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Bolsas da Ásia recuam, enquanto Europa sobe sem referência de NY; críticas à Petrobras e mais assuntos do mercado hoje

Noticiário político deve ser mais uma vez o foco no Brasil, com a atuação do governo federal e do Congresso para conter preço de combustíveis

Por  Felipe Moreira -

Os mercados europeus operam em ligeira alta, enquanto a maioria das bolsas da Ásia fecharam em baixa nesta segunda-feira (20), à medida que investidores refletem sobre incerteza econômica. Os mercados nos EUA estão fechados devido ao feriado de Juneteenth.

As operações mornas na sessão de hoje acontecem após uma semana turbulenta de negociação com uma enxurrada de ações dos bancos centrais.

O Fed dos EUA elevou sua taxa básica de juros em 75 pontos base, sua maior alta desde 1994, antes de o Banco Nacional Suíço surpreender os mercados com sua primeira alta desde 2007 e o Banco da Inglaterra implementar sua quinta alta consecutiva nos juros.

Após uma reunião de emergência na quarta-feira passada, o Banco Central Europeu também anunciou que planeja criar uma nova ferramenta para enfrentar o risco de fragmentação da zona do euro , uma medida destinada a amenizar os temores de uma nova crise da dívida para o bloco da moeda única.

Na China, as taxas primárias de empréstimos de um e cinco anos foram mantidas após reunião do banco central do país segunda-feira. Isso correspondeu à previsão em uma pesquisa da Reuters, em que a grande maioria dos entrevistados previu nenhuma mudança para os LPRs de um ano ou cinco anos.

No Brasil, investidores aguardam a ata do Copom amanhã para ajustar apostas ao fim do aperto monetário, o que pode ser esclarecido pela disposição do BC de abandonar a meta de 2023. O IPCA-15, principal indicador da agenda, sai na sexta-feira (24).

Na frente política, a guerra aberta contra a Petrobras (PETR3;PETR4)  pelo governo e Congresso segue sob holofotes, com Arthur Lira ameaçando dobrar a CSLL da empresa e implantar o imposto de exportação para compensar a alta dos combustíveis.

A proposta será discutida na reunião de líderes dos partidos que Lira convocou para esta segunda-feira (20) para discutir a política de preços da Petrobras, hoje atrelada ao mercado internacional.

Confira mais destaques:

1.Bolsas Mundiais

Estados Unidos

Os mercados nos EUA estão fechados nesta segunda-feira (20) por um feriado. O S&P 500 na semana passada teve sua pior semana desde 2020 , com os investidores lidando com a perspectiva de uma possível recessão à frente, à medida que os principais bancos centrais, como o Fed, aumentam as taxas para combater a inflação. Já os mini-contratos futuros têm leve alta nesta data.

Veja o desempenho dos mercados futuros:

  • Dow Jones Futuro (EUA), +0,43%
  • S&P 500 Futuro (EUA), +0,65%
  • Nasdaq Futuro (EUA), +0,77%

Ásia

Os mercados asiáticos fecharam no vermelho em sua maioria, com os investidores monitorando a reação do mercado à divulgação das últimas taxas de juros de referência da China.

Na Coreia do Sul, o Kospi liderou as perdas entre os principais mercados da região, pois caiu 2,04% para fechar em 2.391,03, com as ações da Samsung Electronics caindo e a fabricante de chips SK Hynix caindo perto de 2% cada.

As taxas primárias de empréstimos de um e cinco anos da China foram mantidas.

  • Shanghai SE (China), -0,04%
  • Nikkei (Japão), -0,74%
  • Hang Seng Index (Hong Kong), +0,42%
  • Kospi (Coreia do Sul), -2,04%

Europa

Os mercados europeus operam cautelosamente em alta nesta segunda-feira, após uma semana tumultuada de negociações na semana passada.

Na frente de dados na Europa, os preços ao produtor alemão subiram 33,6% ano a ano em maio, seu maior aumento já registrado, de acordo com novas estatísticas oficiais publicadas segunda-feira.

As ações da Renault subiram mais de 6% na segunda-feira, depois que Jefferies elevou a recomendação para as ações da montadora francesa para “comprar” de “manter”.

