Carteira

As ações mais recomendadas pelos analistas para investir em março

Ações da Petrobras deixam o grupo das mais recomendadas pela primeira vez, ao lado dos papéis do BB; BTG Pactual, Klabin e Rede D’Or estreiam na lista

(shutterstock)

SÃO PAULO – A intervenção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na troca do comando da Petrobras atingiu em cheio o mercado, com forte queda das ações, revisões das projeções para a companhia e a exclusão dos papéis da estatal de carteiras recomendadas.

Levantamento feito pelo InfoMoney com 11 corretoras mostrou que, pela primeira vez desde 2018, quando foi iniciada a seleção compilada, os papéis PETR4 estão de fora das principais recomendações para o mês. Em fevereiro, as ações haviam recebido quatro indicações.

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Outra estatal que saiu das preferências do mês foi o Banco do Brasil, com o setor financeiro perdendo ainda o papel do Itaú Unibanco no grupo.

As ações das três companhias foram substituídas pelos papéis de estreantes no portfólio: BTG Pactual, Klabin e Rede D’Or, ampliando a diversificação da carteira, que agora conta com dois nomes no segmento de papel e celulose.

Completam a lista de fevereiro Suzano, Bradesco e B3, com os investidores de olho no cenário favorável para as commodities e ativos de risco.

Além do imbróglio de Petrobras, investidores repercutem a possibilidade de mais interferências em estatais, além de medidas tributárias, como a decisão do governo de aumentar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos para compensar a zeragem de alíquotas de PIS e Cofins sobre óleo diesel e gás de cozinha, diz Roberto Indech, estrategista-chefe da Clear Corretora.

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De acordo com Indech, a votação da PEC Emergencial também deve ser acompanhada de perto, dado que pode trazer um “norte” para a trajetória de Bolsa, câmbio e juros nas próximas semanas.

No mercado de juros, investidores acompanham ainda a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), com expectativas já de alta da taxa Selic, segundo o relatório Focus, do Banco Central, mais recente.

Já na cena externa, as atenções devem recair principalmente sobre o avanço da vacinação contra o coronavírus, os pacotes de estímulos e novos dados econômicos que mostrem a evolução da retomada, avalia o estrategista da Clear.

A carteira compilada pelo InfoMoney é divulgada no início de cada mês e seleciona os cinco nomes mais recomendados pelas casas de análise consultadas. O número de indicações pode ser maior, se houver empate, caso do portfólio atual.

Confira a seguir as ações mais indicadas para março, a quantidade de recomendações e o desempenho de cada papel no ano:

Empresa Ticker Número de recomendações* Retorno em 2021
Vale VALE3 10 8,08%
B3 B3SA3 7 -11,6%
Suzano SUZB3 6 24,99%
Bradesco BBDC4 5 -15,06%
BTG Pactual BPAC11 4 8,90%
Klabin KLBN11 4 11,33%
Rede D’Or RDOR3 4 1,36%
Ibovespa -7,55%
*Indicações compiladas das carteiras de ações de Ágora, Ativa, BB Investimentos, BTG Pactual, Elite, Genial, Guide, Necton, Santander Corretora, Singulare e XP Investimentos.
Obs: retorno até 26/02/2021
Fonte: Economatica

Vale (VALE3)

No topo das recomendações desde maio do ano passado, Vale recebeu dez indicações para este mês e é a empresa preferida dos analistas na Bolsa.

Na XP Investimentos, a recomendação de compra se deve aos preços mais altos de minério de ferro e às perspectivas positivas para o mercado após os resultados do quarto trimestre de 2020 que, segundo os analistas, foram mais fortes do que o esperado.

A mineradora registrou lucro de US$ 739 milhões no último trimestre de 2020, com Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) ajustado de US$ 9,1 bilhões (excluindo o Acordo Global de Brumadinho, de US$ 4,9 bilhões). No acumulado do ano, o lucro foi de US$ 4,9 bilhões.

