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Ibovespa fecha 1º pregão do ano em queda com avanço do coronavírus e lockdown na Inglaterra; dólar sobe a R$ 5,26

Mercado começa o ano com o pé esquerdo, mas desempenhos positivos de Petrobras e Vale impedem uma baixa maior

Trading chart with business cell of coronavirus CODIV-19 on the transparent background
(Pincio/Getty Images)

SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira (4), primeiro pregão do ano, após ter chegado a renovar máxima história intradiária no início da sessão. Pesou no mercado o desempenho das bolsas internacionais em um dia de preocupação com o avanço do coronavírus, culminando no anúncio de lockdown na Inglaterra.

No fim da tarde, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, informou que a população do país não poderá sair de casa exceto para comprar produtos essenciais, trabalhar quando o home office for impossível, fazer exercícios ou ir ao médico.

A universidade de Johns Hopkins revelou que mais de 20 milhões de casos de Covid-19 foram registrados nos Estados Unidos. No mundo todo, as infecções somam 85 milhões. Os dados acabaram alimentando as vendas em Wall Street, com os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerrando a sessão em quedas de 1,25%, 1,48% e 1,47% respectivamente.

Por aqui, quem pesou negativamente no índice foram os bancos. O Itaú Unibanco (ITUB4), o Bradesco (BBDC3; BBDC4) e o Banco do Brasil (BBAS3) registraram perdas entre 2,3% e 3,2%. Juntos, os papéis dessas três instituições respondem por 15,7% da carteira teórica do Ibovespa.

Já quem ajudou a limitar as perdas foram as blue chips ligadas a commodities. Petrobras (PETR3; PETR4) subiu 2% e Vale (VALE3) avançou 4,6%. Juntas, as ações dessas empresas compõem 21,6% do principal índice acionário da B3. Para mais destaques de ações, clique aqui.

O Ibovespa teve queda de 0,14%, a 118.854 pontos com volume financeiro negociado de R$ 30,327 bilhões. Na máxima de hoje, a Bolsa atingiu 120.353 pontos, superando o recorde histórico intradiário do pregão de 30 de dezembro, quando o benchmark bateu 120.149 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial teve alta de 1,53%, a R$ 5,2671 na compra e R$ 5,2681 na venda. Já o dólar futuro com vencimento em fevereiro sobe 1,93%, a R$ 5,297 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 teve queda de quatro pontos-base a 2,82%, DI para janeiro de 2023 recuou dois pontos-base a 4,18%, DI para janeiro de 2025 registrou variação positiva de um ponto-base a 5,66% e DI para janeiro de 2027 caiu três pontos-base a 6,40%.

Mais cedo, as bolsas chegaram a subir por conta da continuidade da vacinação contra o coronavírus em diversos países do mundo. Já são 51 os países que começaram a imunizar suas populações contra a doença.

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Ainda no exterior, a principal pauta são as revelações de que o presidente americano, Donald Trump, pressionou oficiais por recontagem na Geórgia, estado em que perdeu as eleições em 2020. O áudio da ligação foi divulgado e gera um ciclo de notícias negativas em momento decisivo para eleição para duas vagas no Senado pelo estado, que ocorre amanhã.

Uma vitória democrata tinha cerca de 30% de chances, segundo os mercados de apostas. Agora, o site Predictit precifica republicanos com 54% e democratas com 48% de chance de controlar a Casa [a soma não é 100% devido às regras dos sites de apostas]. Na Câmara, como esperado, Nancy Pelosi foi eleita para liderar a Casa, agora com vantagem mais enxuta dos democratas.

Relatório Focus

A expectativa mediana dos economistas do mercado financeiro para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 foi revisada para uma retração menor, mostrou o primeiro Relatório Focus do Banco Central de 2021. Na semana passada, os economistas esperavam uma queda de 4,4% no PIB em 2020, agora a projeção é de uma contração de 4,36%.

Já para 2021, as estimativas foram reduzidas de um crescimento de 3,49% para um de 3,40% no PIB.

Em relação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a projeção oscilou de 4,39% para 4,38% em 2020. Para 2021, a expectativa foi cortada de 3,34% para 3,32%.

Vacinação no Brasil

O consórcio de veículos de imprensa que sistematiza dados sobre Covid coletados por secretarias estaduais de Saúde no Brasil divulgou, às 20h (horário de Brasília) de domingo (3), o avanço da pandemia em 24h no país.

A média móvel de casos confirmados em 7 dias foi de 35.810, queda de 25% frente o período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registrados 17.252 casos. A média móvel de mortes em 7 dias foi de 698. Com isso, houve queda de 9% frente a média móvel do período encerrado 14 dias antes. Em apenas um dia foram registradas 287 mortes por Covid.

Na virada do ano, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia restringiu a exportação de seringas e agulhas por empresas brasileiras.

