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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem relação muito próxima com o México. Por ironia, o mundo tem apelidado momentos do seu governo com itens famosos da culinária mexicana.
Depois da popularização da sigla TACO (“Trump Always Chicken Out”, que significa em tradução livre: “Trump sempre amarela”), investidores apostam em NACHO (“Not a chance Hormuz Open”, em tradução livre: “Nenhuma chance de abertura do Estreito de Ormuz”).

Guerra no Irã está drenando a reserva global de petróleo em um ritmo sem precedentes
A forte queda também significa que o mercado ficará vulnerável por mais tempo a futuras interrupções mesmo depois do fim do conflito

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A sigla teria surgido em conversas entre mesas de operação e comentaristas de mercado, de acordo com a CNBC, e a aponta para a nova visão de Wall Street: não haverá solução rápida para reabertura da principal rota marítima para commodities, como petróleo e gás natural.
“Durante a maior parte desta crise, cada manchete sobre cessar-fogo desencadeava uma forte realização no petróleo, e os traders continuavam precificando uma solução que nunca veio. NACHO é um reconhecimento de que o petróleo mais caro não é um choque temporário para operar em cima, é o ambiente de mercado atual” afirmou o analista de mercado da eToro, Zavier Wong, à CNBC.
O que NACHO representa para mercado?
Mais do que uma indicação da duração ainda do conflito e sua implicação para o tráfego em Ormuz, a sigla indica que a interrupção do tráfego na região não seria mais um choque político temporário, mas sim uma característica mais duradoura do setor.
Assim, a chance de que os preços do petróleo retornem ao patamar pré-guerra no curto prazo torna-se cada vez mais remota. E que as projeções do mercado já consideram novo posicionamento tanto para a commodity quanto para frete marítimo, inflação e mercado de juros. NACHO, na realidade, indica a possibilidade de um “novo normal” para o petróleo e outras commodities que tem relação direta com o tráfego na região, não somente de energia.
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“O caminho à frente provavelmente continuará conturbado, mas parece que o mercado está começando a aceitar isso”, diz Wong.
Ainda que o cessar-fogo esteja em vigor e que a possibilidade de acordo pareça mais próxima, as notícias dos últimos dias justificam cautela com a qual investidores encaram a situação. Na terça-feira (5), Trump anunciou pausa na operação de abertura de Ormuz para dar mais espaço para finalização de acordo entre os países, mas as expectativas positivas já praticamente caíram por terra dois dias depois.
Os Estados Unidos e Irã voltaram a se enfrentar militarmente no estreito já na quinta (7). Trump afirmou que o cessar-fogo segue em vigor, apesar da troca de tiros ocorrida.
Para além do petróleo, o mercado de seguros também acompanha os desdobramentos e opera em patamares muito mais elevados que o normal de antes do conflito. Segundo Wong, os prêmios de risco de guerra para travessias pelo Ormuz dispararam para cerca de 2,5% do valor do casco de uma embarcação por viagem em seu pico em março, ante cerca de 0,1% antes da guerra
TACO com NACHO
A incerteza sobre abertura do estreito convive ainda com a perspectiva que se criou sobre os “recuos” de Trump. A sensação de investidores é que apenas partes do mercado parecem estar abraçando plenamente a tese NACHO, enquanto outros segmentos ainda vivem o “trade TACO”.
Para analistas da State Street Global, os picos de preços do mercado de energia convivem com máximas históricas dos principais índices de Nova York, com destaque para o S&P 500. Novos patamares para o petróleo também poderiam indicar oscilações mais fortes para outros ativos, como ouro.
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“Se US$ 100 por barril for o novo normal para os preços do petróleo bruto nos próximos 1–3 meses, o complexo de ouro físico pode ter dificuldade em sustentar o impulso de alta perto de US$ 5.000 a onça”, disse a State Street, segundo a CNBC.
A queda do preço da commodity para US$ 80 o barril, na hipótese de um acordo definitivo com abertura completa de Ormuz, poderia fazer com que o ouro passa os US$ 5.000 e voltasse a testar a fronteira dos US$ 5.500.