Pré-mercado

Ibovespa futuro abre em queda, acompanhando performance americana; Ucrânia e inflação no radar

Bolsas americanas recuam com guerra na Ucrânia e com investidores aguardando números da inflação na maior economia do mundo

Por  Vitor Azevedo -

O Ibovespa futuro opera em queda no começo do pré-mercado desta sexta-feira (25). Às 9h25 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em abril cai 0,65%, aos 111.990 pontos, acompanhando os futuros das bolsas americanas.

Nos Estados Unidos, os futuros recuam, após, na véspera, terem fechado em alta, com investidores interpretando as sanções contra a Rússia, por conta do ataque à Ucrânia, como leves. O futuro do Dow Jones cai 0,51%, o do S&P 500, 0,47% e o da Nasdaq, 0,35%.

“De todo modo, o impacto das medidas é limitado, afinal de contas não é apenas militarmente que a Rússia estava em vantagem, existe também uma dependência grande das produções de lá, ao passo que o aperto econômico tem que ser suficiente para punir apenas os russos, sem representar um autoflagelo”, comentou Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Durante a madrugada, as forças militares russas avançaram sobre o território ucraniano – comentários são de Kiev está cercada, com alguns prédios do governo já tomados por equipes especiais sob o comando de Vladimir Putin.

Além das tensões na Ucrânia, os investidores americanos também se posicionam com cautela nesta sexta por conta da divulgação do índice PCE de inflação, às 10h30. Esse dado é o principal a ser levado em consideração pelos diretores do Federal Reserve na hora de decisões sobre a taxa de juros do país. O rendimento dos treasuries com vencimento em dez anos voltam a flertar com os 2%, a 1,998% no pré-mercado.

“No calendário econômico, o destaque de hoje é o Deflator de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA, indicador de inflação favorito do Fed. O consenso do mercado espera que o indicador tenha atingido 5,2% ano a ano em janeiro, o nível mais alto desde 1983”, comenta a XP Investimentos, em seu morning call.

Europa e Ásia avançam, se recuperando de parte das quedas da véspera

Enquanto os futuros americanos caem, os principais índices da Ásia fecharam em alta e os da Europa avançaram. Na quinta-feira, ao contrário dos seus pares americanos, as bolsas dos dois continentes, porém, fecharam em forte queda, refletindo a ofensiva russa.

O DAX, da Alemanha, avança 1,50%. O FTSE, de Londres, sobe 2,12%. O CAC 40, da França, tem alta de 1,63%. Por fim, o STOXX 600 de toda a Zona do Euro, tem alta de 1,92%.

O MOEX, principal índice da bolsa de valores russa, tem alta de 12,11%, após cair mais de 45%, também com a percepção também de que a sanções foram mais leves do que o esperado.

“O presidente dos EUA Joe Biden anunciou sanções mais duras à Rússia, mas o país não foi desconectado do SWIFT, estrutura de mensagens financeiras que conecta bancos ao redor do mundo, o que era defendido por alguns líderes, como o primeiro-ministro do Reino Unido Boris Johnson”, comentou a XP.

Ainda segundo a XP, o medo do mercado era de que tirar a Rússia do comércio exterior poderia intensificar as interrupções na cadeia de suprimentos e a inflação global de custos.

O petróleo, com isso, deixou o patamar de US$ 100 e agora é negociado a US$ 98,61. O gás natural, commodity qual a Rússia é importante provedor para a Europa recua 2,28%.

Além da guerra, na Europa, investidores repercutem também a publicação de diversos dados. O PIB alemão, por exemplo caiu menos do que o esperado no quarto trimestre, com queda 0,3%, ante 0,7% do consenso. Na França, o PIB cresceu 0,7%, na linha com as expectativas.

Já para toda a região, o indicador de sentimento econômico da Comissão Europeia subiu para 114 em fevereiro, de 112 em janeiro. Na frente da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor francês saltou 0,7% em fevereiro, pouco mais do que os 0,4% traçado como expectativa – em termos anualizados a inflação atingiu 3,6%, acima da meta de 2% do Banco Central Europeu.

Na Ásia, a maioria das bolsas fechou também no verde. O Nikkei, do Japão, avançou 1,95%. O Shaghai, da China, subiu 0,63%. O Kospi, da Coréia do Sul, avançou 1,06%. Apenas o HSI, de Hong Kong, recuou, com baixa de 0,59%.

A China, durante a madrugada, se posicionou contra as sanções “unilaterais e ilegais” impostas à Rússia pelo Ocidente. O ministro de Relações Exteriores do país afirmou reconhecer a soberania da Ucrânia, mas não classifica o ataque russo como uma invasão e afirmou acreditar que as sanções apenas aumentarão o problema.

No cenário interno, balanços

No Brasil, o pregão tem poucas notícias locais – Brasília continua com poucas movimentações e não há dados macroeconômicos na agenda.

O destaque fica, então, para a repercussão de balanços. Entre a noite de ontem e a manhã de hoje, companhias como a Vale (VALE3), IRB (IRBR3), Hypera (HYPE3) e JHSF (JHSF3) divulgaram seus resultados do quarto trimestre.

Após forte alta da véspera, o dólar cai frente ao real nesta sexta. O contrato futuro da moeda americana recua 0,65%, a R$ 5,094. O dólar comercial cai 0,11%, a R$ 5,099 na compra e a R$ 5,100 na venda.

A curva de juros no brasil cai na ponta curta e em seu meio, mas sobe na longa. A taxa do DI vincendo em janeiro de 2023 cai três pontos base, para 12,41%, e a do DI para 2025 cai um ponto, para 11,33%. Os rendimentos dos DIs para 2027 e 2029 avançam, ambos, um ponto, para 11,24% e 11,42%.

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