O que esperar da temporada de resultados do 4º trimestre de 2022? Confira no que ficar de olho

Temporada será importante para entender como desaceleração econômica e a política monetária contracionista estão impactando os resultados corporativos

Lara Rizério

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A primeira semana dos resultados do quarto trimestre de 2022 não foi tão movimentada, mas trouxe números importantes, como o da Cielo (CIEL3), que voltou a apresentar resultados positivos, enquanto o Santander Brasil (SANB11) trouxe os primeiros impactos da crise na Americanas (AMER3) para o setor bancário, além de reforçar a visão mais negativa para o banco privado (por outros motivos além da varejista).

As próximas semanas serão mais movimentadas, com a temporada se estendendo até o fim de março. Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2022 da Bolsa brasileira

Em relatório, a Genial Investimentos destacou que, com as economias brasileira e global mostrando sinais de desaceleração, a temporada servirá de balizador para o mercado sobre como a política monetária global em nível contracionista está impactando os resultados corporativos.

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A percepção inicial da casa é de que setores alavancados e/ou empresas relacionadas a bens/produtos discricionários deverão apresentar números mais fracos, impactados por um maior custo financeiro (taxa de juros elevada) e menor demanda para esses bens e/ou produtos pela perda de poder aquisitivo pelo consumidor final. “Por outro lado, setores relacionados a utilidades básicas, com poder de repasse de custo e menos alavancados devem apresentar resultados melhores do que a média”, avalia.

Além disso, essa temporada ganha maior importância pois é quando ocorre a divulgação das metas (guidance) para o ano vigente. “Assim, investidores estarão atentos às conferencias e reuniões de apresentação de resultados das empresas em buscas de pistas sobre as expectativas das próprias cias para 2023”, destacam os analistas.

Em um cenário de queda nos níveis de atividade econômica e que se somam a uma população já endividada, empresas que já mostrarem sinais mais evidentes de uma deterioração deverão ser mais penalizadas pelo mercado por conta das expectativas já negativas para este ano, aponta a Genial. Já uma boa gestão de custos, ganhos de eficiência operacional e capacidade de repasses de custos serão bem recebidos pelos investidores, avalia.

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O Bank of America estima contração de 1% ano a ano nos lucros do quarto trimestre das empresas que fazem parte do Ibovespa, embora a equipe do banco calcule expansão de 10% nas receitas no período.

Para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a projeção também é de queda de 1%.

Excluindo empresas de commodities, projeta crescimento de 6% nas receitas e de 4% no Ebitda, mas queda de 3% nos lucros por ação. “Esse será o terceiro trimestre consecutivo de contração ano a ano no lucro por ação do Ibovespa  ex-commodities”, afirma.

Confira abaixo os setores e ações para ficar de olho na temporada do 4º tri:

Setor financeiro 

A forma pela qual o caso Americanas (AMER3) impactará o setor financeiro é um dos grandes destaques do trimestre.  Os analistas veem ainda cada vez mais uma diferença entre os bancões, com Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB4) em destaque positivo no curto e no médio prazos, enquanto Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4) apontam como os negativos.

O resultado do Santander no começo de fevereiro acabou confirmando esse cenário. O Itaú BBA, por exemplo, citou as fracas tendências operacionais como um dos pontos ruins do balanço e avaliou que o Bradesco deve apresentar desafios semelhantes.

Na avaliação da XP, as altas taxas de juros de longo prazo devem continuar pressionando a margem com mercado do Bradesco no 4T22. Além disso, esperam que esse efeito continue nos próximos trimestres. Incrementos marginais na inadimplência dos bancos devem ter um impacto assimétrico nos resultados do 4T22, com um impacto menor no Itaú e no Banco do Brasil devido ao portfólio mais defensivo da sua carteira e índices de cobertura mais elevados em comparação aos pares.

Isso deve levar Itaú e Banco do Brasil a permanecerem na liderança no quesito rentabilidade, apresentando impactos apenas marginais em decorrência do ambiente desafiador em seu ROE. Cabe ressaltar que o Santander Brasil e o Bradesco apareceram, proporcionalmente, como os mais afetados entre os ‘bancões’ com o “caso Americanas”. O BTG Pactual (BPAC11) também aparece entre os mais afetados.

