Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos revertem alta e têm mais um dia de queda nesta 6ª; prefixados oferecem retorno de até 10,2%

Mercado monitora bandeira tarifária de setembro e repercute discurso de Powell sobre possibilidade de iniciar redução dos estímulos ainda neste ano

Businessman using tape measure to measure the height of the percentage symbol
(z_wei/Getty Images)

SÃO PAULO – Investidores repercutem na tarde desta sexta-feira (27) a fala de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que afirmou que a política monetária dos Estados Unidos, por ora, está bem posicionada, mas que pode ser apropriado reduzir as compras mensais de US$ 120 bilhões em títulos até o fim deste ano. O mercado também segue à espera da divulgação da bandeira tarifária de setembro pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Diante desses eventos, os prêmios da maioria dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto inverteram a alta vista no começo da manhã e passaram a cair na tarde desta sexta-feira (27).

Entre os papéis com retornos prefixados, o juro pago pelo papel com vencimento em 2031 recuava de 10,30%, na primeira atualização do dia, para 10,18%, na atualização após o almoço. Um dia antes, o mesmo título pagava retorno de 10,26%. No mesmo horário, o prêmio do título com vencimento em 2026 caía de 9,73% para 9,62% durante a tarde. Percentual abaixo dos 9,70% vistos um dia antes.

Já entre os papéis atrelados à inflação, o juro real oferecido pelo Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 e pagamento de juros semestrais era de 4,72%, contra 4,74% registrados no começo da manhã. Anteriormente, o retorno pago pelo papel era de 4,73%. O prêmio real pago pelo Tesouro IPCA com vencimento em 2026, por sua vez, era de 4,37%, em linha com os 4,38% da sessão anterior.

Confira os preços e as taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto oferecidas na tarde desta sexta-feira (27):

Taxas Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Radar local

O destaque na agenda nacional está na piora da crise hídrica e na divulgação da bandeira tarifária para setembro. De acordo com informações do jornal O Globo, a bandeira tarifária deve subir dos atuais R$ 9,49 para um valor entre R$ 14 e R$ 15 a partir do próximo mês, o que implica aumento entre 50% e 58%, respectivamente. A decisão da Aneel deve ser informada no máximo até a próxima terça-feira (31).

A energia elétrica também foi tema de live do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ontem, ele afirmou que o país está “no limite do limite” e pediu que as pessoas ajudem a economizar energia elétrica. “Tenho certeza que você pode apagar um ponto de luz na sua casa”, disse Bolsonaro, em sua transmissão semanal.

O radar dos investidores também recai sobre os dados de empréstimos bancários em julho divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central. Segundo o BC, as famílias pagaram juros menores no cheque especial e no crédito não consignado em julho. A taxa de juros do cheque especial para pessoas físicas caiu 2,1 pontos percentuais no mês e chegou a 123,5% ao ano.

Na quinta-feira, o mercado suspirou mais aliviado com a votação a favor da lei de autonomia do Banco Central pela maioria dos ministros do STF. O resultado final foi de oito votos a dois. A lei visa blindar a autoridade monetária de eventuais pressões político-partidárias.

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As discussões sobre os precatórios também continuam a todo vapor. Ontem (26) na Expert XP, o ministro Luiz Fux, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e que também preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o rito de pagamento dos precatórios poderá incluir o aval do CNJ para uma nova modalidade de pagamento.

Segundo Fux, a solução, que ainda está em fase “embrionária”, seria a edição de uma resolução por parte do CNJ para que haja uma limitação às despesas com o pagamento dos precatórios.

A resolução, que deverá ser construída em acordo com o parlamento, estabeleceria regras aplicáveis à União, aos estados e municípios. No caso do governo federal, isso poderia significar o pagamento de R$ 40 bilhões em 2022 e o saldo restante (R$ 49 bilhões) seria pago no Orçamento dos anos seguintes.

Também ao participar da Expert XP, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou ontem (26) que a saída da adoção da regra do teto mencionada mais cedo por Fux representaria equacionamento “muito interessante” por corrigir vícios de origem.

Cena internacional

O grande destaque da cena externa está no discurso de Powell feito nesta sexta-feira (27). Em evento no Jackson Hole, o presidente do Fed não deu qualquer indicação de que um aumento das taxas de juros dos EUA, atualmente entre 0% e 0,25% ao ano, será realizado em breve. Pelo contrário, ressaltou que “aumentar os juros no momento errado poderia prejudicar a retomada pós-pandemia”.

Powell sinalizou ainda que o Fed permanecerá paciente à medida que tenta trazer a economia de volta ao pleno emprego.

Também nos Estados Unidos, o índice PCE (Despesas de Consumo Pessoal, na sigla em inglês) registrou alta de 0,4% em julho na comparação com junho. Na base anual, a expansão foi de 4,2%. Esse indicador de inflação é o mais acompanhado pelos membros do Fed.

Já o núcleo do PCE, que exclui alimentação e combustíveis, teve alta de 0,3%, em linha com a expectativa de economistas da Refinitiv. Na comparação anual, a expansão foi de 3,6%, também em linha com o projetado pelo mercado.

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