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Análise

Bradesco tem mais uma vez um trimestre sólido, mas ação caiu 4%: o que preocupa os investidores?

Antecipação de resultado, expectativa de que números não vão se manter e alta das despesas levam à reação negativa das ações

SÃO PAULO – Mais uma sessão negativa para os mercados, expectativas altas para o balanço e visão de desafios para o futuro. Por estes motivos, e assim como no segundo trimestre de 2019, as ações do Bradesco (BBDC3;BBDC4) reagiram mais uma vez em forte queda, de cerca de 4%, aos resultados do terceiro trimestre. Isso mesmo com a visão dos analistas de um balanço, a princípio, bastante sólido.

O banco teve lucro líquido recorrente de R$ 6,542 bilhões no terceiro trimestre, em linha com as expectativas e 19,6% superior na comparação anual. Em comparação ao segundo trimestre, o lucro líquido recorrente avançou 1,2%. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) foi de 20,2%, queda de 0,4 p.p. na comparação trimestral, mas alta de 1,2 p.p. na anual.

Apesar do lucro em linha com o esperado, algumas características sobre os fundamentos do balanço desapontaram os investidores, que estavam esperando números bastante fortes (vide o forte desempenho dos ativos nas últimas semanas).

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De acordo com a análise da XP Investimentos, apesar do lucro em linha com o consenso, alguns pontos não agradaram. Isso porque o lucro foi impulsionado principalmente por menores despesas com provisão e uma menor alíquota efetiva de impostos. Estas duas linhas estruturalmente não vão ajudar o banco no longo prazo, principalmente com o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em 2020.

“A margem financeira com clientes desapontou, com um crescimento tímido de 5% anualmente para R$ 12,5 bilhões, mesmo com os esforços do Bradesco em mudar o portfólio da carteira de crédito para pessoas físicas e pequenas empresas. Apesar de esperado, as receitas de serviços também apresentaram um fraco crescimento de 3,7% anualmente para R$ 8,4 bilhões”, avaliam os analistas.

Além disso, o segmento de seguros e capitalização reportou seu pior resultado do ano, com baixa de 3% no trimestre para R$ 3,5 bilhões na comparação com o segundo trimestre (sem considerar variações sazonais). No acumulado de 12 meses, seguros cresceram 7% (versus crescimento de 12% no segundo trimestre e de 22% no primeiro trimestre), reforçam.

Os analistas ainda avaliam que, mesmo em um cenário de baixa inflação, o banco tem aumentado significativamente seus gastos. O gasto com pessoal aumentou 12,9% no ano, para R$ 5,7 bilhões, enquanto outras despesas administrativas cresceram 7,3% no ano para R$ 5,5 bilhões.

Aliás, as despesas mais altas foram vistas como o grande destaque negativo para o banco por diversas casas de análise. Durante a teleconferência de resultados, os executivos do banco reforçaram o planejamento para conter os dispêndios. Dentre os planos, está o fechamento de 450 agências até o ano que vem.

O banco reforçou que o fator que contribuiu para a elevação (e que deve continuar no quarto trimestre) é o plano de demissão voluntária, que se encerra nessa quinta-feira e atingiu a adesão de mais de três mil funcionários. Além disso, a instituição financeira está em processo de revisão de contratos com fornecedores.

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“Entendemos que temos que melhorar a linha de despesas e vamos tomar medidas. Já no PDD, já tivemos mais de três mil adesões e podemos afirmar que as despesas trabalhistas serão menores em 2020”, apontou Octavio de Lazari, presidente do banco.

Porém, mesmo com os custos em alta, o banco apontou expectativa de manutenção da rentabilidade. As boas perspectivas de crescimento da economia para 2020 e a expectativa de expansão do crédito e receitas com a busca de produtos financeiros, como previdência privada, também guiam uma visão positiva da instituição financeira.

Perspectivas positivas e desafios com competição

Assim, enquanto do lado positivo estiveram o aumento da carteira de crédito, a queda das provisões e a menor alíquota efetiva com impostos, do lado negativo estão, além da alta dos gastos, o crescimento fraco da margem financeira (principalmente por conta da menor margem de clientes), a decepção com seguros e capitalização e o crescimento fraco de receitas de prestação de serviços.

Os analistas da XP apontam que o crescimento de apenas 3,7% na base anual, para R$ 8,4 bilhões, com prestação de serviços, veio principalmente de receitas de conta corrente, que cresceram 7,1% anualmente para R$ 1,9 bilhão. “A linha está sendo cada vez mais atacada por fintechs e pela tendência geral de mercado”, apontam.

As fintechs, por sinal, são um tema observado de perto pelos investidores de bancos. Vale ressaltar que, na véspera, o Santander Brasil (SANB11) também divulgou seus números e as ações caíram, com diversos analistas tendo um novo olhar sobre os papéis de olho em um horizonte de tempo maior.

Em relatório comentando os números do Santander Brasil, o Brasil Plural também destacou as mudanças sobre o cenário em geral para os bancos. O analista Eduardo Nishio apontou que, olhando para o futuro, talvez a principal preocupação dos investidores continue sendo a de como os bancos históricos permanecerão altamente lucrativos em um ambiente de baixas taxas de juros e aumento da concorrência.

Enquanto isso, no curto prazo, os contínuos atrasos na implementação de reformas estruturais pressionaram 2020. No ano que vem, o aumento de impostos deve consumir o crescimento do lucro por ação, ao mesmo tempo em que o PIB acelerando, mas ainda não em ritmo constante, além da redução das taxas e spreads para lidar com a crescente concorrência e pressões regulatórias são focos de pressão para o setor. Tal cenário já prenuncia um trimestre com incertezas renovadas sobre os grandes bancos, o que levou a uma sessão de baixa para as ações do setor como um todo nesta quinta-feira, entre 2% e 3%.

Com relação ao Bradesco especificamente, a maior parte dos analistas de mercado segue otimista. Das 18 casas de análise consultadas pela Bloomberg, 13 possuem recomendação de compra, 3 recomendam manutenção e apenas 2 orientam posição de venda nos papéis.

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O Credit Suisse, que tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado), tem boas perspectivas ao apontar que a empresa deve continuar com um sólido crescimento de lucros nos próximos trimestres. O Itaú BBA, com a mesma recomendação, também destaca que a instituição sustenta um bom nível de lucratividade, com a possibilidade de pagamentos adicionais nos próximos trimestres.

Os analistas seguem otimistas com os ativos do banco, mas estão cada vez mais de olho no cenário competitivo, no ritmo do crescimento da economia e na atuação do banco para conter as despesas para entender para onde as ações devem ir na bolsa.

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