Confira o calendário de resultados do 4º trimestre de 2022 da Bolsa brasileira

Cauteloso, o Itaú BBA foi categórico ao falar sobre o quarto trimestre: “evite bancos”. As provisões são um tema antes mesmo antes do evento nas Lojas Americanas, com pressão sobre os lucros. Sobre o Bradesco, veem alta nas provisões e despesas operacionais, vendo lucro crescente apenas no BB. Já Nubank (NUBR33) e Inter (INBR32) devem ter pequenas altas nos lucros para o que é um trimestre sazonalmente melhor, enquanto o BB Seguridade deve novamente se destacar positivamente, embora já bem esperado. No universo de adquirência, são mais construtivos com PagSeguro (PAGS34), que devem mostrar queda do custo de financiamento neste trimestre.

Para os bancos, o Bank of America também espera números trimestrais mistos, com Itaú e BB superando Bradesco e Santander. No entanto, é provável que os investidores se concentrem no guidance para 2023. Para o trimestre, a margem financeira com clientes deve seguir robusta (crescimento da carteira de crédito, reprecificação), compensando as maiores despesas de provisão (sem considerar qualquer impacto relacionado à Americanas), uma vez que a inadimplência deve continuar a se deteriorar em ritmo gradual, especialmente o consumidor. A margem financeira com o mercado pode decepcionar, pois as taxas permanecem elevadas.

A geração de receita dos bancos digitais e a adição de clientes devem permanecer robustas, com resultados financeiros se beneficiando de ganhos de eficiência, embora o foco do investidor permaneça nas tendências. Os adquirentes devem registrar um crescimento desacelerado do TPV (volume total de pagamentos) e despesas financeiras elevadas, mas em linha com o guidance para o trimestre. As seguradoras devem mostrar tendências operacionais de melhoria, exceto Caixa Seguridade (CXSE3).

Agronegócio

Para o agronegócio, o Itaú BBA apontou esperar um conjunto misto de resultados no quarto trimestre para as empresas,. com destaque positivo para os números da SLC Agrícola (SLCE3) e da Rumo (RAIL3), com ambas atingindo as projeções para 2022, enquanto as companhias de açúcar e etanol (S&E, no acrônimo em inglês) provavelmente devem permanecer sob pressão no curto prazo.

Para a SLC, o banco espera outro  trimestre de forte desempenho puxado pelos preços mais altos das commodities (particularmente dos grãos). Também esperam que a SLC comece a registrar suas posições de hedge para 2023/24 (uma vez que isto é feito historicamente durante o quarto trimestre do ano), com cotações de grãos e câmbio que podem surpreender o consenso e levar a um aumento potencial em relação aos seus números atuais (embora o BBA siga conservador sobre o algodão).

Já para a Rumo, o BBA aponta confiar na capacidade da companhia de alcançar um Ebitda no patamar superior de sua faixa de orientação (guidance), chegando a aproximadamente R$ 4,6 bilhões em 2022 (R$ 971 milhões no quarto trimestre), um aumento de cerca de 37% em termos anuais. Como informado anteriormente na prévia operacional da empresa.

Sobre Raízen (RAIZ4), maior queda do Ibovespa em janeiro, o banco projeta números brandos, com um Ebitda consolidado ajustado de R$ 2,920 bilhões (queda de 13% em um ano), marcado pela recuperação dos números na divisão brasileira de Marketing & Serviços (com uma redução significativa nas perdas de estoque em termos trimestrais) e por uma performance modesta na divisão de Açúcar e Renováveis (com volumes de vendas concentrados no quarto trimestre do ano-safra, de janeiro a março de 2023).

Bebidas

Em um segmento com a Ambev (ABEV3) dominando entre as empresas de capital aberto a XP destaca que, ainda que não houvesse grandes expectativas em relação à recuperação das unidades de negócios internacionais da companhia, os dados fortes da indústria de bebidas aliados à Copa do Mundo no fim do ano podem ter gerado boas expectativas no início do 4T22.

“No entanto, o clima não ajudou com temperaturas abaixo da média e com um volume considerável de chuva, além do Brasil ter sido desclassificado precocemente mesmo vencendo o jogo faltando quatro minutos para o fim”, com os analistas da XP citando a derrota do Brasil na Copa do Mundo nas quartas de final para a Croácia em meados de dezembro.

