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A Vale (VALE3) divulga seu resultado do primeiro trimestre de 2023 (1T23) nesta quarta-feira (26), após o fechamento do mercado. Para analistas, contudo, o resultado não deve animar muito – os recuos do preço médio do minério de ferro e dos volumes vendidos devem impactar negativamente os números da mineradora entre janeiro e março, ao menos na comparação trimestral.
Na última semana, a Vale já divulgou sua prévia operacional. A produção de minério de ferro ficou em 66,8 milhões de toneladas, queda de 17% na comparação trimestre mas subindo 5,8% na comparação anual, com boa performance da mina S11D, no Pará, e melhores condições climáticas em Minas Gerais.
Se as condições climáticas auxiliaram a produção, com os embarques não foi bem assim. As chuvas na região do terminal marítimo Ponta da Madeira, no Maranhão, impediram a formação de pilhas de estoque e prejudicaram os embarques. As vendas, então, foram de 55,7 milhões de toneladas, queda de 40% no trimestre e de 7% no ano.
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Os dados não agradaram os analistas de mercado, principalmente no que tange os embarques, que vieram abaixo do consenso. Os bancos, então, revisaram as suas estimativas para o primeiro trimestre.
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“A Vale vendeu 47,5 milhões de toneladas de minério de ferro (queda de 43% em relação ao trimestre anterior e 9% em relação ao ano anterior) e 8,1 milhões de toneladas de pelotas (queda de 7% em relação ao trimestre anterior, mas alta de 16% em relação ao ano anterior), principalmente devido à sazonalidade ruim e restrições logísticas nas operações da empresa no norte”, disse o Itaú BBA. “Por conta disso, revisamos nossa previsão de Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês] de US$ 4,1 bilhões para R$ 3,7 bilhões”.
O BBA destaca que o preço realizado para o minério de ferro, de US$ 109 por tonelada, também frustrou, principalmente por conta do pior mix vendido.
O prêmio de qualidade atingiu US$ 2,1 por tonelada, de US$ 5,4 no quarto trimestre do ano passado. De acordo com o Itaú BBA, isso se deu pela maior participação nas vendas de produtos com alto teor de sílica na mistura, e pela menor participação do IOCJ, minério extraído no Carajás, e do BRBF, ou Brazilian Blend, na mistura de vendas – esses dois sendo minérios de maior qualidade. O prêmio menor para pelotas no mercado também influenciou o resultado.
“O tradeoff e volumes do Norte para os sistemas Sudeste e Sul já deve estar mapeado pelo mercado de acordo com os dados da Secex, mas os preços devem pesar no papel de acordo com nossos analistas”, disse o Credit Suisse.
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Em metais básicos, a produção de níquel ficou em 41 mil toneladas, com queda de 14% no trimestre e 11% no ano, com menor desempenho em todas as operações. O preço realizado, contudo, avançou 14% no ano, para US$ 25,260. No cobre, foram 67 mil toneladas, com alta de 1% no trimestre e 18% no ano, com a mina de Sossego, no Pará, retornando após manutenções. O preço médio, porém, caiu 13% no ano, para US$ 9.465 a tonelada.
O consenso Refinitiv, que traça uma média com projeções de várias casas, vê a Vale trazendo uma receita líquida de US$ 9,2 bilhões, um Ebitda de US$ 4,3 bilhões e um lucro líquido de US$ 2,4 bilhões.
Fernando Siqueira, head de research da Guide, destaca que por conta da prévia, que já trouxe volumes e preço médio, o destaque, no relatório, fica para a eficiência da Vale no que tange custos e gastos.
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“Na teleconferência, os investidores tentarão tirar algo sobre como estará as dinâmicas para os próximos trimestres, sob o olhar da companhia, e também para como está saindo o Capex”, diz o especialista. “Como a parte da receita já foi divulgada, as atenções ficam para esses pontos”.
Luan Alves, analista chefe da VG Research, afirma que é preciso acompanhar a conversão de caixa da mineradora. “Temos de entender de fato como foi essa parte, principalmente a dinâmica de capital de giro, além de olhar as métricas financeiras como o custo caixa que a operação está rodando”, debate. “Um ponto que chamou atenção foi a manutenção do guidance de produção para o ano de 2023, uma vez que o primeiro trimestre frustrou. Precisamos avaliar as justificativas para a melhora dessa performance ao longo do ano”, finaliza.
O cenário para o minério de ferro também deve ficar no radar, com os sinais de que o rali do começo do ano pode ter acabado com uma recuperação decepcionante da demanda da China. No acumulado de abril, as ações caem cerca de 12%, com baixa de cerca de 19% em 2023.