Renda fixa

Tesouro Direto: prêmios dos títulos públicos mudam de direção e passam a cair na tarde desta segunda-feira

Investidores repercutem revisões para cima no Boletim Focus, além de mudanças na tributação de investimento, inclusive papéis do Tesouro

Por  Bruna Furlani -

SÃO PAULO – As taxas oferecidas pela maioria dos títulos públicos começaram a segunda-feira (28) com alta moderada, mas mudaram de direção e passaram a cair na comparação com as taxas vistas no pregão anterior, após atualização da tarde feita pelo Tesouro Direto.

Na agenda econômica, investidores repercutem as revisões para cima nas projeções de inflação medida pelo IPCA e do PIB, no Boletim Focus do Banco Central (BC), além dos desdobramentos sobre mudanças na tributação de investimentos, inclusive de papéis do Tesouro.

Na atualização da tarde, os papéis do Tesouro IPCA com vencimentos em 2035 e 2045 pagavam retorno real de 4,14%, contra 4,17% na sessão anterior. No começo da manhã, o mesmo papel pagava uma taxa de 4,20%.

Durante o mesmo horário, as taxas dos títulos com vencimento em 2055 e juros semestrais, por sua vez,  apresentavam leve alta e ofereciam rentabilidade real de 4,41%, contra 4,35% que eram pagos anteriormente.

Entre os papéis prefixados, o prêmio do título com vencimento em 2024 caía de 8,14% no começo da manhã para 8,08% na atualização da tarde. Na sexta-feira, o mesmo papel pagava uma rentabilidade de 8,27%.

Da mesma forma, a taxa do título prefixado com vencimento em 2026 recuava de 8,14% no início das negociações para 8,08% na última atualização do dia. Anteriormente na sexta-feira (25), o título oferecia um retorno de 8,55%.

Além de informar sobre os preços e taxas, o Tesouro Direto anunciou dados sobre movimentação financeira em sua plataforma de negociações. Pelo segundo mês consecutivo, as vendas superaram os resgates em maio, com uma captação líquida de R$ 597,2 milhões.

O resultado se deve a vendas de títulos pelo programa da ordem de R$ 2,12 bilhões, contra saídas de R$ 1,53 bilhão, entre recompras e vencimentos.

Em meio à pressão inflacionária que impulsiona a procura por títulos indexados à inflação, o papel mais demandado pelos investidores em maio foi o atrelado ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que representou 42,5% das vendas no Tesouro Direto.

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta segunda-feira (28):

Taxas Tesouro Direto

Fonte: Tesouro Direto

Impacto positivo para renda fixa

No cenário nacional, a segunda-feira é de agenda econômica movimentada. As atenções estão voltadas para relatórios que apontam o impacto das mudanças propostas na segunda fase da reforma tributária entregue pelo governo, revisões para cima da Selic por parte de algumas casas, além da divulgação de dados importantes do Boletim Focus e da abertura de vagas de emprego com o Caged.

Investidores que acompanham o Tesouro Direto, por exemplo, devem monitorar possíveis mudanças na cobrança de impostos. No caso dos títulos públicos, o projeto de lei encaminhado pelo governo, na última sexta-feira (25), propõe que os rendimentos com esses ativos sejam tributados na fonte com uma alíquota única de 15%, a partir de 1º de janeiro de 2022.

Hoje, segundo a tabela regressiva do IR, a tributação da renda fixa é de 22,5% para aplicações de até 180 dias e a alíquota cai gradualmente e só chega a 15% para investimentos acima de 720 dias.

Na visão dos analistas Ciro Matuo, Akinori Hieda e Paula Toute do Itaú BBA, a proposta do governo é positiva para os ativos de renda fixa, como títulos públicos e Certificados de Depósito Bancário (CDBs), dada a redução do IR para a alíquota única de 15% para os papéis já tributados e com prazos mais curtos (mantidos em carteira ou vencendo em prazos inferiores a 2 anos).

Eles também veem com bons olhos a manutenção da isenção em produtos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), além de debêntures incentivadas, que já estão fora da cobrança de Imposto de Renda atualmente.

Apesar de ressaltar que o projeto apresentado na última sexta-feira ainda pode sofrer alterações durante as discussões no Congresso, os analistas do Itaú BBA pontuam que a medida deve gerar um “aumento do interesse por instrumentos tributados mais curtos”.

Como os impactos nos investimentos vão além da renda fixa, investidores também acompanharam as mudanças na tributação de investimentos em Bolsa de Valores e no mercado de fundos imobiliários.

Depois de fechar em forte queda de 1,74%, na última sexta-feira, o Ibovespa, que é o principal índice da bolsa brasileira, apresentava leve queda de 0,20%, cotado a 126.997 mil pontos, por volta das 15h34 de hoje. O dólar comercial, por sua vez, também registrava leve recuo de 0,02% cotado a R$ 4,93.

Enquanto isso, o Ifix, índice que representa os fundos imobiliários negociados na B3, recuava 0,99%, cotado a 2.698.06 pontos, por volta do mesmo horário. Na mínima diária, o índice chegou a cair 3,0%.

XP revisa projeções

Ainda no Brasil, a XP anunciou, nesta segunda-feira (28), que revisou para cima as expectativas de alta da Selic, após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na semana passada.

