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Ibovespa: mau humor externo e preocupações com inflação contaminam índice, que cai 1%

Noticiário político também segue no radar dos investidores

Estadão Conteúdo

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Painel de cotações da B3, em São Paulo 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo
Painel de cotações da B3, em São Paulo 19/10/2021 REUTERS/Amanda Perobelli/Arquivo

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O Ibovespa abriu a sexta-feira, 15, em queda, acompanhando o ambiente de aversão ao risco no exterior, com a ausência de sinais de distensão nas tensões entre Estados Unidos e Irã. O recuo mais forte do que o esperado no volume de serviços prestados no Brasil em março também não alivia o principal indicador no início da sessão desta sexta-feira, diante dos riscos inflacionários impostos pela guerra no Oriente Médio. O petróleo avança cerca de 3% nesta manhã.

Ainda fica no radar o noticiário político, com foco em eventuais desdobramentos sobre a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do já liquidado Banco Master.

Não se descarta maior volatilidade com o vencimento de opções sobre ações hoje, que costuma afetar sobretudo papéis mais líquidos, como Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4).

Perto das 11 horas, o petróleo Brent subia 2,8%, a US$ 108,70, e as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) subiam entre 1,09% (PN) e 1,60% (ON). Já o papel da Vale (VALE3) cedia 2,58%, contaminando todas as ações ligadas ao minério, que fechou hoje com queda de 0,67% em Dalian, na China.

Nesta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços caiu 1,2%. O resultado ficou bem abaixo do piso das estimativas colhidas em pesquisa feita pelo Projeções Broadcast (-0,6%). O dado reforça a cautela com relação a um ciclo de quedas da Selic maior.

No exterior, após visita de três dias à China, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou hoje ter fechado “grandes acordos comerciais” com o país durante reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping, e indicou expectativa de aumento das compras chinesas de produtos americanos, especialmente aeronaves e soja.

Além do exterior, a cautela nos mercados do Brasil reflete também o noticiário político desta semana, conforme João Carlos Oliveira, chefe da mesa de operações do Moneycorp. Na quarta-feira, os ativos azedaram após vazamento de áudio em que o senador, pré-candidato à Presidência, aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para concluir um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio negou ontem repasses dos recursos do filme ao irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos desde o ano passado.

“A dúvida é saber para onde foi o dinheiro. E, da parte de fundamentos, o dólar está se valorizando lá fora e isso afeta o real, que perde um pouco, ao mesmo tempo que o petróleo avança para US$ 108 o barril, o Brent”, diz Oliveira.

Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mantém o risco eleitoral no radar dos investidores. Em sua visão, a crise enfraquece a tese de alternância em 2027 que vinha sustentando ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que o governo acelera medidas populares com custo fiscal potencial.

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Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, destaca o cenário “muito diferente” para o dólar nesses últimos dois dias, rodando até abaixo dos R$ 4,90. “Tivemos uma reviravolta política que pegou o mercado e que é um dos principais pontos que tem feito a moeda subir”, diz. Às 11h13, o dólar tinha alta de 1,46%, a R$ 5,0596, após máxima em R$ 5,0761.

Na agenda externa, destaque à produção industrial dos EUA e ao índice de atividade industrial Empire State, que mede as condições da manufatura no Estado de Nova York. O indicador subiu para 19,6 em maio, ante 11 em abril.

Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,72%, aos 178.365,86 pontos, acumulando desvalorização semanal de 3,12%.

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No horário citado acima, o Índice Bovespa cedia 1,06%, aos 176.466,36 pontos, ante mínima em 175.568,76 pontos (-1,57%) e abertura na máxima em 178.340,52 pontos (-0,01%).

Entre os balanços, ficam no foco os números do Nubank (NU) e Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), por exemplo.