Quem é Alfredo Gaspar: relator da CPMI do INSS que trocou Senado pela vice de Flávio

Ex-promotor de Justiça e deputado do PL deixa uma candidatura competitiva ao Senado em Alagoas para integrar a chapa presidencial

Alfredo Gaspar – Divulgação Câmara dos Deputados

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi escolhido nesta quarta-feira (5) para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A indicação encerra semanas de negociações do partido e leva para a campanha presidencial um dos parlamentares que mais ganharam protagonismo na oposição ao governo Lula ao longo deste ano.

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Ex-promotor de Justiça, Gaspar ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da

CPMI do INSS, responsável por investigar o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Sob sua condução, a comissão aprovou medidas que ampliaram a pressão política sobre o governo, entre elas a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A escolha também produz efeitos imediatos em Alagoas. Até antes do anúncio, Gaspar era tratado como o principal nome do PL para disputar uma das vagas ao Senado e aparecia entre os candidatos mais competitivos no estado. Ao deixar a corrida, abre espaço para uma disputa menos fragmentada no campo da direita, cenário que beneficia diretamente o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP), também candidato ao Senado. A mudança alimenta especulações sobre um possível acordo político envolvendo a composição nacional da chapa.

Do Ministério Público ao Congresso

Natural de Maceió, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto construiu sua carreira no Ministério Público de Alagoas, onde atuou por mais de duas décadas. Entre 2015 e 2022 ocupou diferentes cargos de destaque no governo alagoano, incluindo a Secretaria de Segurança Pública. À frente da pasta, adotou uma política de endurecimento contra o crime organizado e passou a ser associado às pautas de segurança que mais tarde marcariam sua atuação política.

Em 2020, disputou a Prefeitura de Maceió e chegou ao segundo turno. Dois anos depois, foi eleito deputado federal.

No Congresso, tornou-se uma das principais vozes do PL em temas ligados à segurança pública, combate à corrupção e fortalecimento das forças policiais.

Relator da CPMI

O maior protagonismo de Gaspar neste mandato veio com a CPMI do INSS. Como relator da comissão, conduziu as investigações sobre o esquema de descontos irregulares em aposentadorias e pensões e defendeu o aprofundamento das apurações sobre possíveis ramificações políticas do caso.

Foi sob sua relatoria que a comissão aprovou a quebra dos sigilos de Lulinha, após parlamentares da oposição apontarem suspeitas de ligação entre o filho do presidente e pessoas investigadas na Operação Sem Desconto.

Pouco depois, o cenário ganhou novos desdobramentos. O Supremo Tribunal Federal autorizou três inquéritos da Polícia Federal para investigar Lulinha por suspeitas de tráfico de influência em diferentes frentes. As investigações apuram possíveis atuações do empresário em negociações envolvendo o Ministério da Saúde, a Dataprev e empresas privadas. A defesa de Lulinha nega irregularidades.

A presença de Gaspar na chapa presidencial tende a reforçar o discurso da campanha de Flávio Bolsonaro de associar o governo Lula aos desdobramentos das investigações.

Escolha muda estratégia da campanha A indicação de Alfredo Gaspar também representa uma inflexão na estratégia eleitoral do PL.

Desde o lançamento da candidatura de Flávio, aliados defendiam que a vice fosse ocupada por uma mulher, preferencialmente de outro partido, para reduzir a rejeição do senador entre o eleitorado feminino e ampliar a coligação.

Foram sondados nomes como Tereza Cristina (PP-MS), Daniella Marques (Republicanos), Damares Alves (Republicanos) e outras lideranças. As negociações fracassaram diante da decisão de PP e Republicanos de permanecerem neutros na disputa presidencial.

Sem conseguir atrair novos aliados, o PL abandonou a estratégia de ampliar o eleitorado e optou por um nome identificado com o núcleo mais fiel do bolsonarismo. Ao escolher Alfredo Gaspar, Flávio leva para a chapa um parlamentar reconhecido pela atuação na área de segurança pública, pelo perfil combativo na oposição e pela condução da principal comissão parlamentar que hoje pressiona o governo Lula e seu filho mais velho.

A decisão também sinaliza que, diante das dificuldades para formar alianças, a campanha decidiu priorizar a consolidação da base bolsonarista na largada oficial da disputa eleitoral.