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Um acordo de paz preliminar entre Estados Unidos e Irã, anunciado no último domingo (14), desencadeou uma queda relevante nos preços do petróleo e uma melhora no apetite global por risco, conforme ressalta relatório da XP Investimentos divulgado nesta segunda-feira (15).
O entendimento prevê um cessar-fogo imediato e o fim do bloqueio naval americano sobre o Irã, com a assinatura formal de um memorando marcada para a próxima sexta-feira (19), na Suíça.
Petróleo recua com reabertura do Estreito de Ormuz
A expectativa de normalização do fluxo de petróleo ocorre após meses de disrupções logísticas no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais da commodity. Durante o auge do conflito, o tráfego diário chegou a cair para apenas 2 a 3 embarcações, ante mais de 100 antes da crise, impactando a oferta global e pressionando os preços.
Com o avanço do acordo, o Brent recua para cerca de US$ 83 por barril, uma queda de cerca de 6% em um único dia e inferior aos níveis recentes entre US$ 90 e US$ 100.
Segundo a XP, a reabertura do estreito — prevista após a formalização do acordo — tende a ampliar a oferta global e manter os preços em trajetória de acomodação.
Alívio inflacionário e impulso para bolsas
A queda do petróleo tem efeitos positivos para a economia global. Com menor pressão inflacionária, abre-se espaço para cortes de juros, o que, por sua vez, favorece ativos de risco como ações.
Esse ambiente de “risk-on” tende a beneficiar mercados acionários, inclusive emergentes como o Brasil.
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Por outro lado, preços mais baixos da commodity impactam diretamente a geração de caixa das empresas de petróleo, criando um cenário misto para o setor.
Petrobras e PRIO seguem como preferidas
Apesar do impacto negativo da queda do Brent sobre resultados, a XP afirma que Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) continuam sendo as principais recomendações no setor, devido ao balanço entre risco e retorno.
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As duas companhias são também as mais sensíveis às variações do preço do petróleo. A cada queda de US$ 10 no barril, o rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) diminui cerca de:
– 3,6 pontos percentuais para PRIO
– 2,8 pontos percentuais para Petrobras
– 2,4 pontos para PetroReconcavo (RECV3)
– 1,8 ponto para Brava Energia (BRAV3)
Ainda assim, a casa avalia que os níveis atuais do petróleo seguem elevados o suficiente para sustentar uma geração de caixa robusta.
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Em um cenário de Brent médio a US$ 90 por barril até o fim de 2026, os yields (rendimentos) estimados são de cerca de 24% para PRIO e 15% para Petrobras, patamares considerados atrativos.
Interferência do governo adiciona complexidade
No Brasil, o cenário para o setor ainda é influenciado por medidas adotadas pelo governo federal para conter o preço dos combustíveis. Entre elas, estão: imposto de exportação de petróleo bruto e subsídios ao diesel e à gasolina.
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No caso da Petrobras, a manutenção de preços domésticos relativamente estáveis limita o repasse imediato das oscilações do Brent. Por outro lado, os subsídios funcionam como compensação financeira, elevando o preço efetivo recebido pela companhia.
A XP estima que esses subsídios podem gerar um impacto positivo de cerca de US$ 7,6 bilhões no fluxo de caixa da estatal entre o segundo e o quarto trimestre de 2026.
Volatilidade segue no radar
Apesar do alívio recente, a XP destaca que a incerteza permanece elevada, com múltiplos desdobramentos possíveis para os preços do petróleo, dependendo da consolidação do acordo e da dinâmica de oferta global.
Diante disso, a recomendação é analisar os ativos com base em diferentes cenários para o Brent, considerando tanto as sensibilidades das empresas quanto os níveis absolutos de retorno. No curto e médio prazo, Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3) seguem como as principais apostas, enquanto Brava Energia (BRAV3) pode ganhar atratividade em um cenário de preços mais elevados à frente.
