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A quinta-feira (3) pós-feriado de Finados, com cara de segunda-feira, repercute notícias internas e externas. Na véspera (2), Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), sinalizou que ainda há um “caminho a se percorrer” e que a taxa terminal de juros americana deve ser maior do que o imaginado anteriormente.
Ao mesmo tempo, o chefe da instituição não descartou a possibilidade de que a alta dos juros seja desacelerada a partir da próxima reunião, em dezembro. O Fed tem elevado os juros em 0,75 ponto percentual há quatro encontros.
Algumas falas de cunho mais hawkish (inclinado ao aperto monetário) de Powell parecem ter pesado negativamente sobre as expectativas dos agentes. Por volta das 16h20 (horário de Brasília), os contratos futuros dos Fed Funds apontavam uma possibilidade maior de que as taxas fossem elevadas para a faixa entre 4,50% e 4,75% ao ano na próxima reunião, o que implica uma alta de 0,50 ponto percentual.
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Diante desse cenário, os rendimentos oferecidos pelos títulos americanos (Treasuries) voltaram a apresentar forte alta na tarde desta quinta-feira. Por volta das 16h20 (horário de Brasília), a taxa oferecida pelo papel com vencimento em dois anos avançava de 4,5700%, na sessão anterior, para 4,7055%.
O dólar comercial, por sua vez, recuava 0,11%, a R$ 5,113, enquanto os juros futuros avançavam. Para Alexandre Satoru Yamamoto, analista de renda fixa da Levante Corp, os juros futuros estão em alta durante o dia, com cenário mais avesso a risco no exterior e transição de governo no Brasil.
“Os mercados globais repercutem a decisão do Federal Reserve, que elevou a taxa básica norte-americana em 75 bps (entre 3,75% e 4%) e sinalizou por uma taxa terminal mais alta do que o esperado, o que está provocando um ajuste nas taxas globais”, diz Yamamoto.
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Já no mercado local, o especialista diz que o mercado acompanha a notícia de que a equipe do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs a criação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exclua do teto de gastos os valores necessários à manutenção do pagamento do Auxílio Brasil em R$ 600. Os detalhes da PEC serão discutidos na semana que vem.
No Tesouro Direto, às 15h20, os juros oferecidos pelos títulos públicos operam em alta de até 14 pontos-base (0,14 ponto percentual) nesta tarde após duas sessões seguidas de queda.
A maior taxa entregue por prefixados era de 11,89% ao ano, valor que era ofertado pelo Tesouro Prefixado 2033, com cupom semestral. Na sessão anterior, desta terça-feira (1), o mesmo título oferecia um retorno de 11,75% ao ano.
Chama atenção que os títulos prefixados com vencimento em 2025 e 2029 ofereciam o mesmo retorno, às 15h20 de hoje, no valor de 11,77% ao ano. Tal movimento costuma ser contraintuitivo porque papéis de prazo mais longo tendem a ser mais sensíveis a oscilações de mercado e com isso, costumam oferecer retornos mais altos.
Os papéis atrelados à inflação também apresentavam alta, no mesmo horário. A maior remuneração real era entregue pelo Tesouro IPCA+2045, no valor de 5,79% ao ano, superior aos 5,74% vistos na terça-feira (1).
Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta quinta-feira (3):
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Fed e BoE
Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta manhã de quinta-feira (3), estendendo as perdas registradas durante o pregão da véspera após anúncio do Fomc.
Apesar do sinal mais dovish (menos inclinado ao aperto monetário) dado pelo Fed de que a sua campanha para domar a inflação pode estar perto do fim, o sinal mais hawkish (mais inclinado ao aperto monetário) de que a taxa terminal pode ir ainda mais longe é a mensagem “que deve prevalecer”, na avaliação da equipe de macroeconomia da Genial.
Em relatório divulgado hoje, os especialistas da corretora avaliam que é prematuro pensar em parar de subir o juro nos Estados Unidos e que não acreditam que o Comitê tenha exagerado no ritmo de aperto dado nas últimas reuniões.
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Para eles, o documento reforçou que, em um cenário em que o Fed tenha exagerado na velocidade de ajuste monetário, a autoridade poderá usar suas ferramentas para ajustar a política monetária. “Em contrapartida, em um cenário em que o Fed não faz o ajuste na magnitude correta, o risco é de que a inflação se torne enraizada na economia americana”, destacaram os profissionais.