Em relatório assinado por Caio Megale, economista-chefe da XP, Tatiana Nogueira, economista da XP, Alexandre Maluf, estrategista macro, além de Rodolfo Margato, economista da XP, e Victor Scalet, estrategista macro da casa, os analistas disseram que agora esperam que a taxa básica de juros fique em 6,75% neste ano e no próximo. Anteriormente, a previsão era de que a Selic estaria em 6,50% em 2021 e 2022.

“Diante da comunicação do Copom, projetamos agora a Selic mais elevada, embora ainda próxima do nível considerado neutro (6,75% vs 6,50%), com uma aceleração no ritmo de alta para 1pp. O câmbio mais valorizado (revisamos a projeção de R$/US$ 5,10 para R$/US$ 4,90 no final de 2021 e 2022) e um provável recuo leve das commodities ajudam a manter a Selic terminal contida”, destacaram no relatório.

Eles ainda afirmaram que “se o Copom mantiver o ritmo de alta de 0,75 ponto, provavelmente terão que subir mais a Selic, até cerca de 7,25%”, segundo simulação feita pela casa.

A XP também revisou para baixo as projeções para a taxa de câmbio neste ano e no próximo, que agora devem ficar em R$ 4,90. Anteriormente, a expectativa para os dois anos era que a taxa de câmbio estaria em torno de R$ 5,10.

E em um cenário de juros mais elevados e de câmbio mais apreciado, a casa agora prevê uma inflação medida pelo IPCA menor em 2022: 3,6% contra 3,8% na projeção anterior. Mesmo assim, os especialistas mantiveram a projeção para o IPCA neste ano em 6,2%.

Focus

Além das atualizações nas projeções de casas como a XP, o Boletim Focus voltou a prever maior avanço da inflação. De acordo com o relatório divulgado hoje de manhã, a expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 passou de 5,90% para 5,97%, pela décima segunda semana consecutiva. Já para 2022, as apostas do mercado se mantiveram inalteradas pela segunda vez seguida, com uma alta prevista de 3,78% para o índice de preços,

O mercado também aumentou a expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção para a alta da atividade neste ano subiu pela décima vez consecutiva, e passou de 5% para 5,05% em 2021. Para 2022, a expectativa é de expansão de 2,11%, ante 2,10% no levantamento anterior.

Apesar de as revisões nas projeções para a inflação e para o PIB, o mercado preferiu manter as projeções para a Selic em 6,50% no fim de 2021, mantendo-a estável até o fim de dezembro de 2022.

Da mesma forma, o mercado optou por seguir com as projeções para o câmbio neste ano e no próximo sem alterações em comparação com a semana passada, em R$ 5,10 e R$ 5,20, respectivamente.

Crédito e vagas

A agenda econômica doméstica trouxe ainda a divulgação dos dados de crédito do BC. Segundo a autoridade monetária, o endividamento das famílias com o sistema financeiro chegou aos 58% em março: o maior percentual da série histórica, iniciada em janeiro de 2005. A defasagem nos dados é porque o cálculo leva em conta pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que vão até março.

Por outro lado, a taxa média de juros paga pelas famílias no crédito livre caiu em maio para 39,9% ao ano, de acordo com dados do BC. O número apresenta uma queda de 1,2 ponto percentual no mês. Já na comparação com maio de 2020, o recuo é de 3,8 pontos percentuais.

Segundo o BC, esse recuo nos juros foi influenciado pelo crédito pessoal, que teve queda de 5,3 pontos percentuais na taxa (83% ao ano). O rotativo do cartão de crédito chegou a 329,6% ao ano, com contração de 6,5 pontos percentuais.

O governo também divulga, hoje à tarde, dados do Caged sobre a criação líquida de vagas. Segundo o consenso compilado pela Bloomberg, a expectativa é que tenham sido criadas 157.500 vagas líquidas em maio.

De olho lá fora

Nos EUA, sem indicadores relevantes na agenda, a atenção está voltada para as falas de autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

O presidente da distrital de Boston do Fed, Eric Rosengren, fez um alerta para a alta de preços no mercado imobiliário americano como um possível risco à estabilidade financeira do país.

De acordo com o dirigente, os Estados Unidos não podem se dar ao luxo de bancar “o boom e o colapso” do setor. “Acho que vale a pena prestar muita atenção ao que está acontecendo no mercado imobiliário “, disse Rosengren em entrevista ao jornal Financial Times.

Ainda na cena global, os investidores monitoram o avanço no número de casos de coronavírus na Ásia. Em meio à disseminação da variante delta, países como Tailândia, Malásia e Austrália voltaram a implementar medidas de lockdown.

Já na Itália, por outro lado, a partir desta segunda-feira (28), os habitantes não precisam mais usar máscaras ao ar livre em situações em que não houver risco de aglomerações.

A restrição foi oficialmente revogada pelo governo italiano, embora a administração da região da Campânia, no sul do país, tenha decidido manter a obrigatoriedade do uso de máscaras a céu aberto.

A gestão do premiê Mario Draghi vinha sendo pressionada a derrubar a restrição havia algumas semanas, em função da melhora dos números da pandemia de Covid-19 e do avanço da campanha de vacinação.

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