Segundo os analistas da XP, o desempenho do período foi resultado de preços realizados acima do esperado em minério de ferro e da forte geração de caixa operacional.

O anúncio da companhia da distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) no valor de R$ 4,26 por ação também foi apontado como um ponto positivo, com um retorno anualizado de 9,1%, diz a XP, em relatório.

Já a Necton cita o Projeto Serra Sul 120, localizado no município de Canaã dos Carajás (PA), que deve iniciar as operações no primeiro semestre de 2024. Com investimento de US$ 1,5 bilhão, ele deverá adicionar 20 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade e menor custo operacional, escreve o time de análise.

A retomada da operação Samarco, que contará com novos processos de disposição de rejeitos, também contribui para a recomendação.

B3 (B3SA3)

Figurinha repetida na carteira compilada pelo InfoMoney, B3 recebeu sete recomendações para março.

O papel é novidade na carteira da Santander Corretora, que destaca o aumento do volume diário de negociações, o maior apetite ao risco por parte dos investidores brasileiros, bem como os preços atrativos das ações.

De acordo com os analistas da casa, a desvalorização das ações da ordem de 13% desde as máximas do ano, no início de fevereiro, abriu oportunidade de compra. A casa traça preço-alvo de R$ 63 para B3SA3 ao fim do ano, um potencial de valorização de 15,9% em relação ao fechamento do pregão de segunda-feira (1).

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Da mesma forma, o BTG Pactual vê os preços dos papéis da B3 como atrativos e voltou a incluir o nome na seleção recomendada do mês.

“Os volumes permanecem fortes, na casa dos R$ 37 bilhões no trimestre, e vemos revisões para cima dos lucros no horizonte, o que esperamos ser um importante gatilho para que as ações voltem a apresentar um desempenho superior”, escrevem os analistas do BTG, em relatório.

A companhia divulga o balanço referente ao último trimestre de 2020 nesta quinta-feira (4).

Suzano (SUZB3)

Para este mês, a empresa de papel e celulose Suzano, cuja ação teve ganhos de 10,5% em fevereiro, recebeu seis menções, uma delas do BB Investimentos.

De acordo com os analistas da casa, que incluíram o papel na seleção de março, a escolha recai sobre a liderança da companhia em celulose, aproveitando-se do aumento de preços.

A conclusão do processo de integração com a Fibria também poderá, segundo eles, contribuir positivamente para os próximos resultados.

“A empresa apresentou resultados operacionais sólidos em 2020, mesmo com o cenário desafiador do mercado global de celulose, e mostrou que está preparada para colher bons frutos com a retomada do setor”, escreveu o time de análise do BB, em relatório.

O lucro da companhia aumentou 403% no último trimestre do ano passado, para R$ 5,9 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2019, quando teve lucro de R$ 1,2 bilhão. O resultado não foi suficiente, no entanto, para evitar um prejuízo de R$ 10,7 bilhões no acumulado de 2020, quase quatro vezes mais que a perda registrada em 2019.

A Ágora Investimentos diz estar otimista com o setor de papel e celulose em 2021 devido à dinâmica do mercado de celulose, que está melhorando, suportada pela recuperação da demanda, pelos preços mais altos do papel e por uma oferta mais fraca do que o esperado. O papel é o preferido da casa no setor.

Bradesco (BBDC4)

Na carteira compilada pelo InfoMoney desde outubro, Bradesco recebeu cinco recomendações para março entre as 11 casas consultadas.

De acordo com a Singulare, que recomenda compra para os papéis, o banco está bem posicionado para se beneficiar da recuperação da economia local, e possui valuations atrativos ante os pares.

“O capital [do banco] é saudável, a inadimplência e a cobertura de juros estão em níveis adequados e o ROE [retorno sobre o patrimônio] do segmento de crédito é elevado”, escrevem os analistas, em relatório.

