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A crise no Supremo Tribunal Federal deu a Flávio Bolsonaro (PL) espaço para atacar Alexandre de Moraes e explorar o desgaste da Corte. A duas semanas da eleição, porém, insistir nessa agenda pode deixar de ser vantajoso para sua campanha.
Na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, Flávio deveria reduzir o protagonismo do STF em seu discurso e voltar a concentrar a campanha no custo de vida.
“Eu, se sou o estrategista do Flávio, também deixo essa parte do STF para a imprensa, porque vai ter que continuar batendo nisso por dever de ofício, e volto para o supermercado para mostrar picanha com a redinha e aquele alarme contra roubo”, afirmou no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.
Para Barreto, “a grande questão claramente é o poder de compra”.

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STF também pode trazer Master de volta
O problema para Flávio é que a crise no Supremo não produz necessariamente efeitos em uma única direção. Embora Alexandre de Moraes seja alvo recorrente do bolsonarismo, manter o assunto no centro da campanha também abre espaço para que adversários retomem as relações entre integrantes da direita e o Banco Master.
Barreto cita dados de redes sociais para contestar a leitura de que o noticiário sobre Moraes necessariamente beneficia Flávio.
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Segundo ele, quando o debate envolve Daniel Vorcaro e o Master, o volume de críticas a Lula e Flávio nas redes se aproxima. Sem o banco na discussão, Lula aparece mais negativamente.
“Eu vejo o pessoal com muita naturalidade dizendo assim: ‘Olha, isso aí vai ajudar bastante o Flávio’. Mas quando você pega dados de redes, por exemplo, você não tem tanta convicção a respeito disso, não”, afirmou.
A avaliação ajuda a explicar por que a campanha pode enfrentar um limite ao explorar a crise institucional. Quanto mais o assunto permanece em evidência, maior também é o espaço para o PT tentar recolocar Flávio dentro do noticiário do Master.
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Escolha de alvos no Supremo
Segundo Barreto, a tendência é que Flávio concentre as críticas em Moraes e Flávio Dino, preservando os demais ministros do STF. A estratégia é compatível, na avaliação do cientista político, com o perfil adotado pelo senador ao longo de sua trajetória.
“Flávio não tem o perfil e nem tem o interesse de criar embate com o STF nesse aspecto”, disse.
Barreto lembra que o candidato procura se apresentar como uma versão menos confrontadora do bolsonarismo. Um ataque generalizado à Corte poderia aproximá-lo justamente do comportamento do pai que sua campanha tenta suavizar.
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Há ainda uma razão eleitoral para mudar de assunto. Barreto argumenta que a perda de terreno de Lula entre os eleitores de menor renda dificilmente pode ser explicada apenas pela crise no Supremo.
Ele cita como fatores mais relevantes a inflação, especialmente de alimentos, os juros, o endividamento das famílias e as apostas esportivas.
“Não é o STF que está provocando isso aqui. Muito provavelmente o que está provocando isso aqui é inflação, inflação de alimentos e problema de juros, endividamento, bets, enfim, todas essas coisas que a gente sabe”, afirmou.
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Esse diagnóstico também ajuda a explicar a reação do governo na reta final. O Planalto anunciou um reajuste de aproximadamente 15% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691, enquanto prepara outras iniciativas voltadas ao endividamento e às bets.
Para Barreto, são sinais de que o governo identificou no orçamento doméstico uma vulnerabilidade eleitoral.
A conclusão vale também para Flávio. Enquanto o noticiário sobre o STF seguirá independentemente da campanha, a disputa pelo eleitor que sente a perda de poder de compra ainda pode ser feita diretamente pelos candidatos.
Na avaliação do cientista político, é por isso que, depois de explorar Moraes, a campanha de Flávio pode ter mais a ganhar falando novamente de supermercado.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.