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No segundo mês consecutivo de valorização da maior parte dos papéis do Tesouro Direto, o destaque ficou por conta dos títulos prefixados que avançaram até 1,49% em setembro, caso do papel com vencimento em 2025.
Houve alta também no Tesouro Prefixado 2029, que viu o preço do papel subir 1,23%, e do título com vencimento em 2033, que apresentou valorização de 1,24% em setembro.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano e os números melhores para a prévia da inflação oficial (IPCA-15) em setembro ajudaram a reduzir a valorização dos títulos públicos neste mês, em relação aos anteriores – em agosto, os papéis chegaram a avançar 6,5%.
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Pesou também a declaração recente dada na última quinta-feira (29) por Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em que ele sinalizou que o BC está confortável com o início da redução da taxa básica de juros a partir de 2023, assim como espera a maior parte dos economistas consultados pelo Relatório Focus.
O resultado dessa combinação de fatores pôde ser visto nos preços dos ativos, como o do Tesouro Prefixado 2025. No começo do mês, a remuneração oferecida por esse papel era de 12,01% ao ano, sendo que o preço era de R$ 768,51. Já na manhã desta sexta-feira (30), o mesmo título era negociado com juros de 11,75% ao ano, e o papel era encontrado ao preço de R$ 779,51.
O efeito de aumento nos preços dos títulos, em momentos de recuo das taxas de remuneração tem origem na chamada marcação a mercado. Durante a existência de um papel, seu preço é marcado diariamente conforme as taxas que o mercado precifica a cada dia.
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Na prática, os papéis prefixados costumam valorizar quando as taxas de juros estão em tendência de queda. O contrário também é verdadeiro: os preços dos papéis normalmente caem quando as taxas de juros sobem, como estava ocorrendo nos meses anteriores, enquanto o mercado precificava uma provável continuação do ciclo de aperto monetário. Por isso, até o vencimento, alguns papéis ficaram com rentabilidade negativa em alguns momentos deste ano.
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Por outro lado, dois títulos atrelados à inflação que estão disponíveis para compra no Tesouro Direto apresentaram leve desvalorização em setembro: Tesouro IPCA+2026 e o Tesouro IPCA+2032, com cupom semestral. O primeiro viu o preço recuar 0,42%, enquanto o segundo registrou queda no preço de 0,22% em setembro.
Embora as taxas e os preços possam variar muito ao longo do tempo, o investidor precisa ter em mente que ele só poderá ter prejuízo (ou ganhos adicionais) com os títulos se resgatá-los antes do vencimento. Caso ele carregue até o fim, a remuneração vai respeitar as taxas e as condições contratadas no momento de aquisição do papel.
Confira a seguir como se comportaram os títulos públicos disponíveis para novos investimentos em setembro de 2022 e no acumulado dos últimos 12 meses:
| Títulos | Vencimento | Desempenho nos últimos 30 dias | Desempenho no mês anterior | Desempenho em 2022 | Desempenho em 12 meses | Taxa de compra | Taxa de venda |
| Tesouro Prefixado | 01/01/2025 | 1,49% | 2,46% | 5,45% | 6,79% | 11,75 | 11,87 |
| Tesouro Prefixado | 01/01/2029 | 1,23% | 5,4% | – | – | 11,98 | 12,1 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais | 01/01/2033 | 1,24% | 5,14% | – | – | 12,15 | 12,27 |
| Tesouro Selic | 01/03/2025 | 1,16% | 1,19% | 9,23% | 11,42% | 0,06 | 0,07 |
| Tesouro Selic | 01/03/2027 | 1,15% | 1,12% | 9,51% | 11,78% | 0,16 | 0,17 |
| Tesouro IPCA+ | 15/08/2026 | -0,42% | 0,11% | 5,32% | 7,76% | 5,75 | 5,87 |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2035 | 0,38% | 2,22% | 0,27% | 0,53% | 5,73 | 5,85 |
| Tesouro IPCA+ | 15/05/2045 | 0,56% | 3,96% | -5,98% | -8,46% | 5,73 | 5,85 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2032 | -0,22% | 1,17% | – | – | 5,76 | 5,88 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/08/2040 | 0,35% | 2,12% | 2,59% | 2,47% | 5,73 | 5,85 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais | 15/05/2055 | 0,97% | 2,38% | 1,12 | -0,46% | 5,79 | 5,91 |
Fonte: Tesouro Direto. Valores levantados até 30/09/22. Obs.: Títulos sem rentabilidade acumulada no ano ou em 12 meses estão disponíveis há menos tempo e, por isso, não há cálculo de retorno no período.
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Mais caixa e cautela com prefixados
Ainda que os papéis prefixados sejam bons trunfos em períodos em que a Selic tende a cair – como é o caso agora, em que os economistas projetam que a taxa básica encerrará 2023 em 11,25% ao ano – a recomendação de especialistas ouvidos pelo InfoMoney é ter cautela, diante de um cenário de grandes incertezas.
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Catherine Cruz, head de alocação da Braúna Investimentos, alerta que ativos prefixados são arriscados. Segundo ela, o momento pode ser positivo para iniciar uma alocação para quem não tem investimentos do tipo, mas ainda não é hora de aumentar a posição.
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“Temos um problema grande de inflação ainda e a questão política deixa o cenário mais instável. O ponto de entrada é atraente, mas não dá para ir com muita sede ao pote”, diz. “Os juros estão altos. Não faz sentido tomar um risco extra no prefixado”.
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Na visão da alocadora, a maior parte da carteira deve seguir em ativos pós-fixados atrelados à Selic, que estão com juros altos e oferecem um risco menor. Ativos atrelados à inflação também são boas opções como proteção do patrimônio, com destaque para os isentos de Imposto de Renda, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs), além de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e do Imobiliário (CRIs), além de outros.