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Ibovespa sobe 2,4% e dólar cai 3,5% no mês com Previdência, acordo comercial e corte de juros

Benchmark da bolsa fechou outubro em alta apesar da quinta-feira em baixa; confira o que mexeu com as ações nos últimos 31 dias

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (31), mas terminou com uma expressiva alta de 2,36% no mês, impulsionado pela aprovação da reforma da Previdência no Senado, pelo acordo comercial parcial entre Estados Unidos e China e pelo novo corte de juros promovido pelo Banco Central. O dólar comercial, por sua vez, recuou 3,52% nos últimos 31 dias.

O primeiro desses fatores foi a trégua entre EUA e China. O acordo, anunciado no dia 11, prevê aumento nas compras de produtos agrícolas americanos pelos chineses e flexibiliza alguns aspectos do tratamento que o país asiático faz da propriedade intelectual de quem opera lá. Em troca, os EUA se comprometeram a não levar adiante o aumento de 25% para 30% nas tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses.

A reforma da Previdência, por sua vez, foi aprovada no dia 23, com 60 votos favoráveis e 19 contrários no plenário do Senado. O texto estabeleceu, entre outras mudanças, uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, o que deve trazer uma economia de R$ 800 bilhões aos cofres públicos em dez anos.

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Por fim, ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu as taxas de juros em 0,5 ponto percentual, para 5,00% ao ano, e deixou claro que fará um novo corte da mesma magnitude em dezembro, levando a Selic a 4,5%. Apesar disso, o Banco Central desarmou as apostas de um ciclo ainda mais agressivo de reduções nos juros, frustrando casas de análise que já projetavam Selic abaixo de 4% em 2020.

Nesta quinta-feira, o Ibovespa teve queda de 1,1% a 107.219 pontos com volume negociado de R$ 19,299 bilhões.

O desempenho da Bolsa foi em larga escala provocado pela reação negativa do mercado ao resultado do Bradesco, que caiu 4%, arrastando os outros bancos (Itaú caiu 1,7% e Banco do Brasil teve baixa de 0,25%).

Também pesou a queda das bolsas internacionais, após notícias de que oficiais chineses duvidam da possibilidade de um acordo comercial de longo prazo com os Estados Unidos. As informações levam as bolsas internacionais a registrarem baixas hoje.

Já o dólar comercial registrou alta de 0,55% a R$ 4,0079 na compra e a R$ 4,0091 na venda. O dólar futuro para novembro registra ganhos de 0,4% a R$ 4,004.

No mercado de juros futuros, refletindo o Copom, o DI para janeiro de 2021 sobe 16 pontos-base a 4,50%, o DI para janeiro de 2023 tem alta de nove pontos-base a 5,40%. O DI para janeiro de 2025 avança dois pontos-base a 6,02%.

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As más notícias vindas da China se acrescentam ao súbito cancelamento da cúpula de países Ásia-Pacífico, programada para meados de novembro, no Chile, quando existia intenção de que chineses e americanos assinassem a primeira fase do acordo.

Mesmo que a causa seja a onda de protestos que ocorrem no país latino-americano, a decisão levanta dúvidas sobre quando e onde será que os presidentes americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, deverão se reunir.

Entre os indicadores, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) apontou que o trimestre encerrado em setembro terminou com uma taxa de desemprego de 11,8%, queda de 2% sobre o trimestre anterior e estável em relação ao mesmo período do ano passado. A população desocupada está em 12,5 milhões de pessoas.

Outros dados importantes, que são o rendimento médio real habitual e massa de rendimento real habitual, permaneceram estáveis em ambas comparações. A população ocupada somou 93,8 milhões, alta de 0,5% na comparação trimestral e aumento de 1,6% na anual.

Noticiário Corporativo

O banco Bradesco (BBDC3; BBDC4) teve lucro líquido recorrente de R$ 6,542 bilhões no terceiro trimestre, em linha com as expectativas e 19,6% superior na comparação anual. Em comparação ao segundo trimestre, o lucro líquido recorrente avançou 1,2%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) foi de 20,2%, queda de 0,4 p.p. na comparação trimestral, mas alta de 1,2 p.p. na anual.

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR4) reportou lucro líquido dos acionistas controladores no segmento alimentar de R$ 216 milhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 42,8%. De forma consolidada, o lucro somou R$ 166 milhões, representando uma expansão de 29,9%.

A Lojas Americanas (LAME4) registrou lucro líquido consolidado de R$ 48,2 milhões no terceiro trimestre, um desempenho 54,4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

A B2W (BTOW3) reportou uma redução de 4,9% no prejuízo do terceiro trimestre, que somou R$ 102,5 milhões. O Ebitda ajustado aumentou 15,3%, a R$ 152,3 milhões, com margem de 9,1% (+0,6 p.p.).

A Arezzo (ARZZ3) reportou lucro de R$ 39,775 milhões no terceiro trimestre, uma queda de 1% frente resultado de igual intervalo de 2018. O Ebitda somou R$ 83,545 milhões (+18,1%), com margem de 18,9% (+ 1,7 p.p.).

A BR Properties (BRPR3) reverteu prejuízo de R$ 37,104 milhões do terceiro trimestre do ano passado para lucro líquido de R$ 25,599 milhões no mesmo período deste ano.

A CESP (CESP6) viu seu prejuízo líquido recuar 92% no terceiro trimestre, para R$ 7,856 milhões. Já a LOG Commercial Properties teve lucro de R$ 23,096 milhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 114,8%.

A JBS (JBSS3) informou que a agência de rating Standard & Poor´s (S&P) elevou a classificação da JBS para BB de BB-, com perspectiva estável.

Bolsas Internacionais

Os índices de Nova York fecharam em terreno negativo após informação da Bloomberg de que autoridades chinesas têm dúvidas sobre a conclusão de um acordo comercial de longo prazo que poderia colocar fim à disputa comercial entre as duas maiores economias globais.

Segundo a agência, em conversas privadas com visitantes de Pequim e outros interlocutores nas últimas semanas, autoridades chinesas alertaram que não se mexerão nas questões mais espinhosas.

“Eles continuam preocupados com a natureza impulsiva do presidente Donald Trump e com o risco de que ele possa recuar até no acordo limitado que os dois lados dizem querer assinar nas próximas semanas”, acrescenta a Bloomberg.

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Antes da volta de um possível impasse, os futuros de NY apontavam para um pregão com viés de alta, refletindo a decisão da véspera do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que decidiu cortar – como esperado pela maioria do mercado – os juros em 0,25 ponto porcentual nos EUA, para um intervalo entre 1,5% e 1,75%.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou que a política monetária deve se manter apropriada e que será necessário um “aumento sério” na inflação antes das taxas de juros voltarem a ser elevadas. Como a inflação americana está cronicamente abaixo da meta, a fala gera expectativa de que as taxas permaneçam baixas por um longo período.

Os investidores devem também monitorar a movimentação das ações de Apple e Facebook, que divulgaram balanços, após o fechamento do pregão, reportando desempenho acima das expectativas do mercado. Entre os resultados corporativos previstos para hoje destaque para Kraft Heinz e Fiat Chrysler (FCA).

Na Ásia, os mercados fecharam de forma mista, após a China informar que a atividade fabril recuou pelo sexto mês consecutivo em outubro. O PMI (Índice de gerentes de compras) oficial chegou a 49,3 em outubro, recuando ante os 49,8 do mês anterior. Níveis abaixo de 50 significam retração da atividade.

(Com Agência Estado e Bloomberg)

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