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Os melhores fundos de ações e multimercados em agosto e em 12 meses

Com alta do dólar e das bolsas americanas e queda das ações brasileiras, fundos globais dominam maiores rentabilidades em ambos os recortes

SÃO PAULO – O aumento do temor do mercado durante o mês de agosto sobre uma postura irresponsável do governo do ponto de vista das contas públicas fez a Bolsa ter queda de 3,4%, após quatro meses seguidos de alta, enquanto o dólar subiu 5,1% e se aproximou novamente do patamar de R$ 5,50.

No mercado internacional, por outro lado, o otimismo, impulsionado em grande medida pelo tamanho do socorro financeiro do Estado, seguiu firme e forte. A Nasdaq, onde estão as principais empresas de tecnologia do planeta, registrou valorização de quase 10% só no mês passado. E o S&P 500 e o Dow Jones não ficaram muito para trás, com ganhos de 7%.

Diante desse cenário, os fundos de investimento das categorias ações e multimercado que tiveram as maiores rentabilidades em agosto foram aqueles com ativos globais no portfólio, tendência que também já vem sendo observada em um recorte maior, de 12 meses.

No caso dos fundos de ações, predominam na ponta os fundos que investem em Brazilian Depositary Receipts (BDRs), certificados que representam ações emitidas por empresas estrangeiras, mas negociados na B3.

Além de se valerem da forte valorização dos ativos internacionais, de setores que não estão disponíveis na Bolsa, como de tecnologia, os BDRs têm se beneficiado da valorização de 36,6% do dólar nos oito meses do ano.

Confira a seguir os fundos de ações de destaque dos últimos 12 meses, assim como seu desempenho em um período de 36 meses, no acumulado de 2020 e apenas em agosto.

Importante lembrar que retorno passado não é garantia de rentabilidade futura, ainda que seja interessante analisar o desempenho histórico dos fundos para observar sua consistência.

Para a análise, que tem como base dados extraídos da Economatica, foram considerados fundos não exclusivos com patrimônio líquido médio superior a R$ 100 milhões em 12 meses e mais de 99 cotistas, em agosto.

Foram excluídos fundos de ações setoriais, indexados e monoações.

Multimercados

No grupo dos multimercados, a toada internacional prevaleceu mais uma vez. E além dos produtos indexados aos índices acionários globais, como o S&P 500, cavaram espaço entre as maiores rentabilidades nos últimos 12 meses (e também em agosto) fundos de fundos da Santander Asset Management e da M Square, ambos expostos à variação cambial.

Confira o desempenho dos melhores multimercados do último ano, lembrando que não foram considerados para o levantamento os fundos de crédito privado.

A seleção dos gestores

No caso dos dois fundos de fundos, o trabalho das equipes da Santander Asset e da M Square é fazer a seleção de outros gestores, baseados no exterior, e, por isso, com maior propriedade para escolher as melhores ações negociadas nas bolsas internacionais.

O veículo da Santander Asset, diz o gestor Daniel Castro, tem cerca de 20 fundos de ações globais no portfólio, de aproximadamente 15 gestoras, seguindo um limite de 10% por fundo em relação ao portfólio total, e de 15% por gestor.

“Buscamos estratégias complementares entre si, com foco em large caps, small caps, crescimento, qualidade, ETFs, entre outras”, afirma Castro.

Para a seleção dos fundos, que precisam ter histórico mínimo de 12 meses e serem de gestoras com pelo menos US$ 5 bilhões sob gestão, a Santander Asset Management do Brasil conta com o auxílio de uma equipe baseada em Madri, que faz uma primeira filtragem dos principais fundos disponíveis globalmente.

“Temos na carteira fundos de casas conhecidas do investidor brasileiro, como BlackRock, JP Morgan e Morgan Stanley, mas também de gestoras que no mercado local não são tão populares, mas muito grandes globalmente, como T Rowe Price, Pioneer e Axa Rosenberg”, diz Castro.

Segundo o gestor, por ter como benchmark o índice MSCI World, o fundo tem uma preponderância da carteira nos Estados Unidos, com cerca de 60% do total, com participação relevante também da Europa e da Ásia.

