Acordo EUA-Irã derruba taxas do Tesouro e reverte precificação de alta da Selic

Prefixados voltam abaixo do nível atual da Selic após premiê do Paquistão confirmar fechamento do acordo

Equipe InfoMoney

Ativos mencionados na matéria

Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã - 
18/06/2025
(Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa)
Bandeiras dos Estados Unidos e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Imagem ilustrativa)

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As taxas do Tesouro Direto abrem em forte queda nesta segunda-feira (15), num movimento que reverte a lógica que dominou os mercados na semana passada. Com o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmando que EUA e Irã fecharam um acordo de paz e com a cerimônia de assinatura marcada para 19 de junho, na Suíça, os prefixados voltaram a operar abaixo dos 14,50% ao ano, nível atual da Selic, desfazendo a precificação de alta de juros que havia se instalado na curva.

O Tesouro Prefixado 2029 caiu de 14,50% no fechamento de sexta-feira para 14,32% nesta manhã, recuo de 18 pontos-base. O Prefixado 2032 foi de 14,46% para 14,31%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 de 14,41% para 14,27%. A queda é ainda mais expressiva quando comparada às máximas da semana: o Prefixado 2029 havia chegado a 15,02% na quarta-feira, e agora opera 70 pontos-base abaixo desse pico.

Nos títulos de inflação, o fechamento também foi disseminado. O Tesouro IPCA+ 2040 caiu de 7,31% na sexta para 7,25% nesta segunda. O IPCA+ 2050 recuou de 7,05% para 7,02% e o IPCA+ 2060 com juros semestrais caiu de 7,23% para 7,19%.

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O acordo representa a resolução formal de um conflito que comprimiu a oferta global de petróleo desde fevereiro e foi o principal vetor de pressão sobre a inflação americana, os Treasuries e, por consequência, sobre a curva de juros doméstica. A volta dos prefixados para abaixo dos 14,50% da Selic sinaliza que o mercado retirou da precificação o cenário de alta de juros que havia sido incorporado ao longo das últimas semanas e voltou a trabalhar com a perspectiva de eventual retomada do ciclo de cortes.

O impacto se estende ao mercado de ações e ao câmbio. O Ibovespa sobe mais de 1% na abertura, e o dólar recua, comprimindo adicionalmente os prêmios na ponta longa da curva. A trégua no Oriente Médio reduz o prêmio de risco do petróleo, o que é positivo para o ambiente inflacionário global, mas pressiona os resultados das petroleiras, incluindo a Petrobras (PETR4), cujas ações tendem a reagir de forma inversa ao alívio nos preços do petróleo.

“Esse movimento tende a aliviar a pressão sobre inflação implícita e pode ajudar a reduzir a percepção de risco local, especialmente se o mercado interpretar que a melhora externa veio para ficar”, avalia Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil.

“Ainda assim é preciso ter cautela, pois o câmbio deve seguir sensível à combinação entre juros americanos elevados, leitura do Copom e qualquer reversão do acordo no Oriente Médio, então o espaço para apreciação do real existe, mas continua condicionado ao comportamento do dólar lá fora e ao noticiário de risco”, pondera.

Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h30 desta segunda-feira (15):

TítuloRendimento AnualVencimento
Tesouro Reserva 2036SELIC01/01/2036
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0743%01/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,32%01/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,31%01/01/2032
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 203714,27%01/01/2037
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,04%15/08/2032
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037IPCA + 7,56%15/05/2037
Tesouro IPCA+ 2040IPCA + 7,25%15/08/2040
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045IPCA + 7,35%15/05/2045
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,02%15/08/2050
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060IPCA + 7,19%15/08/2060