Embraer: queda das ações foi exagerada e abre oportunidade de compra, dizem analistas

JPMorgan ressaltou ainda qual o próximo catalisador para as ações

Lara Rizério

Ativos mencionados na matéria

Agência Brasil via Wiki Commons
Agência Brasil via Wiki Commons

Publicidade

Após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), as ações da Embraer (EMBJ3) caíram mais de 11% na última sexta-feira (8), em meio à visão de compressão de margens e adiamento de eventuais revisões positivas com os dados dos primeiros meses do ano.

Apesar do balanço considerado negativo, analistas veem o movimento como uma oportunidade de compra, conforme destaca o JPMorgan.

Para os analistas do banco americano, esta é uma chance de reforçar a recomendação de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para a companhia.

O banco destaca 4 motivos:

i) o 1T é sazonalmente o trimestre mais fraco para a Embraer devido à limitada alavancagem operacional;

ii) o resultado mais fraco no 1T tem impacto limitado nas estimativas do ano cheio – a companhia reiterou que a margem EBIT (EBIT = lucro antes de juros e impostos/receita líquida) do ano deve ficar no meio da faixa do guidance, em 9,0%, versus o consenso em 9,3% – não justificando uma queda de 11%;

Continua depois da publicidade

iii) potencial de alta vindo de tarifas: manter tarifa de 0% nos EUA até o fim do ano poderia elevar a margem EBIT para cerca de 9,6%, acima do consenso; e

iv) a companhia estará em Nova York nesta semana, em reuniões com investidores, reforçando a mensagem positiva passada na teleconferência de resultados do 1T. Além disso, o feedback coletado de investidores nas interações de sexta-feira – ainda que a amostra do JPMorgan seja limitada em relação ao tamanho do mercado – mostra que a maioria dos investidores está disposta a aumentar posição após essa correção.

O banco aponta que o 1T é sazonalmente o trimestre mais fraco do ano para a companhia, impactado pela falta de alavancagem operacional. Apesar das maiores entregas no 1T26 versus 1T25, as margens das aviações comercial e executiva foram fracas (margem EBIT ajustada da divisão Comercial em -10% versus -5% no 1T25; margem EBIT ajustada da divisão Executiva em 6% versus 11% no 1T25).

As pressões no segmento comercial vieram de mix, maiores custos logísticos (cerca de 50 pontos-base na margem agregada) e, na visão do JPMorgan, do ramp-up (início de produção) do nivelamento de produção. No segmento executivo, a pressão veio de mix (mais entregas para operadores de frota), despesas comerciais (lançamento do novo Praetor) e tarifas (impacto de 2,8 pontos percentuais). Enquanto isso, a carteira de pedidos permanece favorável, encerrando o 1T26 em recorde de US$ 32,1 bilhões (+22% ano contra ano), com a carteira de Aviação Comercial em US$ 15 bilhões (+50% ano contra ano).

Leia mais:

O Goldman Sachs também seguiu com recomendação de compra para a ação. O banco ressalta que a receita da Embraer no 1T26 ficou acima do consenso, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) e o fluxo de caixa livre (FCF) vieram abaixo. Já o guidance para 2026 foi reiterado.

Continua depois da publicidade

“O crescimento de receita foi de 31% no trimestre, à medida que a forte demanda continua se traduzindo em crescimento acima da média do setor. O FCF veio mais fraco do que o esperado no início do ano, mas o fluxo de caixa da Embraer costuma ser mais concentrado na segunda metade do ano”, aponta o Goldman, ressaltando ainda que as margens ficaram relativamente em linha e continuam se expandindo ano contra ano.

“O BDR (recibo de ações negociado nos EUA) ERJ é negociada a 8,8 vezes o Ebitda estimado para 2027, um dos menores níveis do setor, apesar de uma posição fundamental forte no mercado”, complementa o banco.

O BB Investimentos foi além e elevou a recomendação das ações da Embraer de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 88 para EMBJ3, após a forte queda dos ativos depois do 1T26. A reação, de acordo com o analista Luan Calimério, que assina o relatório, foi exagerada.

Continua depois da publicidade

“Em nossa visão, a Embraer apresenta uma relação entre ritmo de entregas e captura de pedidos saudável e, tudo o mais constante, embute uma expectativa positiva de crescimento para os próximos anos, sem mencionar a opcionalidade trazida pela EVE. Além disso, com as entregas realizadas até o momento e com as estimativas da companhia para o ano, esperamos um 2026 positivo”, aponta Calimério.

O principal detrator do trimestre, na opinião do banco, foi o aumento relevante dos estoques, que fez com que a necessidade de capital de giro no período aumentasse substancialmente, consumindo R$ 2,4 bilhões em caixa. “Entretanto, entendemos que esse movimento é decorrente de um ramp up de produção e deve antecipar um aumento de entregas e de conversão de receita nos próximos resultados, revertendo o impacto negativo observado neste trimestre”, destaca.

Risco de queda limitado

O JPMorgan, por sua vez, vê risco de queda limitado para 2026. Na visão do banco, o resultado “abaixo do consenso” no 1T gera um risco limitado de revisão negativa para 2026, já que a companhia espera ficar no meio da faixa de guidance de margem Ebitda de 8,7–9,3%, ou 9,0%, versus o consenso em 9,3%.

Continua depois da publicidade

No entanto, se as tarifas dos EUA permanecerem em zero, a companhia espera acrescentar 60 pontos-base à margem do ano, o que significaria que o meio da faixa do guidance seria 9,6%, acima do consenso. “Em outras palavras: se o mercado está precificando o 1T como um ‘fracasso’ na entrega do guidance de 2026, os comentários da gestão e o risco de alta em relação ao guidance vão na direção oposta a essa conclusão”, aponta.

Olhando para os catalisadores de curto prazo, o JPMorgan espera que as reuniões da Embraer com investidores ao longo desta semana – “Brazil Week” em Nova York – ajudem a fechar a distância entre um trimestre sazonalmente fraco (e números abaixo do consenso) e a história de resultados do ano cheio.

“Como destacado na teleconferência do 1T26, a gestão reiterou confiança em atingir o guidance de 2026 e enfatizou que as tensões geopolíticas, no momento, não estão gerando necessidade de reduzir o ritmo de entregas nem pressionando margens”, conclui.

Continua depois da publicidade

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.