Criptomoedas apagam ganhos após sell-off em Wall Street; indicador sugere êxodo geral de investidores

Bitcoin perdeu pouco após sessão negativa em Wall Street e mantém suporte dos últimos seis dias, mas demais criptos seguem mais enfraquecidas

Paulo Barros CoinDesk

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O mercado de criptomoedas começou a semana em alta, mas foi abalado na segunda-feira (5) pela reação das bolsas dos Estados Unidos a novos dados econômicos mais fortes que o esperado, reduzindo expectativas por uma queda nos juros diante da inflação persistente.

As bolsas de Nova York recuaram, com os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caindo 1,4%, 1,79% e 1,93%, respectivamente. O sell-off afetou os ativos digitais, mas o Bitcoin perdeu pouco espaço e cedeu apenas de US$ 17.300 para US$ 17.000 nas últimas 24 horas – mantendo, dessa forma, o mesmo suporte dos últimos seis dias.

O impacto foi mais sentido em criptomoedas menores, que haviam subido mais forte do que o BTC e caem de maneira mais aguda na manhã de hoje. Ethereum (ETH), Binance Coin (BNB), XRP e Cardano (ADA) perdem mais de 2% cada, e Dogecoin (DOGE) cede 6,2%.

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“Os ganhos anteriores do Bitcoin evaporaram depois que um relatório de serviços forte do ISM (Institute of Supply Management) alimentou as apostas de que o Fed poderá aplicar um aperto muito maior do que os mercados estão precificando atualmente”, escreveu Edward Moya, analista sênior de mercado da Oanda.

O índice de serviços do Institute of Supply Management referente a novembro alimentou novamente os temores de que a economia dos EUA exigirá que o banco central dos EUA administre uma dosagem de longo prazo de aumentos nas taxas de juros mais severos do que o esperado em meados de novembro, quando o Índice de Preços ao Consumidor (PCI, na sigla em inglês) caiu.

O relatório de serviços do ISM veio apenas três dias depois que um dado de empregos também mais forte que o esperado levantou preocupações de que a economia americana não está se contraindo o suficiente, mantendo firme o temor da inflação continuada.

O BTC sustenta os US$ 17 mil na manhã desta terça-feira (6) apoiado por um respiro entre investidores americanos, com futuros de Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançando levemente em 0,12%, 0,16% e 0,19%. Segundo analistas, a criptomoeda parece estar tentando se recuperar da implosão da exchange cripto FTX – sem essa crise, apontou um levantamento, a moeda digital deveria estar sendo negociada a US$ 29 mil. Essa marca, no entanto, deve demorar para ser retomada.

Assista: Câmara abandona lei que impediria “nova FTX” no Brasil. E agora?

Para Glenn Williams, analista de criptomoedas do CoinDesk, o recente declínio nas taxas de poupança do consumidor dos EUA para o segundo nível mais baixo em 60 anos sugere que o mercado cripto provavelmente permanecerá estático pelo menos no futuro próximo.

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“Como os investidores de varejo compreendem uma parcela considerável dos investidores em cripto, a erosão contínua do poder de compra provavelmente pesará sobre os preços do BTC e do ETH”, escreveu Williams. “Enfrentamos um coquetel de taxas de juros mais altas, diminuição do poder de compra e aumento dos níveis de endividamento”.

Analistas vêm se debruçando sobre o comportamento da dominância do Bitcoin, uma métrica usada para medir a participação da criptomoeda no bolo total de valor de mercado dos ativos digitais. Em tempos de crise, a dominância do BTC costuma disparar enquanto a investidores saem de posições em criptos menores e alocam na maior cripto do mercado.

Durante a mais recente crise com a FTX, no entanto, a taxa de dominância do Bitcoin ficou estagnada na faixa de 40%. Mas, o que normalmente seria visto como um sinal positivo, segundo especialistas, pode indicar um momento delicado para o setor: êxodo em massa de investidores do mercado cripto.

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“O BTC não superou o lado negativo nos últimos meses, então os investidores [de criptomoedas] não o veem mais como um porto seguro”, disse Wes Hansen, diretor de negociação e operações do fundo cripto Arca.

Por outro lado, Katie Talati, head de pesquisa da Arca, afirma que as criptos provavelmente já chegaram ao fundo do poço. “Não faço previsões de preços, mas acho que provavelmente vimos o fundo do poço em termos de preços e sentimento de mercado nas últimas semanas”, disse Talati.

