Renda fixa

Tesouro Direto: taxas recuam precificando fim do ciclo de aperto monetário e apesar do payroll

Prefixados oferecem até 12,48% ao ano; ganho dos papéis de inflação chega a 6,01%

Por  Bruna Furlani, Katherine Rivas -

As taxas dos títulos públicos recuam na tarde desta sexta-feira (5), em uma semana definida pela redução nos prêmios de risco.

Nos prefixados, as taxas dos títulos de médio e longo prazo recuam até 14 pontos-base. Enquanto nos papéis de inflação, as taxas têm queda de até 7 pontos-base.

Segundo Lucas Visconti, operador de renda fixa da RB Investimentos, a queda das taxas nesta semana acompanhou a reprecificação do mercado do fim do ciclo de alta da Selic. Na visão da maioria dos agentes, embora o Comitê de Política Monetária (Copom) deixou a porta aberta para mais um aumento de 0,25 ponto percentual, a autoridade monetária deixou claro que estamos no fim do ciclo de aperto, destaca Visconti.

Ele também cita os dados do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho, que trouxe uma desaceleração de 0,38%, diante de uma expectativa do mercado de 0,18%, e reforçando o movimento de queda nos juros.

Na contramão, Visconti comenta que o payroll (relatório de emprego dos Estados Unidos)  apresentou um forte aumento nas vagas.  Segundo a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas (BLS, na sigla em inglês) do Departamento do Trabalho americano, o País criou 528 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola no mês passado. A expectativa do mercado previa a criação apenas de 250 mil vagas e uma taxa de desemprego em 3,6%.

“Esses dados, deixaram aberta a possibilidade de o Federal Reserve (banco central americano) precisar fazer mais um ajuste de 0,75 ponto percentual nos juros na próxima reunião”, avalia Visconti. O payroll acabou puxando algumas taxas durante o dia, principalmente as dos prefixados curtos que apresentaram estabilidade se comparados com a sessão anterior.

No radar do mercado, e que pode impactar as próximas sessões na curva de juros, Visconti cita os dados da inflação (IPCA) de julho, que serão divulgados na terça-feira (9), além da ata do Copom.

Dentro do Tesouro Direto, a maior queda era nas taxas dos títulos de médio prazo. O Tesouro Prefixado 2029 oferecia às 15h24 uma rentabilidade anual de 12,36%, abaixo dos 12,50% registrados na quinta-feira (4).

Já o Tesouro Prefixado 2033, com juros semestrais, apresentava um retorno anual de 12,48%, inferior aos 12,61% vistos ontem.

A taxa do Tesouro Prefixado 2025 permanecia estável.

Nos títulos atrelados à inflação, as taxas recuavam entre 2 e 7 pontos-base. A maioria dos títulos perdeu o patamar de 6% de ganho real, visto nas últimas semanas.

O maior ganho real registrado era do Tesouro IPCA+ 2055, de 6,01%.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto na tarde desta sexta-feira (5):

Fonte: Tesouro Direto

Payroll

Na cena internacional, o destaque está nos números do payroll. Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, avalia que os dados mostraram que o mercado de trabalho continua forte, o que vai colocar na mesa de discussão a possibilidade de que o Fed suba novamente a taxa de juros em 0,75 ponto percentual. Não à toa, os rendimentos dos títulos avançavam.

O estrategista chamou a atenção também para o fato de que o salário médio no país tem aumentado. Ele pondera que há vagas sobrando no mercado de trabalho, o que dá poder de barganha maior aos trabalhadores e tende a aumentar os salários e a pressão sobre a inflação. “Qualquer americano que busca vagas tem uma disponibilidade muito grande hoje”, afirma.

Biden e o Payroll

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi a uma rede social para enaltecer mais uma vez a quantidade de empregos criados. “Quando você vê a maior e mais rápida recuperação de empregos na manufatura americana desde a década de 1950, ‘Make It in America’ não é apenas um slogan. É uma realidade”, tuitou, em clima de campanha, visando as eleições parlamentares deste ano.

Mais cedo, na mesma rede, Biden havia afirmado que “um impulsionador da nossa recuperação é o sucesso das pequenas empresas. E a chave para esse sucesso é garantir que os fundos comprometidos vão para onde deveriam”.

Lula e o teto de gastos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou novamente nesta sexta-feira que, caso seja eleito, não terá um teto de gastos no Orçamento do país.

“Não é bravata, mas não terá teto de gastos em lei no nosso país”, disse Lula em um encontro com trabalhadores da área de saúde.

Lula tem repetido que não irá manter o teto, mas qualquer mudança depende de negociação com o Congresso. Como o teto foi instituído como emenda à Constituição, seria preciso uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que requer o apoio de três quintos dos deputados e senadores, para acabar com ele.

Na quinta-feira, em um evento da XP Investimentos, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), lembrou que seja qual o for o eleito terá que negociar com o Congresso qualquer mudança.

“Não adianta o candidato ‘A’, o candidato ‘B’, ou o candidato ‘C’ dizer que ‘eu não concordo com isso, que eu vou desprivatizar aquilo, ou que vou desmaterializar uma reforma constitucional que foi feita pelo Congresso Nacional’. As coisas terão que ser discutidas, dialogadas, democraticamente, como é o nosso processo eleitoral”, disse Lira.

O próprio presidente da Câmara, no entanto, encampou as mudanças que permitiram ao atual governo de Jair Bolsonaro contornar o teto de gastos para aumentar o Auxílio Brasil em um ano eleitoral.

Lula disse ainda que o teto foi criado apenas para evitar dar aumentos para os orçamentos de saúde, educação e programas de renda.

No evento desta sexta, uma conferência em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o ex-presidente lembrou que, caso seja eleito, pegará o país em uma situação ainda mais difícil que em 2003, quando assumiu a Presidência pela primeira vez.

“Mas não esperem de mim ficar chorando que não tem dinheiro. Nós vamos ter que encontrar o dinheiro”, disse.

Correção da tabela do IR e teto de gastos

O presidente Jair Bolsonaro reiterou na quinta-feira (4) que já acertou no governo a revisão da tabela do Imposto de Renda para o ano que vem, mas ainda não decidiu em quanto. “Não vou dizer o porcentual, não batemos martelo”, declarou em transmissão ao vivo nas redes sociais.

A revisão da tabela do imposto de renda foi uma promessa de campanha de Bolsonaro em 2018. “Não corrigimos a tabela do Imposto de Renda em anos anteriores por causa da pandemia. A economia era incógnita, o que poderia acontecer. Não tínhamos margem”, seguiu o chefe do Executivo.

Também na cena política, Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, declarou ontem que manterá em vigor o teto de gastos “enquanto pudermos, e Congresso pode muito”. A declaração foi feita durante a Expert XP 2022.

Durante o discurso, Lira afirmou ser “absolutamente” a favor da responsabilidade fiscal e disse que, se foram feitas intervenções no teto, chamadas de “microcirurgias”, foi por necessidade. “Temos que ter sensibilidade de não deixar de olhar para os mais vulneráveis”, disse. “Teto de gastos é importante, Lei de Responsabilidade fiscal é importante”, continuou.

Tanto o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL) quanto o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declararam a possibilidade de extinguir a âncora fiscal caso sejam eleitos no ano que vem.

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