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Candidatos a governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) passaram a maior parte do último debate antes do primeiro turno defendendo os governos dos respectivos aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e trocando críticas envolvendo os “padrinhos”. A discussão envolveu até a Argentina de Javier Milei. Temas estaduais foram abordados, mas acabaram em segundo plano.
Realizado nos estúdios da TV Globo, na capital paulista, o debate durou cerca de duas horas e adentrou a madrugada desta quarta-feira (30). Sem perguntas de jornalistas, o encontro foi marcado pelo confronto direto entre os dois candidatos ao longo dos quatro blocos.
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A nacionalização do debate ocorre no momento em que as pesquisas mostram a possibilidade de Tarcísio vencer a eleição já no próximo domingo, no primeiro turno. Segundo pesquisa Atlas/Estadão divulgada na segunda-feira (28), o governador tem 53,3% das intenções de voto, ante 40,1% do petista.
Tarcísio citou o aliado Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa presidencial, apenas nas considerações finais, ao ressaltar a importância da parceria entre os governos estadual e federal. A postura contrastou com a de Haddad, que mencionou Lula várias vezes ao longo do debate.
“Vocês querem o Milei aqui, né?”, questionou o petista ao responder a uma pergunta de Tarcísio sobre a política econômica adotada por ele enquanto ministro da Fazenda de Lula. “Vocês forneciam osso e agora querem carne de burro. É esse o plano econômico de vocês”, continuou o petista.
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O chefe do Executivo paulista disse que o presidente argentino pegou uma situação complexa ao assumir o país vizinho – em julho, Tarcísio concedeu a Ordem do Ipiranga a Milei, maior honraria do Estado.
Economia
O governador pregou a necessidade de ajuste fiscal e contenção de gastos em nível federal no Brasil. “A gente está vendo a economia patinando, as empresas quebrando e as pessoas endividadas”, declarou, citando a recuperação judicial do grupo Casas Bahia.
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A dinâmica se repetiu em temas como saúde, infraestrutura e casos de corrupção. Tarcísio afirmou que obras como o Rodoanel Norte e a Linha 6-Laranja do Metrô atrasaram por causa da Operação Lava Jato, “do PT, por causa de vocês”. O mandatário também citou a lobista Roberta Luchsinger. Amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ela é suspeita de atuar no governo petista para conseguir contratos públicos.
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PCC
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Já Haddad exaltou o papel do governo federal na Operação Carbono Oculto, que investigou a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. O petista também mencionou que o governo Lula fez a renegociação da dívida dos Estados, inclusive de São Paulo, com a União, o que aliviou os cofres do Palácio dos Bandeirantes.
A medida, segundo ele, teria dado fôlego financeiro a Tarcísio para fazer obras e investimentos – parte deles financiada por bancos públicos federais. “Tenho certeza de que seguiremos incentivando São Paulo se Lula for reeleito. Se Flávio for eleito, vai travar tudo”, disse o petista, acrescentando que o adversário teria descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal se não fosse a renegociação dos débitos capitaneada por ele na Fazenda.
“Daqui a pouco vocês vão dizer que fizeram o Farol de Salvador e o Cristo Redentor. Tudo é o governo federal”, ironizou Tarcísio. Ele minimizou a ajuda do governo Lula nas obras paulistas, dizendo que se trata de empréstimos que serão pagos com recursos estaduais. E defendeu que as contas do Estado estão em dia.
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Um dos momentos mais tensos ocorreu logo no início do debate, com troca de acusações sobre envolvimento de aliados com o crime organizado. Haddad afirmou que Tarcísio pediu votos para os filhos do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso recentemente em uma operação que investigava a participação do PCC no transporte público da capital paulista. À época, Leite ainda não havia sido detido.
“Minha relação com eles sempre foi institucional”, respondeu Tarcísio. “Eles (a família Leite) nunca tiveram cargos no governo de São Paulo. O que a gente tratou foi saneamento básico nos mananciais, habitação”, justificou o governador. Tarcísio, por sua vez, citou o vereador Senival Moura (PT), que também foi preso neste ano por suspeita de envolvimento com o PCC – Haddad havia dito que o caso ocorrera há mais tempo.
Na mesma toada, o petista lembrou do afastamento do então comandante-geral da Polícia Militar, José Augusto Coutinho, após vir à tona a suspeita de ele ter sido omisso em caso em que policiais teriam sido corrompidos pelo PCC. O caso foi revelado pelo Estadão.
“Você fala que tudo está melhorando. O crime organizado está se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante da Polícia Militar por recomendação do Ministério Público”, disse o petista.
Sabesp
Os dois também debateram a privatização da Sabesp. “Você acha normal uma empresa de saneamento orientar o consumidor a não consumir a água que sai da torneira dele?”, disse Haddad. “A empresa estava dizendo aos consumidores que, se houvesse algum problema, era para comunicá-la. Não venha alarmar a população de forma irresponsável”, respondeu Tarcísio.