Confira o desempenho das principais criptomoedas às 7h:

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Criptomoeda Preço Variação nas últimas 24 horas
Bitcoin (BTC) US$ 16.990,65 -1,90%
Ethereum (ETH) US$ 1.258,25 -2,90%
Binance Coin (BNB) US$ 288,47 -2,30%
XRP (XRP) US$ 0,384097 -2,10%
Dogecoin (DOGE) US$ 0,100881 -6,20%

As criptomoedas com as maiores altas nas últimas 24 horas:

Criptomoeda Preço Variação nas últimas 24 horas
Synthetix Network (SNX) US$ 1,92 +4,90%
Axie Infinity (AXS) US$ 8,85 +4,00%
Frax Share (FXS) US$ 5,21 +3,50%
Stacks (STX) US$ 0,263731 +2,70%
Chain (XCN) US$ 0,03927124 +2,00%

As criptomoedas com as maiores quedas nas últimas 24 horas:

Criptomoeda Preço Variação nas últimas 24 horas
GMX (GMX) US$ 51,22 -7,10%
Dogecoin (DOGE) US$ 0,100881 -6,20%
Cronos (CRO) US$ 0,066907 -5,80%
Nexo (NEXO) US$ 0,658986 -5,40%
Shiba Inu (SHIB) US$ 0,00000934 -4,90%

Confira como fecharam os ETFs de criptomoedas no último pregão:

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ETF Preço Variação
Hashdex NCI (HASH11) R$ 15,79 +0,57%
Hashdex BTCN (BITH11) R$ 21,15 +0,95%
Hashdex Ethereum (ETHE11) R$ 19,40 -1,02%
Hashdex DeFi (DEFI11) R$ 18,00 +3,86%
Hashdex Smart Contract Plataform FI (WEB311) R$ 12,25 -0,40%
Hasdex Crypto Metaverse (META11) R$ 31,50 +1,61%
QR Bitcoin (QBTC11) R$ 5,10 +0,39%
QR Ether (QETH11) R$ 4,41 -1,78%
QR DeFi (QDFI11) R$ 3,03 -0,32%
Cripto20 EMPCI (CRPT11) R$ 5,76 -3,83%
Investo NFTSCI (NFTS11) R$ 19,83 +10,03%
Investo BLOKCI (BLOK11) R$ 78,40 +0,03%

Veja as principais notícias do mercado cripto desta terça-feira (6):

Goldman Sachs de olho em empresas cripto

O Goldman Sachs pretende gastar dezenas de milhões de dólares em empresas cripto cujas avaliações foram afetadas após a implosão do FTX, informou a Reuters nesta terça-feira (6).

“Vemos algumas oportunidades realmente interessantes, com preços muito mais sensatos”, disse Mathew McDermott, head de ativos digitais do Goldman, à Reuters.

O Goldman vê uma necessidade crescente de players confiáveis no setor, o que os bancos veem como uma oportunidade, de acordo com McDermott.

O banco não respondeu ao pedido de comentário do CoinDesk até o momento da publicação.

Dificuldade da mineração de Bitcoin despenca

A dificuldade para minerar um bloco de Bitcoin caiu 7,32% entre ontem e hoje, em meio ao movimento de mineradores desligando máquinas pela dificuldade em manter lucros com preços em queda.

Segundo dados do pool de mineração BTC.com, é a maior queda desde julho de 2021, quando mineradores abandonaram a rede seguindo a proibição da indústria na China.

Na época, o país era o maior centro de mineração de Bitcoin do mundo.

A dificuldade de mineração se ajusta automaticamente de acordo com o poder de computação da rede, visando manter o tempo necessário para minerar um bloco de Bitcoin praticamente estável, em torno de 10 minutos. Quanto mais mineradores estiverem trabalhando, maior será a dificuldade.

Bitget libera prova de reservas

Após promessa no mês passado, a exchange de criptomoedas Bitget liberou na segunda-feira (5) sua Prova de Reservas, ferramenta que ajuda a verificar que depósitos de clientes têm liquidez.

Acompanhando iniciativa do mercado para aumentar a transparência no setor, a solução é organizada em uma Merkle Tree, espécie de diagrama auditado de maneira criptográfica que mostra saldos nas carteiras de criptomoedas.

A corretora fornece dados atualizados mensalmente e também permite que os próprios usuários auditem os saldos em suas contas.

“O lançamento da Proof of Reserves e dos dados da Merkle Tree fornecem aos usuários informações atualizadas e detalhadas sobre a situação financeira da Bitget oferecendo maior controle sobre seus ativos guardados na corretora”, explica Gracy Chen, diretora administrativa da Bitget.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)