Os custos das commodities ainda devem ser um vento contrário e, embora esperem uma melhora sequencial, os analistas da XP ainda estão projetando margens menores na base anual e um lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ligeiramente menor de R$ 6,7 bilhões (-1% na base anual). O custo de hedge na Argentina deve continuar impactando o resultado e a XP estima um lucro líquido de R$ 2,4 bilhões (-38% ano a ano).

Também para o Itaú BBA, a Ambev divulgará resultados do 4T22 que devem ficar abaixo do que tinham inicialmente para o período, com a decepção do trimestre vindo principalmente da divisão de Cerveja Brasil.

“Apesar de acreditarmos que esse braço venha a reportar crescimento de volumes e de receitas, entendemos que esses valores serão aquém do esperado anteriormente. Além disso, acreditamos que as demais divisões da empresa como CAC  e América do Sul possam pressionar os resultados diante do cenário macroeconômico mais desafiador”, aponta. Assim, o banco calcula que a Ambev reportará Ebitda consolidado de R$ 7 bilhões e lucro líquido de R$ 4 bilhões.

Frigoríficos e alimentos

A Genial destaca que, durante 2021 e a maioria de 2022, o setor de alimentos teve sua geração de caixa impactada positivamente pelo ciclo do gado em momento favorável nos EUA e câmbio desvalorizado. Para 4T22, o cenário é diferente – observando a virada do ciclo no mercado americano e maior pressão nas margens dos frigoríficos com operações relevantes no país, principalmente de JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3).

“Com o preço de grãos em patamares elevados e aumento do custo do gado, devemos observar compressão nas margens operacionais, o que deve se refletir em menor geração de caixa e consequentemente menor distribuição de proventos”, avalia.

Já para as empresas com produção concentrada na América do Sul, o cenário é o oposto – os analistas da casa esperam maior disponibilidade de gado e custos mais atraentes, fatores que, por consequência, devem contribuir para uma maior geração de caixa, sendo a Minerva (BEEF3) a principal a se beneficiar desse cenário.

Commodities

Papel e celulose

As perspectivas para as empresas de papel e celulose têm se deteriorado com os anúncios recentes de corte de preços e de elevação na capacidade de produção.

Contudo, no quarto trimestre, de forma geral, analistas esperam que essas companhias trarão ainda bons resultados na comparação com a média histórica – o que é justificado, principalmente, pelos preços realizados na venda dos produtos no período.

“Os resultados de papel e celulose do quarto trimestre devem (espera-se) continuar sustentados pelos preços ainda altos da celulose, uma vez que os recentes descontos da celulose de fibra curta foram anunciados apenas em dezembro”, dizem os analistas do Bradesco BBI em relatório.

Entre as principais companhias do setor, a visão geral é de que a Suzano se saia melhor. O BBI espera que os volumes de vendas continuarão sólidos, e praticamente estáveis na base trimestral, em 2,8 milhões de toneladas. Os preços de exportação, contudo, devem avançar 2% na mesma base, e o custo caixa, 6%, fazendo as margens registrarem leve queda.

“Esperamos que a companhia continue a apresentar resultados sólidos (queda de cerca de 1% em termos trimestrais no Ebitda consolidado), uma vez que a melhoria esperada de cerca de US$ 24/tonelada na realização do preço da celulose deve compensar quase inteiramente o desempenho ligeiramente pior em termos de volumes e custos”, destacaram ainda os especialistas do Itaú BBA.

Já o Ebitda da Klabin deve ser impactado pelos preços mais fracos da kraftliner e menores embarques de celulose, com queda de 6% na base trimestral, diz o Bradesco BBI. “Enquanto isso, os volumes de papelão ondulado caem sazonalmente no quarto trimestre e a companhia ainda deve sofrer com custos elevados”. A XP projeta um Ebitda de R$ 1,9 bilhão no 4T22 (queda trimestral de 17%). Para celulose, vê menor volume consolidado, preços consolidados estáveis e  custos ainda elevados, principalmente de madeira. Para papel & conversão, estima menores volumes de kraftliner e preços com queda de 15% no trimestre; já para papelão, projeta volumes e preços estáveis.

