Em mercados

Ibovespa inicia último trimestre do ano em queda, pressionado por Grécia

País prevê recessão e déficit maior que o estimado anteriormente e eleva temores sobre a capacidade de honrar os compromissos

SÃO PAULO - O Ibovespa dá início ao último trimestre do ano no campo negativo, em uma retração de 1,30%, aos 51.642 pontos, assim como os principais mercados internacionais. O pregão desta segunda-feira (3) é pressionado pelas novas estimativas para as contas públicas da Grécia.

Segundo orçamento preliminar apresentado pelo ministério de Finanças da Grécia no domingo e aprovado pelo gabinete de ministros, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá se contrair 5,5% neste ano, ante os 3,8% projetados anteriormente. Deste modo, o déficit público deverá atingir 8,5% neste ano e 6,8% no próximo, face aos 7,8% e 6,5% previstos na última avaliação.

Portanto, os mercados seguem no aguardo por algum pronunciamento da Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), a qual regressou à Atenas na última semana para avaliar tais números, bem como pelo encontro dos ministros de finanças da Zona do Euro em Luxemburgo nesta segunda-feira. 

Ações
Os papéis que chamam a atenção no campo negativo do Ibovespa são os ordinários da Gafisa (GFSA3, R$ 5,08, -5,40%), da B2W Varejo (BTOW3, R$ 14,09, -4,15%), da MMX Mineração (MMXM3, R$ 6,83, -3,12%), da Brookfield (BISA3, R$ 5,37, -2,72%) e da Hypermarcas (HYPE3, R$ 8,60, -2,71%).

Análises
"Além do sentimento de que a solução para a crise da Grécia ainda está longe de acontecer, do lado doméstico, as preocupações com a inflação continuam presentes no dia a dia do mercado, o que deverá continuar ditando o comportamento de volatilidade do mercado acionário", escreve a equipe da Planner Corretora, ao indicar que a falta de fatores positivos devem levar a um pregão de queda.

Já o analista da Cruzeiro do Sul Corretora, Jason Vieira, alerta que "iniciamos o trimestre com os mesmos temores do mercado financeiro com que passamos por todo este período e mesmo com algumas supostas soluções já colocadas em prática, o panorama de volatilidade é a única certeza que se impõe no ambiente de negociações".

Indicadores nos EUA e no Brasil
Na agenda de indicadores econômicos, destaque para o ISM Index e para o Construction Spending nos EUA, os quais medem o número de pedidos, produção, emprego, números de entregas e estoques nas indústrias norte-americanas e os gastos públicos e privados decorrentes da construção de imóveis.

Por aqui, o Relatório Focus revelou a manutenção das projeções para este ano, exceto para a taxa de câmbio, uma vez que o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 1,73, frente ao R$ 1,68 previsto anteriormente. Para o próximo ano, espera-se uma inflação ligeiramente maior que a projetada no último relatório, aos 5,53%, enquanto a taxa Selic deverá se fixar em 10,50% ao ano.

Além disso, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) revelou retração de 0,08 ponto percentual frente à última medição, a 0,50%.

 

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