Dinheiro de volta

Milhas ou cashback: o que é mais vantajoso?

Entenda as diferenças entre milhas e cashback e conheça as vantagens e desvantagens de cada um desses benefícios

Por  Carla Carvalho -

Viajar “de graça” e trocar pontos por mercadorias, ou receber de volta parte do dinheiro gasto nas compras com o cartão de crédito? Essa é uma das dúvidas de milhões de consumidores quando o assunto é decidir entre milhas ou cashback.

Se você também tem dúvidas sobre quando utilizar um ou outro programa, continue a leitura e entenda em que contexto cada um deles pode ser mais vantajoso.

Milhas ou cashback: o que é melhor?

Na verdade, não existe uma resposta única para essa pergunta, pois o que determinará o que é mais vantajoso é o perfil e as necessidades de consumo de cada usuário.

Para André Simões, CEO e sócio da plataforma de cashback Mooba, quando se fala em cashback, o intuito principal é fazer com que a monetização do usuário ocorra de forma mais rápida, sem que ele precise depender de nenhuma regra específica para acumular pontos. “De forma geral, as milhas são mais interessantes principalmente para quem deseja comprar passagens aéreas, reservar hotéis ou alugar carros. Ou seja, para o consumidor que viaja com relativa frequência, ou está programando alguma grande viagem. Já o principal objetivo do cashback é permitir que se consiga reembolsar parte do valor que o usuário gastou na compra direto na sua conta corrente”.

Daniel Pagano, CMO da Livelo, acrescenta ainda que os dois programas não são excludentes, mas sim complementares, pois respondem a necessidades especificas de acordo com o momento e situação financeira das pessoas.

No caso das milhas, Daniel ressalta a importância de acompanhar os momentos de promoções. “A Livelo tem parceria com todas as grandes companhias aéreas, e fazemos promoções com bastante frequência. Por exemplo, em um determinado período, a companhia ‘X’ está bonificando em 80% a cada 100 mil pontos. Dessa forma, se você transferir seus pontos durante a promoção, chegará a 180 mil por causa da bonificação”, explica.

No entanto, há pessoas que não têm o objetivo de viajar, ou mesmo um volume de gastos que proporcionem boa pontuação para milhas aéreas. Nesse caso, o cashback acaba sendo a melhor opção.

“Os dois modelos convivem perfeitamente bem. Percebendo a demanda do mercado, a Livelo criou o cashback em março de 2021. Isso foi muito importante para alcançar aquelas pessoas que não têm uma fatura alta de cartão de crédito a ponto de permitir um bom acúmulo de pontos. Com o cashback, conseguimos incluir essas pessoas no universo da Livelo”, observa Daniel.

Leia mais:
• Cashback: o que é e como recuperar parte do seu dinheiro gasto em compras?
• Milhas: o que são, como ganhar e o que fazer com elas

Características dos programas

Além do perfil de consumo, o usuário precisa avaliar também outras peculiaridades dos programas de milhas e cashback. Um deles é o prazo que tem para utilizar cada um deles.

As milhas, dependendo do programa do qual o usuário participa, têm prazos definidos para a sua utilização. Normalmente, esses prazos vão de seis meses a dois anos, dependendo das condições de cada parceiro.

Por outro lado, o cashback não expira, desde que haja uma compra dentro do período de 12 meses. Para Simões, da Mooba, isso dá mais flexibilidade ao planejamento financeiro do usuário, pois permite que ele gaste o dinheiro devolvido da forma e no tempo que melhor lhe convier.

Outro ponto importante a ser observado é o valor médio da fatura do cartão de crédito. Segundo Malu Tolentino, head de e-commerce da Méliuz, quando o usuário tem uma fatura de até dois mil reais, dificilmente conseguirá um programa de milhas muito atrativo. “Para que os programas de milhas valham a pena, o ticket médio do consumidor deve ser maior. Para quem não tem gastos mais altos, o cashback acaba sendo mais interessante, desde que, é claro, ele seja aberto”, observa Malu.

Dúvidas dos consumidores

Por serem mais antigos, os programas de milhas são bem mais conhecidos pelos brasileiros. Já quanto ao cashback, ainda existem muitas dúvidas e desconfianças por parte dos consumidores.

Segundo André Simões, o cashback demorou muito tempo para se consolidar no Brasil, e ainda há muito trabalho a ser feito nesse sentido. “O brasileiro é muito desconfiado, não acredita que pode receber dinheiro ao fazer uma compra. De certa forma, isso é explicável, pois nosso histórico de cashback é recente se comparado a milhas”, observa.

Nesse sentido, Malu acrescenta: “A forma mais didática de explicar para o consumidor é como se a empresa de cashback fosse um shopping. Todo vendedor recebe comissão quando faz uma venda. No Méliuz, os e-commerces parceiros pagam uma comissão quando geramos uma venda para eles. Não estamos aumentando o preço do produto, ou tentando ganhar de outra forma, não há nada escondido. O ponto é que, diferentemente do vendedor de loja, nós pegamos a comissão e dividimos com o usuário final. É daí que vem o dinheiro de volta para o consumidor”, explica.