Mineradora e siderúrgicas

O quarto trimestre deve apresentar resultados mais fortes para mineradoras e resultados mais fracos para siderurgia quando comparado ao último trimestre, na avaliação da XP. “Esperamos discussões sobre a reabertura chinesa impactando a demanda de minério de ferro e aço e temores de recessão econômica na Europa e nos EUA”, destacaram os analistas.

“Usiminas (USIM5, Gerdau (GGBR4) e CBA (CBAV3), provavelmente, sofrerão com volumes e preços menores no mercado doméstico, enquanto a Vale e CSN devem se beneficiar de fortes resultados na divisão de minério de ferro”, destaca ainda o Itaú BBA.

A Genial Investimentos ressalta que, para as empresas de mineração, sazonalmente, o 4T é um trimestre muito forte em vendas, com a queima do estoque feita no trimestre anterior, o qual é mais forte em produção. “Sendo assim, esperamos que as duas mineradoras listadas, VALE3 e CMIN3 excedam as vendas da produção, e formem um trimestre com maior diluição de custos, abaixando principalmente o custo frete”, aponta.

No setor siderúrgico, espera-se mais um trimestre em que a desaceleração econômica afete o mercado de aço doméstico, atrapalhando o resultado das empresas tanto em volume quanto em preço. Dessa forma, as companhias mais expostas a geografias diferentes devem ter resultados melhores, principalmente a Gerdau (GGBR4) com a exposição da América do Norte, mas também a CSN (CSNA3) com a Europa, que em menor grau que Gerdau, possui a operação da Alemanha que vem contribuindo para a formação de um Ebitda mais diversificado. O Citi, por sua vez, apontou que a temporada de balanços do quarto trimestre do setor deve ser relativamente fraca, particularmente para a Gerdau.

Petroleiras

A Genial apontou seguir  otimista com os resultados das petroleiras destacando que, ao longo do 4T22, todas as petroleiras de sua cobertura entregaram números consistentes no que diz respeito a produção, com destaque a 3R Petroleum (RRRP3).

De acordo com a casa, a empresa não apenas consolidou um dos seus últimos ativos que estavam em transição no mês de dezembro/22 (Papa-Terra), como conseguiu demonstrar uma inflexão na produção do Polo Macau, que atravessa problemas em sua produção há alguns meses. “Sendo assim, achamos que os próximos trimestres devem ser ainda mais interessantes para a empresa”, aponta.

Além disso, o preço médio do brent negociou na casa dos US$ 88 o barril ao longo do 4T22, preços ainda muito interessantes se considerarmos as atuais estruturas de custos das empresas. Sendo assim, aguardamos outro trimestre com saudável geração de caixa por parte de toda a indústria.

Em relação aos resultados do 4T22, os holofotes deverão ser mirados na Petrobras (PETR3;PETR4), que fechou o ano batendo a sua meta de produção para o ano (2,6 milhões de barris de petróleo equivalente por dia) em um momento que a sua orientação estratégica começa a ser alterada.

Os dividendos aparecem como a grande questão para a companhia, em meio a mudanças de gestão. Recentemente, o Bradesco BBI cortou de 60% para 40% a probabilidade da Petrobras anunciar de US$ 5 a US$ 6 bilhões em dividendos relacionados aos resultados do 4T22, com as novas indicações para a diretoria da estatal.

Varejo

Em meio ao contexto de recuperação judicial na Americanas neste início de ano, os investidores vão monitorar de perto os resultados dos últimos meses de 2022 das varejistas.

A Genial diz “estar neutra” com os resultados do 4T22 para o segmento de varejo. O destaque positivo deve ir para os subsetores alimentar e farmacêutico, dado a natureza não-discricionária do consumo e forte geração de caixa.

Por outro lado, vê de forma cautelosa as empresas de e-commerce de sua cobertura, que tendem a sofrer com maior despesa financeira, dada a alavancagem e alto nível de juros, e deterioração das margens operacionais. Com o repasse de inflação, a Genial vê ainda um trimestre de ganhos em termos de receita na base anual porém em níveis de volume ainda inferiores a 2019. As margens operacionais devem seguir em uma dinâmica parecida com a do 3° trimestre de 2022.

O BTG destacou que, no caso de e-commerce (excetuando Americanas), o cenário ainda é difícil, apesar de algumas melhorias.

