Lira diz acreditar que Lula e o PT apoiarão seu candidato à sucessão na Câmara

Deputado se encontrou ontem com Lula no Alvorada, junto com líderes, e disse que petista deu indicações de que pode apoiar seu escolhido

Fábio Matos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), durante sessão de trabalho com presidentes dos Países da América do Sul (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), demonstrou otimismo com a possibilidade de o candidato que escolher para a sua sucessão no comando da Casa receber o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT. Lira participou de evento da Fundação Getulio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (23), um dia após se reunir com Lula e líderes da Câmara no Palácio da Alvorada, em Brasília.

“O presidente Lula tem a vontade dele e o direito de tentar fazer o sucessor dele, como eu tenho a minha pretensão”, afirmou Lira. “Ouvindo, como sempre faço, todos os líderes partidários e amigos na Câmara.”

“O presidente Lula disse que estará junto desse projeto, de acompanhar para que eu tenha o direito de fazer o meu sucessor. E o PT, eu não penso que pensará diferente, porque não tem motivos”, completou o presidente da Câmara. “Todos os compromissos que foram assumidos por esta Mesa Diretora estão sendo honrados.”

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Embora Lira ainda não tenha batido o martelo publicamente, dois nomes surgem como os mais cotados para sucedê-lo no comando da Casa: o deputado Elmar Nascimento (União-BA) e o atual vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP). Também são especulados como potenciais candidatos os deputados Antonio Brito (PSD-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL).

A eleição para a presidência da Casa acontece em fevereiro de 2025, e Lira não poderá ser candidato novamente.

“Bate-papo normal”

Sobre o encontro com Lula, ministros e outras lideranças da Câmara, na véspera, no Alvorada, Arthur Lira disse que se tratou de um “bate-papo normal”. “A reunião de ontem foi um bate-papo normal, uma conversa mais amena que eu pedi ao presidente Lula. Eu nunca tive nenhum tipo de relação pessoal com Lula, mas sempre ouvia que era um político de conversa.”

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“A participação do presidente é salutar. Esse foi o objetivo da reunião ontem, porque a relação sempre foi boa e não precisa de ressalvas. É normal que, na política, as coisas sejam conversadas para que haja o mínimo de ruído. Foi uma aproximação necessária que tem de ser rotina entre o presidente e os líderes”, concluiu Lira.

O tom mais ameno do presidente da Câmara contrasta com o seu discurso no início do mês, na abertura do ano legislativo, em que subiu o tom contra o governo e deu um duro recado sobre “acordos firmados”. Dias depois, Lula o convidou para um café de manhã no Alvorada.

Hoje, o político afirmou que havia um desencontro entre Executivo e Legislativo sobre matérias negociadas no Congresso e aproveitou para bater na tecla de que o Parlamento tem a palavra final sobre as matérias votadas — caso do Orçamento. “Estava tendo um descompasso entre o que era negociado, votado e depois vetado. Não precisamos de solavancos para fazer uma boa gestão e o Parlamento cumpriu papel importantíssimo antes mesmo da assunção do presidente Lula”, afirmou após o evento da FGV.

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Cronograma definido

Em meio às negociações (e trocas de farpas) entre Executivo e Legislativo, o governo federal publicou o decreto que estabelece um cronograma de pagamento de emendas parlamentares em 2024, após acordo para tentar evitar a derrubada de vetos ao Orçamento.

Em janeiro, Lula sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano, que estabelece as bases para as contas públicas, mas vetou dispositivos que definiam prazos para o pagamento das emendas (recursos destinados a projetos indicados por deputados e senadores).

O relator do texto, deputado Danilo Forte (União-CE), disse que o governo garantiu o cumprimento do cronograma. Em nota, afirmou também que, no início de março, haverá uma reunião para negociar outros vetos relacionados ao repasse de verbas para programas de atendimento a mulheres, crianças e setor agropecuário, entre outros.

Além dos vetos orçamentários, uma disputa foi aberta no fim do ano passado, após Lula editar uma Medida Provisória para reonerar a folha de pagamento de 17 setores da economia (a MPV 1202/2023), contrariando decisão anterior do Congresso pela renovação do benefício. Após pressão, o governo se comprometeu a retirar essa iniciativa da MP e tratá-la por meio de um projeto de lei (PL) em regime de urgência.

(Com Reuters)

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Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.