Estreito de Ormuz tem trégua frágil; Washington espera sinal de Teerã

EUA e Irã não se aproximam do fim da guerra, enquanto navio-tanque do Catar navega em direção ao Estreito de Ormuz

Reuters

Embarcações no Estreito de Hormuz,Musandam, Omã
8 de maio de 2026
REUTERS/Stringer
Embarcações no Estreito de Hormuz,Musandam, Omã 8 de maio de 2026 REUTERS/Stringer

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Um estado de relativa calma prevaleceu neste sábado no entorno do Estreito de Ormuz, após dias de choques esporádicos, enquanto os Estados Unidos aguardavam a resposta do Irã às suas mais recentes propostas para encerrar mais de dois meses de combates e iniciar negociações de paz.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na sexta-feira (8) que Washington esperava uma resposta em poucas horas. No entanto, um dia depois, não havia sinal de movimento por parte de Teerã em relação à proposta, que prevê o fim formal da guerra antes de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano.

Um navio-tanque catari de gás natural liquefeito navegava em direção ao estreito neste sábado (9), a caminho do Paquistão, segundo dados de navegação da LSEG, em um movimento que, de acordo com fontes, foi aprovado pelo Irã para criar confiança com o Catar e com o Paquistão, um dos mediadores da guerra.

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Se concluído, o trânsito marcará a primeira passagem de um navio catari de GNL pelo estreito desde o início do conflito.

Com a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China programada para a próxima semana, cresce a pressão para que se ponha fim à guerra, que lançou os mercados de energia em turbulência e elevou os riscos para a economia mundial.

Nos últimos dias, houve o maior aumento dos combates dentro e ao redor do estreito desde o início de um cessar-fogo há um mês, e os Emirados Árabes Unidos sofreram um novo ataque na sexta-feira.

Confrontos testam o cessar-fogo

Teerã bloqueou amplamente a passagem de navios não iranianos pelo estreito desde o início da guerra, após ataques aéreos israelenses e norte-americanos ao Irã em 28 de fevereiro. Antes do conflito, cerca de um quinto do suprimento global de petróleo passava pela estreita via navegável.

Houve confrontos esporádicos na sexta-feira entre forças iranianas e embarcações dos EUA no estreito, informou a agência semi-oficial iraniana Fars. Mais tarde, a agência de notícias Tasnim citou uma fonte militar iraniana dizendo que a situação havia se acalmado, mas alertando para a possibilidade de novos choques.

Os militares dos EUA disseram que atingiram dois navios ligados ao Irã que tentavam entrar em um porto iraniano, com um caça norte-americano atingindo suas chaminés e forçando-os a recuar.

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Os EUA impuseram um bloqueio às embarcações iranianas no mês passado. Mas uma avaliação da CIA indicou que o Irã não sofreria pressão econômica severa de um bloqueio dos EUA aos portos iranianos por mais quatro meses, de acordo com uma autoridade americana familiarizada com o assunto, levantando dúvidas sobre a influência de Trump sobre Teerã em um conflito impopular entre eleitores e aliados dos EUA.

Uma autoridade sênior de inteligência classificou como falsas as alegações sobre a análise da CIA, divulgadas inicialmente pelo Washington Post.