Testes suspensos pela Anvisa

Voluntário que recebeu CoronaVac cometeu suicídio, dizem fontes

InfoMoney apurou também que essa é a segunda morte de um voluntário ocorrida durante os testes clínicos da vacina.

Caixas com potencial vacina da chinesa Sinovac contra Covid-19 em Pequim (REUTERS/Thomas Peter)
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SÃO PAULO – A morte que provocou a suspensão dos testes clínicos da vacina CoronaVac no Brasil foi um suicídio, apurou o InfoMoney. O voluntário era profissional da área da saúde e a morte não tem relação com possíveis efeitos colaterais da vacina, de acordo com as fontes ouvidas em condição de sigilo.

O Jornal Hoje, da TV Globo, também afirmou que o governo do estado São Paulo considera que foi suicídio a causa mais provável da morte do voluntário. O noticiário mencionou o conteúdo do boletim de ocorrência, registrado na cidade de São Paulo, no dia 29 de outubro, que indica que o caso trata-se de suicídio.

“Policiais militares foram acionados sobre a ocorrência de encontro de cadáver. Ao chegarem ao local dos fatos, encontraram no interior do apartamento uma pessoa que mostrou onde estava a vítima, sendo constatado que a mesma estava morta no chão do banheiro, com uma seringa perto do braço e diversas ampolas de remédio”, diz o boletim de ocorrência, citado pela reportagem da TV Globo.

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Ontem a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) do governo federal  anunciou a suspensão dos testes clínicos do imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan.

InfoMoney apurou também que essa é a segunda morte de um voluntário ocorrida durante os testes clínicos da vacina. A primeira ocorreu há cerca de dois meses, mas o voluntário estava recebendo placebo. A Anvisa foi avisada em ambos os casos.

A não divulgação dos dados do paciente envolvido e os fatos acerca do seu suposto óbito fazem parte do código de ética dos cientistas que participam dos testes clínicos de medicamentos, explicou João Gabbardo, secretário-executivo do Centro de Contingência do combate ao novo coronavírus do governo de São Paulo, que participou de uma entrevista coletiva no final da manhã desta terça-feira (10).

“Nós, de São Paulo, nunca escondemos nada. Sempre fomos transparentes. Mas, por razoes éticas, não podemos ser transparentes em relação ao que está acontecendo hoje. Se vocês [imprensa] tivessem acesso aos resultados das análises, vocês veriam o quão injusta é essa paralisação dos estudos”, declarou Gabbardo.

Durante a coletiva de imprensa, Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, enfatizou que o evento grave envolvendo um voluntário que recebeu a vacina experimental contra a Covid-19 não tem relação direta com o imunizante.

Ele afirmou, ainda, que a decisão da Anvisa de suspender os testes clínicos causou indignação entre os membros do Instituto. “Da forma como o fato atingiu a todos nós, causou surpresa, insegurança, e até indignação por parte do Butantan”, declarou Covas.

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Segundo o diretor, ele soube da paralisação dos testes pelo noticiário nacional na noite de ontem (9), sem ter sido avisado previamente da medida. Covas afirmou também que não foi contatado diretamente pelos técnicos da agência, o que deveria ser o procedimento padrão.

Vacina chinesa no centro de disputas políticas

A CoronaVac, que está sendo testada em outros cinco países além do Brasil, tem sido objeto de uma batalha política entre o governador de São Paulo, João Doria, e o presidente Jair Bolsonaro, que em outubro proibiu a compra da Coronavac, acertada entre Instituto Butantan e Ministério da Saúde.

Bolsonaro fez críticas à vacina por ela ser chinesa e promoveu o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa farmacêutica britânica AstraZeneca.

Nesta terça-feira, após a suspensão dos testes pela Anvisa, Bolsonaro se declarou “vitorioso” nessa suposta disputa entre o presidente e governador paulista, ao comentar “mais uma que Jair Bolsonaro venceu”, em resposta a um internauta que questionava sobre uma possível aquisição da vacina chinesa pelo governo federal.

O governo de São Paulo aliou-se à Sinovac para coordenar a última fase dos ensaios clínicos em território brasileiro e assinou um contrato que incluiu a aquisição e distribuição de 46 milhões de doses da vacina.

Na segunda-feira, mesmo dia em que a Anvisa suspendeu os testes, Doria havia afirmado que as primeiras 120 mil doses da CoronaVac chegariam ao estado no próximo dia 20.

Na coletiva realizada na manhã desta terça-feira, Dimas Covas reforçou a importância do Instituto Butantan para a saúde pública brasileira e disse que espera a retomada dos estudos nos próximos dias. Até o momento, a Anvisa não sinalizou qualquer nova decisão sobre a retomada dos testes.

“O Butantan tem 119 anos de história, produz 75% das vacinas utilizadas pelos brasileiros. Um em cada três brasileiros tomou uma vacina feita pelo Butantan, portanto, as vacinas que produzimos têm sua segurança atestada”, explica Covas. “Não há motivo para protelar isso [retomada dos estudos clínicos]. Essa vacina não teve reação adversa grave. É a vacina mais segura até esse momento.”, concluiu o diretor.

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