Pressão

Servidores do Banco Central temem que Bolsonaro reajuste salários apenas de policiais federais

Categoria diz que presidente pode conceder aumento aos profissionais da segurança por causa de prazo estipulado na lei eleitoral

Por  Equipe InfoMoney -

Começar a greve nesta sexta-feira (1º) foi estratégico para os servidores do Banco Central. É que na segunda (4) vence o prazo para o governo Bolsonaro (PL) conceder aumento aos servidores, segundo a lei eleitoral.

A legislação estipula que reajuste salarial para servidores pode ser liberado até 180 dias antes do pleito, que neste ano será realizado em 2 de outubro (primeiro turno).

“É mais seguro (dar aumento no próximo dia 4)”, diz Fabio Faiad, presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal). “Mas tem risco [de o Bolsonaro assinar reajuste somente aos policiais na segunda] e esse é o nosso medo. Por isso, começamos a greve antes, protestando contra isso”.

O presidente do Sinal afirmou que não há nenhuma conversa marcada com o governo sobre a greve e que também não houve contato com a diretoria do Banco Central para negociação desde o início da paralisação. “Conversamos apenas sobre serviços essenciais, mas proposta de salário, nada ainda”, disse.

Os serviços do Banco Central continuam operando sob um plano de contingência — com menos funcionários. “Fica o risco operacional maior de um hacker, uma pane no sistema”, disse Faiad.

Para Faiad, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não agiu de forma adequada ao tirar miniférias justamente no período da greve — o afastamento vai até a próxima segunda.

Em reuniões com os funcionários do BC antes da paralisação, Campos Neto havia dito que estava mantendo contato com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, para tentar encontrar uma solução.

O presidente do Banco Central chegou a declarar aos funcionários que nenhuma categoria do serviço público federal deveria ter reajuste salarial, por conta do momento econômico vivenciado pelo país.

Mas, quando Bolsonaro anunciou aumento para os policiais da esfera federal, Campos Neto se viu obrigado a negociar com o governo um reajuste também aos funcionários do Banco Central.

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Serviços essenciais

Os serviços essenciais oferecidos pelo BC ao mercado e à população serão mantidos ao longo da greve.

O Pix, meio de pagamento eletrônico instantâneo, e a definição da taxa de câmbio calculada pela instituição serão mantidos.

As publicações periódicas do Banco Central, como o Boletim Focus e estatística de crédito, que já vinham sofrendo atrasos de divulgação por conta do estado de greve dos funcionários, devem continuar saindo — mas de forma irregular.

O funcionamento do Sistema de Transferência de Reservas (STR) e o Swift também tiveram seu funcionamento assegurado nas conversas entre servidores e a diretoria do BC.

Os Comitês de Política Monetária (Copom), Estabilidade Financeira (Comef) e a Comissão Técnica da Moeda e do Crédito (Comoc), assim como o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), também foram considerados essenciais.

A preocupação maior é com a manutenção da infraestrutura tecnológica, área em que os serviços do BC rodam, já que o número reduzido de funcionários cria mais riscos de ataque hacker e falhas.

Com informações do Estadão Conteúdo.

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