“No lado do e-commerce, as preocupações (e a volatilidade) permanecem semelhantes aos trimestres anteriores, e os resultados recentes sustentaram o viés negativo no segmento no curto prazo, apesar de uma melhoria bem-vinda na margem”, aponta.

Os analistas esperam que o volume bruto de mercadorias (GMV) online cresça 15% ao ano no Magazine Luiza (MGLU3) (consolidado subindo 14%), acelerando em relação aos últimos trimestres ( R$1,6 bilhão de adição de GMV online). O GMV online da Via (VIIA3) deve cair 4% na mesma base comparativa e o da operação brasileira do Mercado Livre (MELI34) deve crescer 19% ( R$ 3,6 bilhões de adição) – esperando assim que o GMV online combinado do setor cresça 7% ano a ano.

O BTG aponta ver uma tendência secular de crescimento para o e-commerce brasileiro nos próximos anos e, ao contrário de mercados mais maduros, com GMV (e participação nas vendas do varejo) muito maior do que os níveis pré-pandemia. Mas para preservar o caixa em meio a um cenário incerto, empresas como Via e Westwing (WEST3) já reduziram os investimentos para melhorar a rentabilidade (com trade-off de crescimento), o que é uma tendência para o curto/médio prazo, aponta.

Olhando para os outros segmentos, varejistas de vestuário/calçados (Grupo Soma SOMA3 e Arezzo [ativo=ARRZ3]) expostas à famílias de alta renda devem se destacar novamente no 4T22, apesar da desaceleração da receita, avaliam.

Já após um desempenho sólido dos varejistas de alimentos durante a maior parte de 2022, o crescimento provavelmente desacelerará devido à menor inflação de alimentos nos últimos meses, mas o banco ainda espera um trimestre sólido.

“Os números trimestrais reforçaram nossas principais teses; preocupações macro ainda implicam em um cenário de aversão ao risco”, avaliam.

Na avaliação do Safra, o Assaí (ASAI3) deve ser o destaque positivo do varejo de alimentos no trimestre apresentando um forte desempenho de receita (alta anual de 37%) levando a uma pressão menor do que a esperada na margem Ebitda para o ano de 2022.

O crescimento da receita líquida de 34% na comparação anual do Grupo Mateus (GMAT3) deve ser o outro destaque positivo combinado com um ciclo de capital de giro melhorado que deve resultar em uma forte geração de caixa operacional.

Por outro lado, o Carrefour (CRFB3) deve apresentar resultados mistos com a integração do BIG e deve apresentar o menor crescimento de Ebida versus pares, segundo o Safra.

Shoppings

Na avaliação da XP, a Multiplan (MULT3) pode ser destaque de desempenho com (a) recorde de vendas, ajudando na continuidade do repasse de aluguéis, auxiliando a receita de locação; e (b) ganhos de eficiência levando a um crescimento de margem Ebitda.

Já a Iguatemi ([ativo=IGTI11) também deve seguir a tendência positiva com uma inadimplência líquida e custos de ocupação saudáveis ajudando o crescimento do aluguel mesmas lojas (SSR), sustentando um crescimento de 18% na receita líquida no 4T22.

As vendas da brMalls (agora do grupo Aliansce [ativo=ALSO3] ) no 4T22 podem ser afetadas negativamente por um desempenho de vendas abaixo do esperado na Black Friday. Porém, os analistas esperam um resultado sólido, com receita líquida chegando a R$ 488 milhões e melhora na margem Ebitda (alta de 3 pontos percentuais frente o 3T22).

Educacionais

Cabe ressaltar que o primeiro trimestre do ano costuma ser o mais movimentado para as empresas de educação, dado que ocorre o primeiro ciclo de captação (e de maior volume), do ano.

Neste sentido, a Genial espera dinâmicas mistas para as empresas sob nossa cobertura, com Cogna (COGN3) e Ânima (ANIM3) sendo os destaques.

“O cenário macroeconômico desafiador do ano passado ainda reverbera e dá o tom para 2023, onde ainda observamos cautela por parte da população em assumir um compromisso de longo prazo, como a matrícula escolar, e a renda das famílias que segue comprometida com bens essenciais, reforçando nossa visão mais comedida para o setor. Cabe ressaltar que o alto patamar de taxa de juros ainda comprometerá a última linha dos resultados das companhias listadas”, aponta.

