Bolsonaristas reagem à fala de Lula que associou Alerj a milicianos

Presidente da Casa, Douglas Ruas (PL-RJ), postou um vídeo em suas redes afirmando que Lula desrespeitou o povo do Rio

Agência O Globo

Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PL, assume mandato tampão no estado. Foto: Alerj
Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PL, assume mandato tampão no estado. Foto: Alerj

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A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o novo governador seria um miliciano se a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) o escolhesse gerou reações de políticos fluminenses. Após divulgar uma nota com críticas à declaração do petista, o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL-RJ), postou um vídeo em suas redes afirmando que Lula desrespeitou o povo do Rio e fez ataques generalizados. Os deputados federais e estaduais do PL fizeram coro com Ruas.

Líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante repudiou a fala de Lula e lembrou que todos os deputados do Rio de Janeiro foram escolhidos pelos eleitores fluminenses.

“Todos os deputados estaduais foram eleitos pelo voto. (…) Minha total e irrestrita solidariedade, em especial ao presidente Douglas Ruas que já deveria estar governador do Estado como manda a Constituição estadual e federal. Hoje o Estado do RJ vive um golpe”, escreveu Sóstenes em seu perfil no X.

A crítica de Lula à Alerj ocorreu no último sábado, durante evento na Fiocruz, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, o presidente se colocou à disposição do governador interino, o desembargador Ricardo Couto, para ajudar a conter crise de segurança no estado.

— Não é possível que uma cidade como o Rio tenha territórios tomados pela milícia. Vamos juntos devolver os territórios para o povo. Você que não precisou pedir voto… Eu nunca tinha te visto, mas sabia que se a assembleia tivesse que indicar, viria um miliciano. Aproveite esses seis ou dez meses que você tem e ajude a consertar este estado — pediu Lula.

A declaração do presidente foi em referência à tentativa do grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL) de realizar uma eleição indireta para definir seu sucessor, ação barrada na Justiça. Ruas é o candidato da família Bolsonaro para concorrer ao governo do estado em outubro contra o ex-prefeito Eduardo Paes, aliado de Lula.

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Filippe Poubel, líder do PL na Alerj, se disse indignado com as declarações:

— A imagem da Alerj não pode ser manchada ou generalizada por conta da conduta isolada de alguns maus políticos. Existem homens e mulheres sérios, comprometidos com o interesse público.

Rodrigo Amorim classificou as falas do presidente como “inaceitáveis” e disse que sua postura foi “desrespeitosa”.

Ainda no sábado, após as falas de Lula, a Alerj divulgou uma nota na qual afirmou que “respeita as instituições da República” e espera “o mesmo respeito” das autoridades, incluindo o presidente da República. A Assembleia considerou “inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense” e destacou que o Rio enfrenta desafios históricos, “muitos deles relacionados inclusive à ausência de políticas nacionais eficazes de combate ao tráfico de armas, às fronteiras abertas ao crime organizado e à expansão das facções criminosas em todo o país”.

Outro ponto das falas de Lula que gerou críticas foi a afirmação de que Ricardo Couto ficaria no cargo de governador por seis ou dez meses. Não há, no entanto, definição do tempo que o governo interino irá durar. O desembargador permanece no cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) até que a Corte defina o formato das eleições para o Executivo fluminense — se indireta, numa votação da Alerj; ou direta, quando a população vai às urnas.

O presidente do diretório do PL no Rio, Altineu Côrtes (PL-RJ), questionou a afirmação:

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— Ele já anunciou a decisão que está para ser proferida pelo STF?

Altineu se queixou da associação que Lula fez da Casa com milicianos e disse que, se existem políticos envolvidos com a milícia, esses “deveriam ser exemplarmente punidos”.