A cara do desemprego

Mutirão de emprego: mais de 6 mil pessoas enfrentam fila no 1º dia em SP

Iniciativa do Sindicato dos Comerciários de SP oferece mais de 10 mil vagas de trabalho, em diferentes áreas de atuação, e vai até sexta

Por  Estadão Conteúdo -

A busca por uma ocupação levou mais de seis mil pessoas ao Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, durante o primeiro dia do Mutirão de Emprego, na segunda-feira (16). A iniciativa do Sindicato dos Comerciários de São Paulo oferece mais de 10 mil vagas de trabalho, em diferentes áreas de atuação, e vai até sexta-feira (20).

Há dois anos desempregada, Roseli Cavalcante, de 57 anos, foi a primeira a chegar à fila, por volta das 19 horas do domingo (15). Depois de trabalhar por 12 horas como faxineira, ela enfrentou a baixa temperatura da madrugada na capital paulista para se candidatar — e o esforço lhe rendeu uma vaga de carteira assinada em uma empresa de prestação de serviços.

“Eu pensava [durante a madrugada] que estava na minha cama, dormindo, dentro de casa. Mas ao mesmo tempo eu estava precisando trabalhar e decidi tentar. Mas é doído passar a noite no meio do tempo, na friagem. Parecia que eu estava congelando ali sem uma coberta, sem nada”, diz Roseli.

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Moradora de Itaquera, na zona leste da capital, ela conta que foi demitida em 2020 da empresa em que trabalhava como faxineira. Sem emprego, passou a fazer faxinas diárias e a vender salgados para ajudar na renda da família.

“Eu ia fazendo um bico aqui, outro ali. Trabalhava por dia porque de vez em quando aparecia algum serviço. E ia vendendo as minhas coxinhas, porque também faço salgados. E nisso eu fui lutando, fazendo essas coisas, trabalhando por dia, levando minha vidinha assim”.

Esta é a sétima edição do mutirão e a primeira pós-pandemia. O número de vagas é um dos destaques positivos deste ano, devido ao “momento adverso que o Brasil vive”, avalia Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários e também da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

“Sabemos o número do desemprego no Brasil, mas quando fazemos um mutirão nós vemos a cara do desemprego. São pessoas sofridas. O brasileiro não é vagabundo, ele quer oportunidade, ele quer trabalhar. Tem algumas pessoas que vêm com a própria família. Muitas delas sem recursos inclusive para voltar para casa. Esse é um aspecto que dói”, diz Patah.

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Desemprego

Segundo os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego no Brasil ficou em 11,1% no primeiro trimestre deste ano. Embora o dado seja o mais baixo para o período desde 2016, quase 3,5 milhões de pessoas são desempregados de longo prazo (que procuram um trabalho há pelo menos dois anos). Os que procuram emprego há pelo menos um ano são 5 milhões.

As principais oportunidades oferecidas no mutirão estão no setor de comércio e serviços, em colocações como telemarketing, operador de caixa, vendedor, repositor, padeiro e confeiteiro, entre outras. Foram distribuídas 1,3 mil senhas de atendimento no primeiro dia e mais 1,2 mil senhas para cada um dos demais dias desta semana.

Mas o presidente do Sindicato dos Comerciários e da UGT diz que as pessoas ainda podem se dirigir ao mutirão. “Conseguimos mais 400 vagas no final da tarde para bares e restaurantes também e acho que vamos ofertar mais vagas ainda no decorrer dos dias”, diz Patah, ressaltando que a visibilidade faz com que mais empresas se registrem no site oferecendo mais vagas.

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