O BofA também vai na mesma linha, apontando que os nomes devem seguir pressionando por custos financeiros mais elevados.

Saúde

O BofA espera um trimestre desafiador para a maioria das empresas de saúde no 4T22, explicado pela sazonalidade com baixo fluxo de procedimentos e impactos pontuais, como a Copa do Mundo também reduzindo o volume de fluxo.

“Nosso nome mais bem posicionado para o trimestre seria Rede D`Or (RDOR3), pois estimamos que as margens permaneçam resilientes”, avalia o banco americano.

Na avaliação da Genial, a temporada para o setor será “peculiar”, também citando a Copa. Historicamente, o quarto trimestre significa menos movimento nos hospitais, o que seria bom para as operadoras como Hapvida e Sul América (agora da Rede D’Or), e ruim para os prestadores de serviços hospitalares, como Rede D’Or e Fleury (FLRY3).

Mas, com o efeito Copa do Mundo, também esperam-se efeitos negativos na taxa de ocupação e o volume de laboratórios e hospitais. “Assim, estamos mais otimistas com as operadoras de planos de saúde para o 4T22, com esse vetor que deve auxiliar na sinistralidade dessas companhias”, aponta.

Ressaltando também o nível de alavancagem alto do setor, a casa acredita que isso possa prejudicar a última linha dos resultados. “Ainda sem perspectivas de melhora da taxa básica de juros brasileira, continuamos apreensivos com esse efeito nos resultados das companhias do setor”, apontou, reiterando Fleury como a sua preferência do setor, uma vez que a demonstrou resultados resilientes em meio a um cenário desafiador dos últimos dois anos.

Bens de capital e transportes

A XP destaca esperar que a Marcopolo (POMO4) seja o destaque positivo entre os resultados do 4T22, beneficiada por um sólido desempenho de produção e um patamar de preços mais forte, com implicações positivas para a melhoria da receita e da lucratividade. Por outro lado, vê a sazonalidade de volumes mais fracos no 4T para a Iochpe-Maxion (MYPK3, com impactos negativos na rentabilidade) posicionando a empresa como um destaque negativo no setor.

Para a WEG (WEGE3), espera que os resultados continuem acompanhando as tendências positivas observadas nos últimos trimestres (alta de 34% do lucro líquido no ano e avanço de 1% no trimestre, em linha com o consenso).

Para a Embraer (EMBR3), embora as entregas e receitas de 2022 devam se aproximar do limite inferior do guidance, prevê uma margem Ebitda mais forte do que anteriormente indicado, implicando uma sólida perspectiva de rentabilidade esperada para 2023, em nossa opinião.

Com relação à Aeris (AERI3), os analistas esperam que os problemas de produção continuem impactando volumes, levando a resultados negativos no 4T e um resultado consolidado de 2022 abaixo do guidance (embora a XP espere que essas questões se normalizem progressivamente ao longo de 2023).

Para o segmento de transportes, a Genial destaca positivamente o segmento de locação de pesados com volumes fortes de locação e manutenção do bom volume de vendas em concessionárias reportado no 3T22.

“Já para as locadoras de leves, esperamos bons volumes de compras de veículos, devido ao enfraquecimento da demanda no varejo. No segmento de locação de veículos (RAC), mesmo sendo um trimestre sazonalmente mais forte, nossa expectativa é de relativa manutenção de volumes de diárias, porém beneficiado pelo aumento de tarifa”, aponta.

Na gestão e terceirização de frotas (GTF), os bons volumes de carros comprados no 3T22 e ao longo do 4T22, ajudarão a reduzir o backlog e consequentemente aumentar a receita no segmento. A entrada de um volume significativo de novos contratos também deve ajudar a puxar as tarifas médias para cima. Já em seminovos, a queda na FIPE deverá continuar pressionando a margem bruta do segmento.

No segmento aéreo, a Genial ressalta os bons volumes e precificações assertivas das passagens, porém, do lado negativo, observam uma queda expressiva na taxa de ocupação.

Construção civil

Ao falar sobre as construtoras, o Bradesco BBI menciona que o trimestre foi marcado por dois eventos atípicos, eleições presidenciais e a Copa do Mundo, que podem ter diminuído o apetite dos consumidores.

