eu vi vindo para cá hoje”, disse.

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De Lula a Bolsonaro, de Boulos a Doria

A vida político-partidária de Datena teve início no Partido dos Trabalhadores, de Luiz Inácio Lula da Silva. O jornalista foi filiado ao PT durante 23 anos, entre 1992 e 2015, e sempre se regozijou publicamente pela amizade que dizia nutrir por Lula.

As denúncias de corrupção que abalaram o PT, especialmente a partir da eclosão da Operação Lava Jato e do escândalo do “petrolão”, afastaram Datena dos petistas. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), ele se aproximou do então presidente da República – que entrevistou algumas vezes e com quem mantinha encontros regulares, inclusive no Palácio do Planalto.

Em 2022, quando estava no PSC, Datena foi cogitado novamente como candidato ao Senado, possivelmente com o apoio de Bolsonaro e do então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – hoje governador do estado. Bolsonaro chegou a dizer que havia “fechado com o Datena”, porém, horas depois dessa declaração, o apresentador agradeceu pelo apoio, mas desistiu da disputa.

O vaivém de Datena na política também o aproximou de nomes como o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL), pré-candidato à prefeitura de São Paulo, e o ex-governador do Ceará e ex-ministro Ciro Gomes (PDT).

Em abril do ano passado, Datena apareceu em um vídeo ao lado de Boulos, em que conversavam sobre o cenário eleitoral na capital paulista. “Se você peitar o PT e nós sairmos candidatos, se você falar para o Lula ‘eu quero o Datena como vice e sinto muito’, nós podemos sair”, disse o jornalista, na gravação. Após o vazamento do vídeo, Datena negou que tenha pedido para ser vice de Boulos.

Em 2022, o apresentador também foi especulado como vice da chapa de Ciro Gomes à Presidência da República. Os dois se reuniram para tratar do assunto, mas as conversas não foram adiante.

Por fim, José Luiz Datena já declarou apoio, em 2021, ao ex-governador de São Paulo João Doria (na época, no PSDB) para a Presidência da República. O jornalista foi apresentado como pré-candidato a senador pelo União Brasil, com o apoio dos tucanos paulistas, mas desistiu da disputa após Doria retirar sua candidatura presidencial por não ter obtido apoio interno na legenda. “Doria fez o movimento errado de novo. Ele deixa de ser o traído pelo PSDB e trai o Rodrigo Garcia. Por consequência, eu não tenho mais nenhum compromisso com essa chapa”, afirmou Datena na ocasião.

Na filiação ao PSDB, o 11º partido em sua biografia, Datena se disse honrado e feliz com a nova oportunidade na política, mas não foi assertivo ao comentar a possibilidade de se candidatar em outubro. “O futuro a Deus pertence. Por que eu ia convidar a Tabata para vir aqui se eu penso de forma diferente? Mas não depende só de nós”, afirmou. “Os partidos estão conversando. Precisa perguntar mais para os dirigentes dos partidos. Eles que respondam.”

Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”