Dividendos e investimentos

CEOs da Localiza, Qualicorp e Totvs falam sobre o impacto da reforma tributária nas companhias

Executivos participaram de mesa redonda durante o Melhores da Bolsa 2021, evento que celebra ranking com empresas de capital aberto mais relevantes do país

SÃO PAULO – A reforma tributária está sendo acompanhada de perto pelas empresas de capital aberto e por seus acionistas. Para os CEOs de empresas como Localiza (RENT3), Qualicorp (QUAL3) e Totvs (TOTS3), a conclusão da reforma ainda é incerta. Mesmo assim, o foco das três companhias está mais em crescimento e menos em distribuição de dividendos.

A reflexão veio de um painel realizado durante o evento Melhores da Bolsa 2021. O evento celebra o ranking das empresas de capital aberto mais relevantes do país. O Melhores da Bolsa analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados.

Veja as premiadas em todos os setores e se inscreva para acompanhar os próximos painéis do evento. A Totvs foi eleita a melhor empresa do setor de tecnologia no Melhores da Bolsa 2021. Já a Localiza foi considerada a melhor empresa do setor de consumo. Por fim, a Qualicorp foi a ganhadora entre as empresas do setor de saúde.

Os CEOs dessas empresas participaram de uma mesa redonda durante o Melhores da Bolsa 2021. Dennis Herszkowicz, Bruno Lasansky e Bruno Lasansky falaram sobre a reforma tributária; sobre adaptação das companhias à pandemia de Covid-19; e sobre tendências como movimento ESG entre as companhias de capital aberto.

Reforma tributária e impacto em dividendos e JCP

A segunda fase da proposta de reforma tributária, enviada ao Congresso pelo Ministério da Economia na sexta-feira (25), propôs medidas como a tributação de 20% sobre os dividendos pagos pelas empresas e a extinção do pagamento de proventos na forma de JCP (Juros Sobre o Capital Próprio).

A XP destacou que a medida dará um incentivo para empresas reterem lucros e reinvestirem em crescimento. Além disso, como ocorreu nos EUA, as empresas terão também um incentivo a fazer mais recompras de ações ao invés de pagar dividendos.

Essa análise foi corroborada pelos CEOs de Localiza, Qualicorp e TOTVS. “Fazemos uso sim de JCP, que está sendo discutido, e teremos de reavaliar em um cenário de mudança. Mas entendemos que ainda tem bastante discussão pela frente nessa reforma”, disse Lasansky.

O CEO destacou a Localiza como empresa em expansão. “Usamos o caixa gerado pela operação para apostar em avenidas de crescimento. O segmento de mobilidade é uma opção segura em um contexto de pandemia. A penetração de aluguel de carros no país como um todo ainda tem bastante espaço. Nossa política tem sido majoritariamente alocar capital, por geração de caixa e por geração de dívida, para tais avenidas.”

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Já Blatt destacou que houve recentemente uma distribuição “bastante agressiva” de dividendos na Qualicorp. Foram mais de R$ 570 milhões no ano, equivalendo a quase R$ 2 por ação. Agora, o CEO destacou que os ganhos da companhia serão mais focados em crescimento – seja pela operação atual ou por fusões e aquisições (M&As).

“Somos uma empresa geradora de receita e asset light. Essas características da companhia vão perdurar. Crescemos organicamente e existem diversos M&As que fazem sentido. Termos caixa para seguir consolidando e expandindo regionalmente, buscando oportunidades que vão agregar valor ao cliente e ao setor, está como prioridade em comparação com a distribuição de dividendos.”

Já a Totvs destacou que já não costumava fazer distribuição agressiva de dividendos. “O impacto na Totvs não é gigantesco porque não somos uma grande pagadora de dividendos, porque temos um múltiplo alto. O yield é proporcionalmente baixo, girando em cerca de 1% a 1,5% ao ano. Já temos um uso grande da rentabilidade gerada em crescimento orgânico e aquisições”, concordou Herszkowicz.

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Os executivos ressaltaram que a proposta ainda deve passar por mudanças, então mudanças na política de distribuição de dividendos em suas companhias ainda não estão fechadas. O CEO da Totvs, porém, ressaltou que é preciso se aprofundar na discussão para não levar a um aumento de carga tributária para as empresas.

“Tudo que desonere pessoas e companhias é muito bem-vindo, mas temos que tomar cuidado para ver se o efeito será neutro e para não prejudicar empresas que vão bem. Quando você taxa de determinada maneira, pode eventualmente beneficiar empresas que usam dívidas versus empresas que usam capital próprio, como no caso [da extinção de] JCP.”