Para as construtoras focadas aos segmentos de média e alta renda, a dinâmica do setor indicou uma desaceleração dos lançamentos em virtude do cenário macroeconômico mais difícil com juros, provavelmente, elevados por mais tempo. Em contrapartida, destacaram números e velocidade de vendas satisfatórios e a postura mais conservadora adotada pelas companhias.

A Cyrela (CYRE3) segue como a preferência do BBI entre os nomes de média e alta renda, dado a alta liquidez das ações e um desempenho operacional sólido. Em baixa renda, o destaque nas prévias operacionais antes de iniciar a temporada de balanços ficou por conta da expectativa de melhoria nas margens, haja vista o avanço do preço médio de venda praticado.

Assim, esperam que nomes como Tenda (TEND3), Plano & Plano (PLPL3) e MRV (MRVE3) mostrem melhorias nas margens, enquanto que Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) devem seguir apresentando bons números, mantendo a tendência positiva dos trimestres anteriores.

Também de olho nas prévias, o Goldman Sachs destacou que os resultados reforçaram a visão mais otimista com Cyrela, enquanto veem desafios para a MRV.

“A Cyrela é a nossa única ação com classificação de compra, dada a qualidade do produto, velocidade de vendas, forte balanço e liquidez. Continuamos pessimistas com MRV, apesar do valuation historicamente baixo, pois acreditamos que as expectativas permanecem distorcidas para o negativo devido aos riscos de maior consumo de caixa”.

Telecom e tecnologia

Para o setor de telecomunicações e tecnologia, o Safra avalia que a Totvs (TOTS3) deve apresentar resultados mais consistentes, assim como Sinqia (SQIA3), enquanto a Locaweb (LWSA3) pode apresentar números mais fracos, principalmente devido à pressão de margem.

Para as empresas de telecomunicações, a expectativa é por resultados mistos, já que o bom desempenho operacional deve continuar (impulsionado pelo mobile), mas os impactos da aquisição da Oi móvel ainda devem pressionar os resultados, especialmente para a TIM Brasil (TIMS3).

Já a Multilaser (MLAS3, ex-Multilaser, deve apresentar, com rentabilidade muito baixa, refletindo o cenário desafiador para o varejo.

A XP, por sua vez, tem uma visão positiva para as grandes empresas de telecomunicações. Segundo a casa, TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3) devem apresentar mais um trimestre de resultados sólidos refletindo um cenário competitivo mais racional em meio à consolidação do mercado com a aquisição da Oi Móvel. “Ambas as empresas estão conseguindo fazer aumentos de preços mantendo o churn (índice de cancelamento) sob controle. Vale destacar também a redução da alíquota do ICMS, que caiu em média 10 pontos percentuais a partir de agosto”, apontam os analistas.

Em relação aos ISPs (provedores de serviços de Internet) Brisanet (BRIT3), Unifique (FIQE3) e Desktop (DESK3), os analistas destacam um cenário macroeconômico ainda desafiador, além de uma competição mais acirrada, que impactaram negativamente as adições líquidas.

A Brisanet deve ser o destaque positivo do trimestre, na avaliação da casa, impulsionado principalmente (i) pela expansão de margem Ebitda atingindo 50,2%; e (ii) a companhia ter conseguido manter adições líquidas maiores que seus pares em dezembro (+20 mil/mês). Por outro lado, os números operacionais da Anatel para novembro já foram divulgados e a Unifique reportou um fraco ritmo de adições líquidas orgânicas.

Elétricas e saneamento

A Genial apontou ter uma expectativa neutra em relação aos resultados das empresas de energia elétrica nesse trimestre. Os principais pontos a serem observados dizem respeito as estratégias na gestão dos seus portfólios das geradoras em meio a um cenário de sobre-oferta e preços baixos.

“No curto prazo, achamos que os resultados das mesmas não devem ser afetados à medida que praticamente todas seguem com alto grau de contratação ao longo de 2023. Em relação às transmissoras, temos a expectativa do anúncio de dividendos à medida que praticamente todas elas já atravessaram a fase mais aguda de investimentos e desenvolvimento dos seus projetos”, avaliam.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.