Efeito pós-balanço

Petrobras (PETR3;PETR4) dispara com balanço e dividendos; CFO diz que provento é compatível com saúde financeira da empresa

Rodrigo Araújo disse que liquidez da empresa está bastante adequada, mesmo com cenário desafiador de preço e consumo

Por  Mitchel Diniz -

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam entre as maiores altas do Ibovespa nos negócios desta sexta-feira (29), repercutindo o lucro de R$ 54,33 bilhões no segundo trimestre e os dividendos de R$ 6,73 por ação, a serem distribuídos pela petrolífera. Os papéis PETR3 subiram 6,42%, a R$ 36,96 enquanto as ações preferenciais PETR4 avançaram 5,76%, a R$ 34,15.

Na teleconferência com analistas sobre os resultados da companhia, o CFO Rodrigo Araújo Alves explicou que os dividendos são compatíveis com a sustentabilidade financeira da empresa e confortáveis em relação ao futuro da companhia.

O fluxo de caixa para o acionista (FCFE, na sigla em inglês) ficou em US$ 11,4 bilhões no segundo trimestre, favorecido por entradas extraordinárias, conforme explicou Alves na apresentação. “Queremos trazer nosso caixa para um nível ótimo entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões”, explicou o CFO.

Mesmo com o montante de US$ 12,4 bilhões em dividendos, a petrolífera conseguiu reduzir a dívida líquida no período em US$ 5,6 bilhões, para US$ 34,4 bilhões.

Na avaliação de Alves, o endividamento da Petrobras está confortável, mais ainda um pouco abaixo do “range ótimo”. “O mercado de capitais está bastante desafiador para novas emissões. Seguimos fazendo uma gestão ativa desse endividamento”, afirmou o CFO.

Alves também disse que existe uma trajetória natural de crescimento da dívida em 2023. “Mas estamos trabalhando para que ela seja equacionada no ano que vem”, complementou.

O CFO foi questionado se o dividendo gordo, anunciando ontem pela petrolífera, seria uma antecipação de proventos que seriam distribuídos no segundo semestre. Alves não foi assertivo em sua resposta, mas disse que a Petrobras busca adequar a distribuição de dividendos a 60% do caixa livre.

Disse também que o cálculo do dividendo se ajusta ao que estiver acontecendo. “Mesmo em um cenário desafiador de preço e consumo, estamos com liquidez bastante adequada”, diz o CFO.

Conselho não tem poder de veto

Na teleconferência, os executivos também responderam dúvidas dos analistas sobre a nova diretriz da política de preços da Petrobras. O diretor de governança da petrolífera, Salvador Dahan, explicou que nada muda do ponto de vista operacional. A diretoria-executiva é quem define os ajustes de preço e o board monitora o andamento das práticas, sem direito a vetar decisões.

“O papel do conselho é monitorar, para garantir disciplinas, e não decidir sobre o preço dos combustíveis”, explicou Dahan.

Preços devem seguir em níveis elevados

Para Cláudio Mastella, diretor de comercialização e logística da Petrobras, o cenário é de manutenção de preços elevados para o petróleo no mercado internacional, em especial o diesel. “A exceção seria em caso de recessão global, o que ainda não se confirmou”, disse ele.

Mastella também disse que a Petrobras vê com cautela o cenário para o diesel nos próximos meses, já que o segundo semestre tem a demanda elevada pela sazonalidade e a guerra na Ucrânia segue pressionando a oferta. Porém, tranquilizou os analistas, dizendo que a empresa não está com dificuldades em adquirir diesel dos fornecedores tradicionais. “Reavaliamos estoques para o segundo semestre e antecipamos compras”, explicou.

O diretor disse ainda que a Petrobras busca a paridade de preço continuamente, mas evita repassar volatilidade.

Fernando Borges, diretor de exploração e produção da Petrobras, foi questionado se os custos de extração da companhia vão continuar subindo ao longo do segundo semestre. Ele explicou que a estimativa, para os próximos meses, é de custo de US$ 6 por barril, mas lembrou dos outros custos envolvidos na atividade. “Custo de extração não traduz custo total de produção, que está em US$ 42 por barril”, disse.

“No curto prazo, estamos bem hedgeados com relação a aumento de custos”, disse João Henrique Rittershaussen, diretor de desenvolvimento de produção. Ele explicou que a Petrobras tem mais exposição a contratos de longo prazo e, por isso, mais chances de mitigar aumento de preços.

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