Ao olhar para o comunicado e o discurso de Powell, a equipe de macroeconomia e estratégia do BTG Pactual manteve a projeção para a taxa de juros americana no fim deste ano – entre 4,25% e 4,50% –, ao mesmo tempo em que elevou a estimativa de alta para a taxa em 2023, que agora está entre 5,00% e 5,25%.
“Após o posicionamento de Powell, sugerindo que a projeção do Comitê estava defasada, ou seja, abrindo espaço para a taxa de 5%, entendemos que há apetite para a convergência do Fomc para o nosso cenário altista”, detalharam os analistas do BTG em relatório, ao destacar que houve revisão na estimativa de alta para o juro em dezembro, que estima agora uma elevação de 0,50 ponto percentual, fevereiro 2023 (0,50 ponto percentual) e março 2023 (0,25 ponto).
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A corretora também não esconde que, até a próxima reunião em dezembro, há uma série de indicadores de inflação e de emprego que podem alterar a trajetória das projeções.
Também na cena externa, o Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra (MPC, na sigla em inglês) decidiu hoje elevar sua taxa em 75 pontos-base, para 3,0% ao ano. A decisão representa uma aceleração da política contracionista, uma vez que a decisão de setembro havia sido uma alta de 0,50 ponto.
A elevação da taxa ficou em linha com as projeções do mercado: o consenso Refinitiv apontava para alta de 0,75 ponto percentual.
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Mais uma vez, a decisão não foi unânime: um membro preferia aumentar a taxa bancária em 0,5 ponto porcentual, para 2,75%, e outro integrante do comitê optou por elevação de 25 pontos-base, para 2,5%.
PEC da Transição e correção do IR
O senador Marcelo Castro (MDB-PI), relator do Orçamento de 2023, e Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente eleito e coordenador da equipe de transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciaram que será discutido com o Congresso a PEC da Transição, em caráter emergencial.
A ideia é acomodar as despesas prioritárias do novo governo fora do teto de gastos, como a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 por mês a partir de janeiro, “sem interrupção de outros serviços e obras”.
O mercado já esperava um waiver, uma permissão para que o novo governo pudesse gastar além do teto, uma vez que os gastos obrigatórios para o próximo ano tomam boa parte do Orçamento. Mas o tamanho dessa licença ainda não foi anunciado.
Segundo Alckmin, na próxima segunda-feira (7), a equipe de transição terá reunião com o presidente eleito Lula e, na terça-feira (8), haverá nova reunião da equipe com o relator do Orçamento.
Alckmin também terá reunião com o presidente da Comissão Mista de Orçamento, o deputado Celso Sabino, na terça-feira (8) pela manhã. Ele deve procurar ainda os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, respectivamente.
As mudanças no projeto do Orçamento de 2023 com objetivo de atender as necessidades do novo governo vão ser discutidas formalmente em reunião marcada para esta quinta às 10h30.
O relator-geral da Comissão Mista de Orçamento (CMO), senador Marcelo Castro (MDB-PI), tem encontro agendado com o senador eleito Wellington Dias (PT-PI), escalado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do tema, juntamente com sete parlamentares da bancada do PT e o ex-senador Aloizio Mercadante.
O novo governo terá que obter algumas alterações na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2023 se quiser cumprir promessas de campanha como a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600, o aumento para os servidores públicos e o reajuste na tabela do Imposto de Renda. Em razão dessa urgência, a assessoria de Marcelo Castro já teve os primeiros contatos com a equipe do novo governo, segundo confirmou o relator em nota.
Também na cena política, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sinalizou em reunião com líderes partidários que colocará em votação ainda neste ano a correção da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), se o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quiser.
Lula prometeu durante a campanha eleitoral aumentar a faixa de isenção do IR dos atuais R$ 1,9 mil (valor que não é corrigido desde 2016) para R$ 5 mil. O atual presidente e candidato derrotado à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), havia feito essa promessa na eleição de 2018, mas não a cumpriu.
Se a tabela não for corrigida em 2023, quem recebe 1,5 salário mínimo passará a pagar Imposto de Renda no ano que vem.
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