Após manter uma alocação “overweight” (acima do indicado pelo benchmark) no velho continente, principalmente pela forma como a pandemia foi tratada na região, Castro afirma que, nas últimas semanas, a gestora optou por voltar a participação para mais perto do apontado pelo MSCI World.

Hoje, a única posição “overweight” do fundo não está em uma região especifica, mas no setor de tecnologia. Apesar da alta destacada dos últimos meses, a tendência é que as empresas do nicho sigam entre as mais beneficiadas pelos novos hábitos de consumo reforçados pela pandemia, prevê o gestor.

FAAMG

Entre os fundos de BDRs que se destacaram nos últimos 12 meses, a maior preferência dos gestores ainda responde pela sigla FAAMG, usada para se referir às cinco gigantes de tecnologia americanas – Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google.

O grupo é o grande responsável pela performance acima da média das bolsas americanas em comparação com os pares durante a retomada observada nos últimos meses, mas a performance mais recente começa a levantar algumas dúvidas sobre a continuidade do movimento.

A semana foi marcada por perdas na bolsa americana entre as ações do setor. Os papéis da Apple encerraram o intervalo com perdas de 3,08%, sendo que nos últimos dois pregões houve uma perda de valor de mercado de US$ 178,5 bilhões.

Destaque ainda para Amazon, Facebook, Alphabet (Google) e Netflix, que juntas perderam US$ 285 bilhões de valor entre nestes dois pregões, sendo que só a companhia de Jeff Bezos perdeu US$ 118,6 bilhões.

Na Western Asset, responsável pelo fundo de ações com a maior valorização até agosto, de 77,8%, o setor de tecnologia representa cerca de 30% da carteira, pelo próprio peso detido no índice americano S&P 500, utilizado como referência de performance.

Conforme mostrou matéria publicada pelo InfoMoney, o fundo é bem concentrado, com 40 papéis, com destaque justamente para Amazon, Apple, Microsoft e Google.

De acordo com Mauricio Lima, gestor da Western, é um portfólio que busca ser cíclico, mais baseado em crescimento de resultado das empresas. Criado em 2014, o fundo tem uma estratégia baseada em large caps americanas.

Na IP Capital Partners, empresas que fazem uso intensivo da tecnologia em suas operações – Facebook, Google e Mastercard – também respondem por 30% da carteira.

“São três empresas que eu considero excepcionais, com teses de investimento parecidas, de serem grandes pedágios globais”, diz Gabriel Raoni, cogestor na IP.

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Ele explica a tese com base em Mastercard, indicando que, para uma companhia entrar no sistema de pagamento de cartão de crédito na bandeira, haverá sempre uma tarifa de 0,20%.

Durante live da XP sobre o potencial dos BDRs das empresas de tecnologia, João Julião, gestor da Verde Asset Management, compartilhou sua visão positiva para os papéis do Facebook.

“Em termos de valuation, a relação preço/lucro [da ação do Facebook] está baixa, dado o potencial de crescimento”, afirmou o especialista.

Segundo Julião, a rede social deve aumentar a geração de receita de maneira exponencial nos próximos anos. “O Facebook tem um mercado enorme para atacar que é pouco monetizado, com barreiras de entrada altas, que permitem à companhia uma margem de lucro excelente.”

Acesso facilitado

Uma boa notícia para o investidor pessoa física atraído pela rentabilidade destacada é que as regras para investir nos BDRs foram facilitadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em um contexto de juros baixos que força a busca por diversificação.

A partir de 1º de setembro, além dos fundos, qualquer interessado passou a ter o direito de investir diretamente nos BDRs, até então restritos aos investidores qualificados, que são aqueles com aplicação financeira de no mínimo R$ 1 milhão.

Na prática, contudo, será demandado um pouco mais de paciência do investidor pessoa física. Isso porque, embora as alterações de fato passem a valer neste mês, há um passo a ser dado pela Bolsa para garantir a negociação por qualquer investidor: a definição dos chamados “mercados reconhecidos”, mesmo para os programas já existentes.

Até o momento, estão disponíveis cerca de 550 BDRs, apenas de empresas estrangeiras, e as indicações da B3 apontam para 600 até dezembro, quase o dobro da quantidade de ações de companhias brasileiras listadas na Bolsa.

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