Tecnologia norteia as preferências

Quais são os melhores BDRs hoje na avaliação de gestores de fundos?

Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google lideram as escolhas de casas como BB DTVM, Bram, IP Capital e Western Asset

SÃO PAULO – Prestes a serem acessados por qualquer investidor brasileiro, os Brazilian Depositary Receipts, mais conhecidos pela sigla BDR, devem crescer substancialmente em volume de negociação e alternativas no mercado.

Por isso, antes de começar a comprar e vender esses ativos, que representam ações emitidas por empresas em outros países, mas negociados na B3, cabe ao investidor estudar o produto e analisar quais são as melhores opções para montar uma carteira.

Atualmente, há mais de 550 opções de BDRs negociados na Bolsa brasileira e a lista deve se expandir com as mudanças nas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciadas em agosto.

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Diante do maior interesse pela classe, quais são hoje os BDRs preferidos de gestores de fundos? O InfoMoney conversou com as equipes de casas como BB DTVM, Bradesco Asset Management (Bram), IP Capital e Western Asset para entender como estão alocados os portfólios.

Embora o número de BDRs das carteiras das gestoras consultadas varie bastante, de dez a 240, as principais escolhas recaem praticamente sobre os mesmos ativos, agrupados na sigla FAAMGs, em referência às cinco gigantes de tecnologia americanas – Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google.

E são eles os BDRs responsáveis pelas principais negociações financeiras na B3.

A IP Capital Partners tem hoje dez BDRs na carteira, sendo três deles os principais: Facebook, Google e Mastercard.

“São três empresas que eu considero excepcionais, com teses de investimento parecidas, de serem grandes pedágios globais”, diz Gabriel Raoni, cogestor na IP.

Ele explica a tese com base em Mastercard, indicando que, para uma companhia entrar no sistema de pagamento de cartão de crédito na bandeira, haverá sempre uma tarifa de 0,20%.

A concepção, afirma Raoni, é parecida com a do Google e do Facebook, com posições que impõem uma tarifa para utilização das plataformas.

Há também outras grandes companhias com presença na estratégia da IP, como os BDRs da Berkshire Hathaway, que são um investimento de longa data. “O valor do negócio anda mais rápido que o preço da ação, a empresa ainda está muito descontada”, diz o gestor.

Disrupção atrativa

Outro caso conhecido é o da Netflix, alvo de um relatório da IP neste ano e na carteira há pouco mais de um ano. Para Raoni, o serviço de streaming da companhia é um produto mal precificado, o que garante poder de preço à empresa.

“Até agora, a inércia do crescimento da base de usuários sugere que ainda há espaço considerável para continuar aplicando essa estratégia”, afirmou a gestora, em relatório a cotistas.

O investimento mais recente feito pela IP foi no BDR da Accenture, comprado na crise.

A casa investe em BDRs por meio de dois fundos: o IP Participações, restrito a investidores qualificados, e o IP Participações IPG, para o público geral. Ambos têm hedge cambial, ou seja, o investidor não fica exposto à variação de moeda.

Os BDRs respondem hoje por metade da carteira, que conta ainda com ativos no exterior e posições no Brasil, como B3 e Equatorial.

No caso da Western, o setor de tecnologia representa atualmente cerca de 30% da carteira do Western Asset FIA BDR Nível I, pelo próprio peso detido no índice americano S&P 500, utilizado como referência de performance.

De acordo com Mauricio Lima, gestor de portfólio da Western, o fundo é hoje bem concentrado, com 40 papéis, com destaque para Amazon, Apple, Microsoft e Google.

“Temos ainda Visa como uma das principais posições, também como uma empresa de tecnologia, apesar de atuar em meio de pagamento”, diz.

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É um portfólio que busca ser cíclico, explica Lima, mais baseado em crescimento de resultado das empresas. Criado em 2014, o fundo tem uma estratégia baseada em large caps americanas.

Aberto a qualquer investidor, o produto tem exposição à variação cambial, portanto o retorno engloba a variação de preço das ações e de moeda. Impulsionado pelos dois fatores, o fundo apresentava ganhos da ordem de 44% neste ano, até julho.

Criado quase na mesma época, em 2015, o fundo BB Ações Globais FC FIA BDR Nível I é um dos produtos da BB DTVM com exposição aos recibos de ações estrangeiras.

Também sem proteção cambial, a carteira tem predominância na temática de tecnologia, além de bens de consumo discricionário, com Apple, Microsoft, Amazon e Alibaba como as principais ações.

Google, Facebook Visa e Walmart também ocupam destaque no portfólio, que tem mais de cem BDRs, principalmente americanos. No ano até julho, o fundo subia 30%.

“Trabalhar com carteiras mais diversificadas para esse tipo de ativo é mais interessante”, observa Vinícius Vieira, gerente de fundos de ações ativos da gestora do Banco do Brasil.

OS BDRs também marcam presença em fundos segmentados da gestora, como o BB Ações Tecnologia BDR Nível I, com 20 recibos de ações de empresas estrangeiras como Tesla, Google, Alibaba, Paypal e Mercado Livre.

Com uma recente mudança no regulamento, os BDRs representam hoje metade do portfólio, completo com papéis de empresas de tecnologia brasileiras, como TIM.

Outro fundo da casa com exposição aos recibos de ações estrangeiras é o BB Ações Equidade, com cerca de cinco BDRs no portfólio, que procura contar com papéis de empresas que respeitem a questão de equidade de gênero. “O fundo só compra ações de companhias signatárias ao princípio de empoderamento feminino”, diz Vieira.

Pioneira no mercado de fundos de BDR, com o lançamento do Bradesco FIC FIA BDR Nível I em 2011, a Bram tem hoje 240 recibos na carteira.

Roberto Shinkai, gestor de renda variável da gestora do Bradesco, conta que o portfólio foi expandido ao longo do tempo para aumentar a aderência ao índice S&P 500. Assim como as demais casas, as gigantes de tecnologia ocupam posição de destaque do fundo. “Tecnologia é um call secular, vai ser importante para a economia no futuro,” observa..

Efeitos das novas regras de BDRs

Em relação às flexibilizações nas regras da CVM de acesso aos BDRs, Raoni, da IP, acredita que um dos principais efeitos sobre o mercado tende a ser a redução de custo nas operações, com um maior número de participantes.

Ao menos por ora, contudo, nenhuma gestora mexeu nas taxas dos fundos. O produto da Bram, por exemplo, chega a ter um custo de 2,5% ao ano.

“A redução de taxas é uma tendência. À medida que o público tenha acesso, o produto vai caminhar de acordo com essa demanda dos clientes”, afirma Shinkai, que chama ainda atenção para a pressão exercida pela forte queda dos juros básicos da economia.

No caso da Western, em que a taxa de administração é de 1,5% ao ano, Lima considera a cobrança adequada ao resultado entregue.

Com taxa de administração de 2,6% no BB Ações Globais BDR, Vieira afirmou que a BB DTVM está sempre olhando para os custos e que tem trabalhado para ter investimentos mínimos baixos.

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