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Os produtos foram incluídos na lista daqueles que precisam de licença especial para serem vendidos para fora do país, de acordo com legislação aprovada em abril visando garantir suprimentos essenciais para lidar com a Covid.

A restrição foi solicitada pelo Ministério da Saúde ao Ministério da Economia em 30 de dezembro, e começou a valer no dia 1º de janeiro.

No pedido, a pasta da Saúde cita o pregão realizado em 29 de dezembro, quando foi capaz de adquirir apenas 2,4% das seringas e agulhas que pretendia para a vacinação contra a Covid – de 7,9 milhões, frente a meta de 331 milhões.

Empresas que participaram do pregão afirmaram que o edital tratava seringas e agulhas como um mesmo produto, e que os preços estavam abaixo daqueles de mercado.

Há questionamentos, no entanto, sobre a eficácia da medida. Segundo estimativa de Paulo Henrique Fraccaro, superintendente da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos) reproduzida pelo portal G1, a exportação não representa hoje nem 10% do total da produção nacional de seringas.

Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Fiocruz a importar dois milhões de doses do imunizante produzido pela parceria entre AstraZeneca e Universidade de Oxford. A fundação realiza os testes do produto no Brasil, e será responsável por fabricá-lo a partir de insumos importados.

Ela deve realizar nesta segunda o pedido formal para uso emergencial da vacina à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que deve analisar o pedido em dez dias. Só então a vacinação poderá se iniciar, o que a Fiocruz diz esperar que ocorra já em janeiro. A previsão inicial era de que o início fosse em fevereiro.

No domingo a ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas), que reúne clínicas privadas que oferecem vacinação, informou que negocia com o laboratório indiano Bharat Biotech a compra de cinco milhões de doses de sua vacina contra a covid, a Covaxin, que teve o uso emergencial aprovado pelas autoridades indianas no mesmo dia.

LDO sancionada

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Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou a Lei de Diretrizes Orçamentárias vetando, entre outros pontos, um dispositivo que impedia a limitação de gastos em ações vinculadas à produção e disponibilização de vacinas contra a Covid-19 e a imunização da população.

Em uma justificativa para vários vetos entre os quais o relativo às vacinas, o governo afirma que esse itens, por não terem ficado passíveis de limitação de empenho, reduziam “o espaço fiscal das despesas discricionárias, além de restringir a eficiência alocativa do Poder Executivo na implementação das políticas públicas”.

Entre outras previsões, a LDO sancionada por Bolsonaro projeta um crescimento real do Produto Interno Bruto de 3,2% neste ano e uma inflação medida pelo IPCA também de 3,2%.

A LDO serve para orientar a Lei Orçamentária Anual (LOA) que ainda precisa, no entanto, ser aprovado pelo Congresso. Sem a votação, o governo federal abre 2021 sem um Orçamento. A expectativa é que só seja aprovado em fevereiro.

Até lá, despesas obrigatórias, como o pagamento de salários de servidores, serão garantidas, mas o governo terá que trabalhar com a liberação de apenas 1/12 dos recursos previstos por mês para despesas discricionárias do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2021.

O Orçamento deve ser de cerca de R$ 1,5 trilhão, porém o Executivo terá liberdade para manejar menos de R$ 100 bilhões, já que a maior parte dos recursos está presa por gastos obrigatórios.

A virada do ano marca também o fim do período de calamidade pública, o que impede o governo de gastar acima do teto de gastos. Isso vinha viabilizando medidas adotadas para lidar com a pandemia, como o auxílio emergencial, que chega ao fim.

Contudo, no radar, o jornal Valor destaca que o reajuste do salário mínimo para 2021, em linha com a variação do INPC do ano passado, deverá comprimir os gastos discricionários para cerca de R$ 72 bilhões, o que implicaria shutdown da máquina pública neste ano

Radar corporativo

O conselho de administração da BB Seguridade aprovou um reforço de capital na Brasilprev de até R$ 1,2 bilhão, de acordo com fato relevante do braço de seguro e previdência do Banco do Brasil à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nesta quarta-feira.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
CSNA37.2841434.17
PRIO36.5678974.8
GGBR46.5030726.04
GOAU44.7957411.8
CSAN34.6348979.24

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
EMBR3-5.423738.37
JHSF3-4.99367.42
IGTA3-4.5491335.46
AZUL4-3.9949137.73
GOLL4-3.9294323.96

Já a Petrobras decidiu readmitir a Compass Gás e Energia, subsidiária da Cosan, no processo de desinvestimento da Gaspetro, após receber aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para o movimento, informou a estatal na última quarta-feira.

A Braskem  anunciou na quarta-feira que fechou acordos com autoridades para extinguir ações civis públicas relacionadas a um evento geológico com afundamento do solo ocorrido em Alagoas, para compensação dos moradores e reparação socioambiental.

(Com Reuters, Agência Estado e Bloomberg)

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