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O Brasil continua atraindo a atenção dos investidores globais, mas ainda não convenceu o suficiente para uma reprecificação mais significativa dos ativos locais.
Em relatório da última terça-feira (22), o UBS afirma que o mercado brasileiro opera sob a influência de três forças poderosas: uma disputa presidencial altamente competitiva, uma deterioração do cenário fiscal e um ambiente global caracterizado por taxas de juros estruturalmente mais altas. Segundo a instituição, essas três forças continuam determinando o comportamento do câmbio, dos juros e das ações brasileiras.
A avaliação ocorre em um momento em que as últimas pesquisas mostram uma disputa acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro, aumentando a incerteza sobre a condução da política econômica a partir de 2027.
Bolsa segue barata, mas sem gatilho claro
Na visão do UBS, as ações brasileiras continuam negociando com desconto em relação ao histórico e aos mercados internacionais. Ainda assim, o banco prefere manter uma postura neutra para a renda variável doméstica.
Para a equipe de estratégia liderada por Ronaldo Patah, embora a inflação tenha melhorado e a atividade esteja desacelerando, os investidores continuam preocupados com a trajetória da dívida pública e com o desenho da política fiscal após as eleições.
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Segundo o banco, setores ligados a commodities permanecem relativamente mais protegidos por conta dos preços elevados de petróleo e outras matérias-primas, enquanto uma reprecificação mais ampla da bolsa dependeria de uma melhora consistente da percepção fiscal.
O relatório destaca que o principal desafio não está no curto prazo, e sim na capacidade do país de estabilizar a dinâmica da dívida pública nos próximos anos.
Câmbio sustentado pelo diferencial de juros
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Enquanto as ações ainda enfrentam dificuldades para destravar uma recuperação mais forte, o real segue encontrando suporte no diferencial de juros.
O UBS aponta que a moeda brasileira continua sendo beneficiada por um dos maiores prêmios de juros entre os mercados emergentes, além do bom desempenho das exportações de commodities e da melhora das contas externas.
No entanto, a instituição avalia que a valorização adicional do real tende a ser limitada até que o mercado tenha maior clareza sobre o cenário político e fiscal após as eleições.
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A casa trabalha com um cenário de depreciação gradual da moeda, descartando por enquanto uma deterioração desordenada, mas ressalta que a incerteza eleitoral continuará exigindo um prêmio de risco no câmbio brasileiro.
O UBS destaca ainda o problema fiscal brasileiro ao apontar que, apesar do crescimento das receitas federais e da melhora recente do resultado primário, os gastos seguem crescendo, impulsionados principalmente por despesas obrigatórias. A dívida bruta já alcança cerca de 82,5% do PIB, enquanto o déficit nominal acumula 9,3% do PIB em 12 meses.
Nesse contexto, a avaliação é que a credibilidade fiscal continuará sendo o principal determinante dos prêmios de risco dos ativos brasileiros.
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“O rumo dos ativos dependerá menos do ciclo econômico e mais da capacidade do próximo governo de apresentar uma trajetória crível para estabilizar a dívida pública”, resume o relatório.
Selic ainda deve cair, mas com cautela
O banco também avalia que o Banco Central deve continuar reduzindo os juros após o corte de 0,25 ponto percentual realizado em setembro.
No entanto, o UBS vê limitações para um ciclo agressivo de flexibilização monetária. Segundo a instituição, o Copom segue preocupado com expectativas de inflação de longo prazo, câmbio, preços de serviços e possíveis choques ligados ao petróleo e ao clima.
Por isso, a trajetória da Selic continuará fortemente dependente da evolução do cenário fiscal e da capacidade de reancorar expectativas.
Melhor proteção continua sendo a diversificação
Diante desse ambiente, o UBS mantém preferência por ativos internacionais e títulos indexados à inflação.
A instituição classifica os papéis atrelados ao IPCA e os investimentos globais como “atraentes”, enquanto adota visão neutra para ações brasileiras, títulos prefixados, pós-fixados e fundos imobiliários.
A recomendação reflete a percepção de que o investidor ainda precisa equilibrar o potencial de ganhos oferecido por um mercado acionário descontado com os riscos associados ao ciclo eleitoral e à situação fiscal do país.