Outro aspecto pouco entendido pelo consumidor é a demora que ocorre no resgate da maioria dos programas de cashback. Sobre isso, a Méliuz explica que, mesmo com toda a tecnologia que envolve o sistema, o processo não é totalmente automatizado, pois precisa de intervenção humana em vários pontos. “Quando falamos de cashback, um ponto extremamente sensível para o qual devemos estar atentos são as fraudes. Por isso, fazemos sempre uma dupla checagem. Ou seja, nossos parceiros checam todas as transações que realizamos em nosso canal, para ter certeza de que a transação foi concluída e que o cliente não devolveu a mercadoria e ficou com o cashback. É por isso que, eventualmente, o cashback demora até 120 dias para entrar na conta do cliente”, explica Malu.

Milhas e cashback no planejamento financeiro

Para Rejane Tamoto, planejadora financeira com certificação CFP pela Planejar, o cashback pode entrar no planejamento financeiro na parte de orçamento. “Quando montamos um fluxo de caixa ou estamos planejando os gastos futuros, tanto milhas quanto cashback podem ser utilizados para trazer uma economia”, diz Rejane.

Porém, para que esses programas possam de fato auxiliar na economia, o consumidor deve prestar atenção às regras e acompanhar regularmente o saldo de pontos acumulados. “É comum o cliente fazer muitas compras só para ter cashback ou milhas. Mas quando você adere a um programa, há diversos aspectos que precisa monitorar. Vencimento dos pontos, limite mínimo para saque ou troca por produtos e serviços, é importante acompanhar tudo isso para não perder os benefícios”, observa a planejadora.

Segundo Rejane, o planejamento financeiro por si só já é trabalhoso. Por isso, quem deseja seguir um programa de cashback ou milhas, precisa ter consciência de que está criando mais um controle dentro do próprio planejamento das finanças, o que demandará ainda mais organização para que se tenha sucesso.

Outro alerta da planejadora é para que o cliente sempre compare preços antes de comprar por meio dos programas. “Ao comparar os preços do mesmo produto em locais que vendem com e sem cashback, o consumidor percebe se a vantagem oferecida é de fato real”.

Embora reconheça que programas de benefícios podem auxiliar no planejamento financeiro, Rejane não os recomenda para quem tem perfil mais consumista. “Nesse caso, minha recomendação ao cliente é de que evite programas de milhas ou cashback, pois sempre haverá uma desculpa para consumir mais. Ou seja, ao invés de ajudar, o programa pode funcionar como uma armadilha de consumo para essas pessoas”, diz.

Cashback com propósito

Outro aspecto ainda pouco conhecido pelo brasileiro é o chamado cashback com propósito, ou seja, a utilização do benefício fora do consumo.

A Mooba, por exemplo, oferece a possibilidade de aportes complementares em fundos de previdência. Paulo Ribas, idealizador do programa Prev4U e parceiro da empresa nos programas de previdência, comenta que, atualmente, há 23 fundos previdenciários que utilizam a plataforma. Dessa maneira, as pessoas conseguem fazer aportes complementares na previdência por meio do seu consumo.

“O objetivo da Mooba é também incentivar a educação financeira. A mecânica é simples: o cliente busca o que deseja no site do parceiro do Prev4U, faz as suas compras e nós repassamos o cashback para o fundo de pensão, para que ele aloque no plano de previdência desse participante”, explica.

Ribas acrescenta que alguns desses fundos de previdência também gerenciam planos de saúde. Dessa forma, o cliente também pode utilizar o cashback para reduzir o custo do seu plano.

“Nossa ideia principal é não transformar o cashback em novo consumo, e sim em redução de alguma despesa recorrente do cliente. Queremos também convencer as pessoas de que estamos transformando a necessidade de consumo em uma possibilidade de investimento, pois isso fortalece a educação financeira”, conclui.

O cashback pode também ser utilizado para ajudar causas sociais. Um exemplo disso é a parceria que a Méliuz possui com a ONG Programadores do Amanhã, que oferece cursos de tecnologia a jovens negros de escolas públicas. O usuário pode optar por transferir o seu benefício para auxiliar essa instituição.

Investback

Além das milhas e do cashback, existe o investback. A partir de dezembro de 2021, os clientes da XP com investimentos de, no mínimo, R$ 5 mil, poderão solicitar o Cartão XP Visa Infinite que dá direito ao investback. Por esse sistema, o cliente pode ter retornos de até 10% das compras no marketplace ou shopping XP dentro do aplicativo. O valor acumulado vai diretamente para o Fundo Investback, que acompanha a taxa Selic e tem liquidez diária.

“Hoje, para um cliente com R$ 5 mil reais conseguir um cartão de crédito nessa categoria em outros bancos ou fintechs, são necessárias diversas amarras como valor mínimo de fatura, anuidades altíssimas por ano, além de uma taxa de juros exorbitante. A XP foi pioneira com o lançamento do primeiro cartão de crédito do Brasil com investback e agora, pouco menos de um ano depois, decidimos expandir e democratizar o acesso para mais clientes, dando acesso ao melhor cartão do mercado sem essas contrapartidas.”, afirma Bruno Guarnieri, CPO/CTO da XP Inc.

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