No último trimestre de 2020, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, alta de 35,2% na comparação com o terceiro trimestre, e um avanço de 2,3% sobre o mesmo período de 2019.

O banco encerrou o ano passado com lucro de R$ 19,5 bilhões, uma queda de 24,8% ante os R$ 25,9 bilhões do ano anterior.

O papel também está na carteira da XP, que justifica a fonte de receitas diversificada e defensiva do banco, o grande potencial de ganho de eficiência com a redução da operação física e a digitalização, além do valuation atrativo.

BTG Pactual (BPAC11)

Pela primeira vez desde o início da carteira compilada pelo InfoMoney, BTG Pactual está entre os nomes preferidos, com quatro menções.

Na avaliação da Santander Corretora, o banco de investimento deve se beneficiar da implementação de novas estratégias digitais e de uma recuperação econômica ocorrendo mais rapidamente que o esperado no Brasil, elevando as atividades no mercado de capitais.

Os analistas escrevem, em relatório, que o mercado ainda não tem todos os detalhes sobre as iniciativas digitais do banco para realizar uma avaliação precisa e, por isso, o potencial de alta ainda não está totalmente precificado nas atuais cotações.

Segundo a Guide, que incluiu os papéis do banco na seleção deste mês, a carteira do segmento “corporate” mantém uma boa performance, com risco de crédito reduzido e melhora nos spreads bancários.

O time de análise destaca ainda que o banco reforçou seu balanço no início da crise, fez um novo follow-on em 2021 e apresenta níveis confortáveis de liquidez, com espaço para crescimento inorgânico. Em fevereiro, as ações do banco tiveram desempenho positivo de 11,1%%.

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Klabin (KLBN11)

A produtora e exportadora de papéis Klabin também estreou na carteira compilada pelo InfoMoney este mês, com quatro recomendações. Focada em mercados representativos tanto em celulose como em papel, a empresa se destaca principalmente no setor de papéis e embalagens.

Segundo a Ativa Investimentos, que incluiu os papéis na carteira recomendada deste mês, a companhia se destaca pela resiliência do papel e pela boa perspectiva para o mercado de papel e celulose, que ainda conta com uma demanda sólida para o trimestre.

As ações também foram incluídas na carteira da XP Investimentos, que se diz otimista com a companhia por acreditar que ela está bem posicionada no setor e deve se beneficiar de um cenário macro positivo, com a retomada da economia.

Em relatório, os analistas escrevem que o setor de embalagens de papelão ondulado deve apresentar preços elevados este ano e que o bom momento da celulose deve continuar.

Rede D’Or (RDOR3)

Fundada em 1977, a Rede D’Or é uma das maiores empresas de saúde do país e dona de uma rede com 51 hospitais próprios, como as marcas Rede D’Or e São Luiz. Com foco em São Paulo e no Rio de Janeiro, a empresa possui ainda 39 clínicas oncológicas e cerca de nove mil leitos.

A companhia estreou na Bolsa no fim de 2020 e movimentou cerca de R$ 11,4 bilhões, com o maior IPO do último ano e o terceiro maior da história da B3.

De acordo com a Necton, que incluiu os papéis na seleção deste mês, o setor de saúde ainda é muito fragmentado, apresentando grandes oportunidades de consolidação. Além disso, parte do recurso levantado no IPO será utilizado para aquisições, o principal motor de crescimento da companhia, segundo os analistas.

A rede de hospitais também faz parte da carteira recomendada da XP, que segue otimista com as perspectivas para aquisições, dado que a pandemia impôs pressão nas empresas menores do setor, criando um ambiente mais favorável para a tese de consolidação de mercado.

No quarto trimestre de 2020, a Rede D’Or registrou lucro de R$ 278,5 milhões, praticamente estável em relação ao reportado no mesmo período de 2019. Em fevereiro, os papéis tiveram alta de 5,2% na Bolsa.