Renda fixa

Tesouro Direto: retornos de prefixados com vencimento menor avançam e chegam a 12,3% ao ano

Investidores pedem cada vez mais juros para emprestar ao governo, diante do aumento dos riscos fiscais e da subida das projeções para a inflação em 2021

Real - Brazilian Currency. Money bills on a wooden table and a man holding a pen.
(Rmcarvalho/Getty Images)

SÃO PAULO – O radar dos agentes financeiros segue focado nesta terça-feira (23) nos desdobramentos da PEC dos Precatórios. Amanhã, quarta-feira (24), o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), relator da proposta, deve apresentar o texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Nesse contexto, investidores pedem cada vez mais juros para emprestar ao governo, diante do aumento dos riscos fiscais e da subida das projeções para a inflação oficial neste ano, o que exigiria uma postura ainda mais contracionista do Banco Central sobre a Selic. Com isso, o mercado de títulos públicos negociados no Tesouro Direto opera com avanço nas taxas na atualização das 15h21.

Mais uma vez, o destaque está nos retornos oferecidos pelos papéis prefixados, que chegaram a aumentar 14 pontos-base (0,14 ponto percentual), na abertura dos negócios, mas depois recuaram um pouco para até 12 pontos-base, durante a tarde. O Tesouro Prefixado 2024, por exemplo, oferecia juro de 12,30%, na atualização das 15h21, contra 12,32% ao ano, no início do dia. Na sessão anterior, o percentual que esse papel remunerava era de 12,18%.

No mesmo horário, a rentabilidade oferecida pelo Tesouro Prefixado 2026 era de 12,07% ao ano, abaixo dos 12,10% ao ano, da abertura das negociações, o que representa um avanço de 9 pontos-base (0,09 ponto percentual) em relação ao patamar registrado ontem.

Da mesma forma, o juro oferecido pelo Tesouro Prefixado 2031 era de 11,81%, frente aos 11,85% do começo da manhã. Ainda assim, o percentual está acima dos 11,77% ao ano vistos um dia antes. Com isso, a diferença entre a remuneração do título de prazo mais curto (2024) e o de prazo mais longo (2031) chegava a 49 pontos-base durante a tarde.

Ou seja: voltou a se aproximar dos patamares vistos nos dias de maior estresse fiscal quando a distância entre os dois papéis alcançou 51 pontos-base. Entenda o que explica esse fenômeno em que os papéis de vencimento mais próximo oferecem juros maiores do que os de prazo mais alongado.

Já entre os títulos atrelados à inflação, as taxas oferecidas pelo Tesouro IPCA+ 2055, com pagamento semestral de juros, por sua vez, eram de 5,35% ao ano, na atualização das 15h21, contra 5,37% ao ano, no início do dia – percentual que está acima dos 5,30% registrados ontem (22).

A elevação da Selic e o consequentemente aumento dos retornos oferecidos pelos títulos públicos ajudaram a impulsionar a captação dos títulos públicos em outubro. Segundo o Tesouro Nacional, o Tesouro Direto registrou captação líquida de R$ 1,92 bilhão no mês passado – a maior de toda a série histórica, iniciada em 2002.

Títulos atrelados à inflação se destacaram na preferência dos investidores, com participação de 46,7% nas vendas. Saiba mais nesta matéria.

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Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto que eram oferecidos na tarde desta terça-feira (23): 

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

PEC dos Precatórios, combustíveis e prévias do PSDB

Novamente, o centro das atenções dos agentes financeiros está na votação da PEC dos Precatórios, que deve ocorrer amanhã. Caso o texto seja aprovado, a proposta pode ser votada em primeiro turno já na semana que vem.

Ontem, durante audiência pública no Senado Federal para discutir a matéria, aprovada há duas semanas pela Câmara dos Deputados, Esteves Colnago, secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, afirmou que a PEC dos Precatórios, na formatação atual, abre um espaço fiscal de R$ 106,1 bilhões no Orçamento de 2022.

Segundo Colnago, o valor estimado supera em R$ 14,5 bilhões projeção inicial apresentada pela pasta. A mudança se deve à correção nos parâmetros para a inflação estimada para o final do ano. Antes, a equipe econômica do governo esperava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrasse 2021 em alta acumulada de 8,7%. Mas, segundo as últimas projeções do Relatório Focus do Banco Central, a inflação oficial deve ultrapassar os dois dígitos neste ano.

Apesar de o espaço ser muito superior ao estimado inicialmente pelo governo, Colnago argumentou que apenas R$ 1,1 bilhão estão livres para alocação.

Também na seara política, o preço dos combustíveis voltou a ser pauta dentro do Congresso nesta terça-feira. Em audiência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o general Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras, disse que “esse aumento não corresponde à Petrobras e está sendo colocado na conta dela”, ao se referir aos reajustes feitos em 2021.

Silva e Luna defendeu que foram 11 aumentos feitos pela petroleira e quatro reduções neste ano. Só que nas bombas, segundo ele, os consumidores viram o preço dos combustíveis aumentar 34 vezes e cair quatro vezes em 2021.

Ainda no cenário político, o PSDB anunciou ontem (22) que irá escolher seu pré-candidato à Presidência da República até o próximo domingo (28). Segundo o partido, uma empresa alternativa pode ser contratada para encerrar o processo interno de prévias, caso não seja apresentada uma solução tecnológica para o aplicativo que foi contratado inicialmente.

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Radar externo

Enquanto isso, no cenário internacional, os índices americanos operam com movimento misto nesta terça-feira. Por volta das 15h40 (horário de Brasília), o S&P e o Nasdaq recuavam 0,43% e 1,55%, respectivamente, enquanto o Dow Jones apresentava leve alta de 0,14%.

Investidores monitoram a confirmação de que Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, de 79 anos, pretende disputar a reeleição em 2024. A informação foi dada hoje pela Casa Branca.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, indicou o nome de Jerome Powell, atual presidente do Federal Reserve, o banco central americano, para seguir no cargo por mais um mandato.

Com isso, a expectativa é que a autoridade mantenha sua política monetária em um momento no qual a economia se recupera da pandemia e busca combater a inflação. As estimativas apontam que as taxas de juros devem ser elevadas apenas em 2022.

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