O governo propôs a redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica dos atuais 15% para 12,5% no próximo ano e para 10% a partir de 2023. Paulo Guedes, ministro da Economia, ressaltou que a alíquota poderia cair para 10% já em 2022.

Contextos diferentes, resultados fortes

Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs, creditou a resiliência da empresa frente à pandemia ao fato de a Totvs fornecer serviços críticos para as companhias atendidas. A Totvs é focada em softwares de gestão empresarial e atende 40 mil negócios em 13 segmentos. “Se pararmos de funcionar, o cliente vai ter dificuldade de operar no dia seguinte. É um momento complexo, mas conseguimos uma performance muito importante. A companhia conseguiu crescer forte no ano passado e segue crescendo forte no começo deste ano”, disse Herszkowicz.

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Já Bruno Lasansky, CEO da Localiza, desenhou um contexto diferente para o setor de mobilidade: a mobilidade foi bastante afetada pela pandemia de Covid-19. Lasansky afirma que a Localiza se organizou em quatro frentes: tarifas especiais para clientes; trabalho remoto, telemedicina e eventuais carros de locomoção para os funcionários; operação ajustada para devolução simultânea de diversos veículos; e reforço no caixa.

A maior companhia de aluguel de veículos e gestão de frotas do país divulgou que teve lucro líquido de R$ 482,3 milhões no primeiro trimestre, mais que o dobro (108,9%) do desempenho do mesmo período do ano passado.

Bruno Blatt, CEO da Qualicorp, também afirma que o setor de saúde foi afetado pela pandemia de Covid-19. A empresa de planos de saúde suplementares investiu R$ 16 milhões especificamente no combate à pandemia, por meio da criação de hospitais de campanha e de mais leitos. Blatt também reforçou adaptações internas, como troca de lideranças e foco em áreas como atendimento ao consumidor e crescimento.

A Qualicorp tem hoje 40 mil corretores de seguros. No painel, Blatt destacou o potencial do mercado de planos de saúde suplementares. “Dos 210 milhões brasileiros, apenas 48 milhões tem algum tipo de proteção”, disse o CEO.

Esforços em ESG

Uma tendência entre as companhias de capital aberto é o movimento ESG. A sigla se refere a adotar práticas que sustentam as esferas ambiental, social e de governança – e recentemente foi mais incorporada por gestores de ativos e de empresas.

Segundo Herszkowicz, o ESG é uma tendência “imprescindível e sem volta”. “Não faz sentido você imaginar que existem empresas que não se preocupam com governança, transparência, inclusão, diversidade e meio ambiente num ambiente de Bolsa. É impensável. Não tenho dúvidas de que a relevância do ESG só vai aumentar. Quem demorar também vai ser atropelado, como na tecnologia”, disse Herszkowicz. O CEO exemplifica que a Totvs ajuda seus cerca de 40 mil clientes a reduzirem a pegada de carbono.

“Temos que fazer porque é o certo, mais do que para agradar investir ou cumprir regras de ESG. Estamos fazendo isso há pouco tempo na companhia, estamos passando por uma grande transformação nos últimos 17 meses”, completa Blatt, referindo-se ao tempo desde que assumiu como CEO da Qualicorp. Blatt afirma que mais de 70% da Qualicorp são mulheres, 55% delas em cargo de liderança. 30% dos funcionários se reconhecem como pretos ou pardos, e 20% deles estão em cargos de liderança.

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Lasansky afirma que o cenário atual só reforçou a preocupação com o ESG. “A pandemia trouxe uma oportunidade de mostrar a diferença que as empresas podem ter num cenário como esse. Elas têm um papel que vai além de gerar valor aos clientes, colaborar e acionistas”, afirmou o CEO da Localiza. Lasansky ressaltou iniciativas da companhia na esfera ambiental, como neutralização da pegada de carbono, tratamento de resíduos, lavagem a seco, uso de painéis solares nas agências e educação no trânsito.

Melhores da Bolsa

InfoMoney premia anualmente as melhores empresas da Bolsa, com base num ranking exclusivo feito pela provedora de serviços financeiros Economatica e pela escola de negócios Ibmec.

O ranking analisa critérios quantitativos e qualitativos das empresas de capital aberto num período de três anos – o objetivo de escolher um período superior a um ano é valorizar a consistência de resultados (leia mais sobre a metodologia abaixo). Com base nesses critérios, são premiadas as melhores empresas entre os principais setores da Bolsa, e também a melhor companhia do mercado.

A pesquisa indica ainda qual é a grande revelação do mercado: a empresa que se destacou entre as que abriram capital há menos de três anos. Essa companhia ainda será revelada no evento do Melhores da Bolsa 2021.

As estratégias dos melhores investidores do país e das melhores empresas da Bolsa, premiadas num ranking exclusivo: conheça os Melhores da Bolsa 2021