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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se queixou a integrantes do Palácio do Planalto e ao próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva da postura do ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. A avaliação, compartilhada também por um grupo de líderes da Câmara, é que o ministro tensiona o debate e busca desgastar politicamente os parlamentares diante da opinião pública.
Nesse sentido, dizem que essa postura prejudica as negociações em torno de propostas que são discutidas no Congresso, a exemplo do projeto que trata do fim da escala de trabalho 6×1 e do que busca regulamentar o trabalho por aplicativos.
De acordo com relatos, Motta tratou disso com Lula na semana passada. Segundo interlocutores do deputado, o presidente da Câmara pediu para que o chefe do Executivo conversasse com o ministro e alertou que essa postura criava dificuldades na discussão da PEC. Lula teria ouvido em silêncio, sem responder.
Motta também se queixou de Boulos a integrantes do governo que acompanham as negociações em torno do fim da 6×1. Segundo relatos, ele reforçou essas críticas aos ministros José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Luiz Marinho (Trabalho), além de parlamentares do PT, em reunião na noite de terça. Procurados, via suas respectivas assessorias de imprensa, Boulos e Motta não responderam.

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Líderes da Câmara dizem reconhecer que esse é o papel de Boulos e que ele tem respaldo de Lula para fazer essa disputa política, sobretudo às vésperas do período eleitoral. Eles afirmam, no entanto, ser preciso avaliar as consequências do que consideram uma postura fora do tom e que agita a militância contra os congressistas. Nas palavras de um cardeal do centrão, Boulos atrapalha o governo e poderá prejudicar as negociações com os parlamentares num momento de tensionamento da relação da cúpula do Senado com o Planalto.
O ministro é um dos integrantes do governo mais vocais nas redes sociais na defesa da gestão petista e no embate com adversários políticos de Lula. Ele também faz críticas à atuação de congressistas, o que gera incômodo na cúpula da Câmara.
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Na semana passada, por exemplo, Boulos fez publicação crítica a uma iniciativa de parlamentares em apresentar uma emenda ao texto da PEC do fim da escala 6×1 que propõe que ela só entre em vigor 10 anos após a data de publicação da norma.
“171 deputados tiveram a coragem de propor que o trabalhador espere mais 10 anos como ‘transição’ para o fim da 6X1 e redução da jornada de trabalho. Uma década! Pra cortar direitos nunca existiu ‘transição’. Nunca pediram calma para a reforma trabalhista, terceirização ou arrocho. É desumano e covarde. O nosso governo é contra. O fim da escala 6×1 tem que ser para já”, publicou nas redes.
Essa não é a primeira vez que a cúpula da Câmara se queixa da postura de ministros do governo na gestão Lula 3. Integrantes do centrão criticam o discurso, estimulado pelo Planalto e integrantes do PT, de que o Congresso é “inimigo do povo”.
Aliados de Boulos, por sua vez, minimizam as queixas e falam que ele cumpre papel importante na disputa política. Eles afirmam que, na política, é natural o debate entre posições diferentes e dizem que isso deve ocorrer de forma franca. Dois parlamentares também afirmam que o governo diversas vezes é criticado por integrantes do Congresso, mas entende que isso é parte da disputa política.
Além disso, afirmam que Boulos tomou posse no ministério com o objetivo de fortalecer o diálogo do governo com os diferentes segmentos da sociedade, defender as realizações da gestão e fazer essa disputa.