Após impasse, Flávio anuncia Alfredo Gaspar como vice em chapa “puro-sangue” do PL

Escolha fecha uma negociação que enfrentou recusas de partidos aliados, pressão do calendário eleitoral e dificuldade do PL para ampliar sua coalizão na corrida ao Planalto

Marina Verenicz

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Depois de semanas de negociações, vetos e tentativas frustradas de ampliar sua aliança, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira (5) Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto.

A escolha encerra uma das principais indefinições da pré-campanha, mas também representa uma mudança de estratégia em relação ao discurso adotado pelo próprio candidato desde o início das articulações.

A definição por Alfredo Gaspar contraria a linha que vinha sendo defendida pela campanha. Desde dezembro, quando Jair Bolsonaro lançou o nome do filho à Presidência, aliados sustentavam que a vice deveria ser ocupada por uma mulher. A avaliação era que uma composição feminina ajudaria a reduzir a rejeição de Flávio nesse eleitorado, um dos principais desafios apontados pelas pesquisas.

Essa estratégia orientou as conversas com Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, e também levou o PL a sondar nomes como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, além de outras lideranças femininas da direita. Nenhuma negociação prosperou.

A definição ocorre um dia antes do encerramento do prazo para as convenções partidárias. Embora Flávio tenha afirmado na terça-feira (4) que o PL poderia deixar a vaga aberta até o registro definitivo da candidatura, em 15 de agosto, a campanha decidiu antecipar a escolha para evitar questionamentos jurídicos e transmitir uma imagem de maior estabilidade ao eleitorado.

Quem é Alfredo Gaspar

Deputado federal por Alagoas, Alfredo Gaspar construiu sua carreira no Ministério Público Estadual antes de ingressar na política. Foi promotor de Justiça, secretário de Segurança Pública de Alagoas e disputou a prefeitura de Maceió em 2020.

Ele foi eleito deputado federal em 2022 pelo União Brasil e, posteriormente, filiou-se ao PL, aproximando-se do grupo político de Jair Bolsonaro.

Sua indicação reforça o discurso de combate ao crime e segurança pública, uma das principais bandeiras da campanha de Flávio Bolsonaro, um aceno ao eleitorado mais bolsonarista, conduzindo a campanha para o lado mais ideológico do movimento.

Neutralidade dos aliados

A escolha do vice foi marcada mais pelas portas que se fecharam do que pelas opções disponíveis. Desde que foi lançado candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, Flávio buscou um nome capaz de ampliar sua penetração entre mulheres, eleitores de centro e setores do empresariado. A prioridade era encontrar alguém de fora do PL, preferencialmente de um partido do Centrão.

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A principal tentativa envolveu Tereza Cristina. A ex-ministra da Agricultura chegou a aceitar o convite para integrar a chapa, mas o Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial e impediu sua indicação.

O Republicanos também recusou entrar formalmente na campanha presidencial, inviabilizando outros nomes defendidos por aliados do PL, entre eles Daniella Marques e Damares Alves.

Nos bastidores, dirigentes de partidos de centro-direita avaliavam que uma adesão formal à candidatura de Flávio poderia representar um custo elevado caso surgissem novos desgastes durante a campanha ou em um cenário de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia predominante foi preservar a autonomia das legendas e manter espaço de negociação independentemente do resultado das urnas.

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Pragmatismo prevaleceu

Sem conseguir romper a resistência das legendas que orbitam o Centrão, o PL acabou concentrando as conversas em nomes considerados viáveis politicamente.

A avaliação da campanha era que insistir em negociações sem perspectiva concreta poderia prolongar uma indefinição que começava a gerar desgaste às vésperas do início oficial da corrida eleitoral.

Com a definição, o partido encerra um capítulo que se arrastava desde o lançamento da candidatura e passa a concentrar esforços na agenda eleitoral.

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