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Entenda o circuit breaker, mecanismo acionado na B3 em dias de forte turbulência do mercado

Mecanismo é disparado pela bolsa para interromper a sessão quando ocorrem oscilações muito bruscas e atípicas no mercado de ações

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Ações em queda (Crédito: Shutterstock)

SÃO PAULO – Em momentos de turbulência do mercado, o circuit breaker é acionado, de forma a evitar que a bolsa desabe ainda mais. Ele é um mecanismo disparado pela bolsa para interromper a sessão quando ocorrem oscilações muito bruscas e atípicas no mercado de ações.

Desta forma, toda vez que isso acontece no mercado, a ferramenta é acionada para  rebalancear as ordens de compra e venda dos investidores, protegendo o mercado da volatilidade.

Como funciona o circuit breaker

O “circuit breaker” na B3 funciona assim:

  •  se o Ibovespa atingir o limite de baixa de 10% (em comparação ao dia anterior), os negócios serão interrompidos por meia hora.
  • reaberto o pregão, se houver oscilação negativa de até 15%, a interrupção se dá por mais uma hora.
  • voltando a funcionar, com queda de 20%, ocorre suspensão dos negócios por prazo a ser definido pela Bolsa. Nessa hipótese, a decisão deverá ser comunicada ao mercado. De qualquer forma, na última meia hora de pregão, as negociações acontecerão.

As vezes em que o circuit breaker foi acionado na bolsa brasileira

Em meio à pandemia de coronavírus, o circuit breaker foi acionado seis vezes em março de 2020. O mecanismo foi acionado nos dias 9 (quando caiu 12,17%), 11 (queda de 7,64%), 16 (baixa de 13,92%) e 18 (queda de 10,35%) de março por uma vez; o circuit breaker foi acionado duas vezes no pregão do dia 12, sessão esta em que o Ibovespa fechou em baixa de 13,91%.

Antes de 2020, a última vez em que os negócios foram interrompidos foi em 18 de maio de 2017, durante 30 minutos, na esteira do chamado “Joesley Day”, quando os mercados reagiram à divulgação de um áudio entre o então presidente Michel Temer (MDB) e o empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, tratando de uma suposta compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB).

Naquela sessão, o Ibovespa fechou em queda de 8,8%, com os investidores precificando os impactos sobre o andamento da agenda de reformas — no caso, a previdenciária, que acabou não sendo votada durante o mandato do emedebista — e a própria estabilidade política no país.

Antes disso, o mecanismo havia entrada em ação em 22 de outubro de 2008, quando a bolsa fechou em queda de 10,18%. Em outubro de 2008, o pregão chegou a ser interrompido por quatro vezes durante meia hora e por uma vez durante uma hora, em um período marcado pela forte crise financeira global por conta da crise do “subprime”.

Em 11 de Setembro de 2001, quando houve o ataque às torres gêmeas de Nova York,  os negócios também foram interrompidos na Bolsa brasileira, mas sem que o circuit breaker fosse acionado. A bolsa teve um recuo de 9,17% em pouco mais de uma hora mas, antes que as negociações fossem interrompidas, a bolsa fechou na esteira das principais bolsas do mundo e só reabriu na sessão seguinte.

As vezes seguintes que o circuit breaker foi acionado ocorreram nos anos 1990. Em 14 de janeiro de 1999, véspera da adoção do câmbio livre, os negócios foram suspensos por meia hora e o índice desabou 9,33%. Na crise da Rússia, em 1998, o mecanismo foi acionado por cinco vezes e, no dia 10 de setembro, a bolsa parou durante 1 hora, fechando em baixa de 15,82%.

Em 28 de outubro de 1997, o mecanismo foi acionado na bolsa brasileira pela primeira vez, um dia após a bolsa registrar uma queda superior a 14% durante a crise financeira da Ásia. Naquele ano, o circuit breaker foi acionado por mais duas vezes.

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