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Parlamento britânico rejeita acordo do Brexit pela 3ª vez; o que acontece agora?

O Brexit sem acordo é o pior cenário previsto pelos analistas políticos e econômicos

Brexit
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Parlamento britânico rejeitou nesta sexta-feira (29), pela terceira vez, o acordo proposto pela premier Theresa May para a saída do Reino Unido da União Europeia, o chamado "Brexit".

Com isso, o Reino Unido está à beira de passar por um processo de divórcio "abrupto", sem nenhum tipo de acordo - também chamado de "Brexit duro" -, o que pode provocar graves consequências, como uma crise econômica. A data original para o Brexit era 29 de março, mas agora será 12 de abril.

O acordo foi rejeitado por 344 votos contra a 286 a favor na Câmara dos Comuns. May tinha prometido renunciar, caso conseguisse, finalmente, a aprovação do acordo que passou mais de um ano negociando com a União Europeia. "É de lamentar profundamente que, uma vez mais, esta assembleia tenha sido incapaz de apoiar a saída da União Europeia de uma forma ordenada", disse May.

O acordo votado hoje era parcialmente diferente dos outros dois rejeitados. Isso porque o Parlamento tinha exigido alterações no texto original. Na versão atual, o acordo está "simplificado".

Por sua vez, a União Europeia disse que pretende convocar uma reunião de emergência em 10 de abril para analisar a situação. O Brexit sem acordo é o pior cenário previsto pelos analistas políticos e econômicos.

O que acontece agora?
O cenário só piora para o Reino Unido. Com a derrota de May nesta sexta, sobram, basicamente, quatro cenários: um "Brexit duro", mais uma votação sobre o acordo, um segundo referendo ou ainda uma nova eleição geral (cenário que começa a ser mais debatido).

A UE já indicou que estenderia a participação da Grã-Bretanha na região para permitir a realização de uma eleição. Após a votação de hoje, os líderes do Partido Trabalhista e do Partido Nacional Escocês pediram que May chame por uma eleição geral.

Mas isso pode gerar ainda mais problemas. Parlamentares britânicos não querem participar das eleições europeias em 23 de maio, e qualquer decisão por eleições gerais no Reino Unido provavelmente forçará esta participação.

Além disso, esta decisão não resolveria a divisão que existe no Partido Conservador em relação à política do Brexit, correndo o risco de perder nas urnas diante de uma visão do eleitorado de que May é responsável por não entregar o Brexit a tempo. A oposição trabalhista poderia surgir com uma proposta de "Brexit brando" e conseguir tomar o poder.

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Em relatório para clientes, Paul Dales, economista-chefe do Reino Unido da Capital Economics, disse que a líder do Reino Unido primeiro precisa pedir à UE mais uma prorrogação de prazo do Brexit. "A UE indicou que um atraso mais longo (talvez um ano?), exigiria que o Reino Unido participasse das eleições da UE em maio e que o Reino Unido precisasse indicar um caminho a seguir ", disse ele.

“Se um atraso não pode ser acordado, então nenhum Brexit (revogando o Artigo 50) ou uma saída sem acordo pode acontecer. E tudo isso precisa ser feito dentro de duas semanas, quando, com toda honestidade, não sabemos se a Sra. May será a primeira-ministra daqui a dois dias! Uma eleição geral também é possível ”, conclui.

(Com ANSA Brasil)

 

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