  • FTSE 100 (Reino Unido), +0,66%
  • DAX (Alemanha), +0,61%
  • CAC 40 (França), +0,05%
  • FTSE MIB (Itália), +0,58%

Commodities

As cotações do petróleo recuam nesta segunda-feira, revertendo os ganhos anteriores, já que as preocupações com a desaceleração do crescimento econômico global e a demanda por combustível compensaram as preocupações com o aperto na oferta.

    • Petróleo WTI, -0,58%, a US$ 108,87 o barril
    • Petróleo Brent, -0,94%, a US$ 112,06 o barril
    • Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve baixa de 10,98%, a 746,00 iuanes, o equivalente a US$ 111,54

Bitcoin

  • Bitcoin, +10,11% a US$ 20.523,01 (em relação à cotação de 24 horas atrás)

2. Agenda

Na agenda doméstica da semana, atenção para a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) – que elevou a Selic em 0,5 ponto, para 13,25% ao ano. No comunicado que acompanhou o anúncio da decisão, o Banco Central projetou novo ajuste na taxa básica de juros de igual ou menor magnitude. A ata será publicada na terça-feira (21), podendo trazer novas informações sobre suas próximas decisões e o ponto terminal da Selic.

Já o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, para junho será divulgado na sexta-feira (24). O Itaú antecipa um aumento mensal de 0,74%, levando a taxa anual a 12,10% (de 12,20% em maio). O Bradesco espera uma alta mensal de 0,73%, com núcleos ainda pressionados.

Leia também: Ata do Copom, IPCA-15, discussão sobre preços dos combustíveis e falas do Fed: o que acompanhar na semana

Sobre a atividade econômica, o Itaú destaca que a semana será relativamente vazia, com apenas a pesquisa de confiança dos consumidores da FGV referente a junho, a ser divulgada na sexta.

No exterior, atenção para discursos de membros do Federal Reserve e primeiras sondagens de junho. Jerome Powell, presidente do Fed, fala no Senado americano na quarta (22) e na Câmara na quinta (23), enquanto diversos presidentes regionais discursam ao longo da semana.

Na quinta feira são divulgadas as primeiras leituras do índice PMI industrial de junho da Área do Euro, do Reino Unido e dos EUA.

Brasil

8h: IPC-S semanal

15h: Balança comercial semanal

19h: Paulo Guedes, ministro da Economia, se reúne com o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, e representantes do setor supermercadista

3. Ofensiva contra Petrobras continua

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez novas ameaças à Petrobras neste domingo por causa da sua política de preços dos combustíveis e cobrou respeito da estatal ao povo brasileiro. Nas redes sociais, Lira afirmou que se “a Petrobras decidir enfrentar o Brasil, ela que se prepare: o Brasil vai enfrentar a Petrobras”.

“Não queremos confronto, não queremos intervenção. Queremos apenas respeito da Petrobras ao povo brasileiro. Se a Petrobras decidir enfrentar o Brasil, ela que se prepare: o Brasil vai enfrentar a Petrobras. E não é uma ameaça. É um encontro com a verdade”, postou no Twitter.

O discurso representa um novo capítulo da ofensiva por parte do governo federal e seus aliados contra a Petrobras. Na sexta-feira, a estatal anunciou um novo reajuste nos preços dos combustíveis, o que levou governo, Congresso e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a criticarem a empresa.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras. Já Lira ameaçou dobrar a taxação dos lucros da empresa e disse que a nova alta era uma retaliação do presidente demissionário da estatal, Mauro Coelho, enquanto o ministro André Mendonça, do STF, pediu explicações sobre a política de preços.

A elevação nos valores dos combustíveis é vista como um dos principais obstáculos ao projeto de reeleição do chefe do Executivo.

Projeto de privatização da Petrobras está quase pronto, diz colunista

O Ministério de Minas e Energia já tem quase pronto um projeto de lei propondo a privatização da Petrobras, em moldes que lembram a capitalização recém-concluída da Eletrobras (ELET3; ELET6), segundo o colunista Lauro Jardim/O Globo.

De acordo com o Jardim, o ministro Adolfo Sachsida aguarda somente um momento político favorável, além da aprovação do presidente Jair Bolsonaro, para enviá-lo ao Congresso. Ainda segundo o jornalista, na avaliação de Sachsida, o novo reajuste de preços dos combustíveis, válido desde sábado, só ajuda o projeto.

Alta do diesel vai puxar aumento no frete, aponta NTC&Logística

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), que representa 15 mil empresas de transportes, informou que o novo aumento do diesel anunciado pela Petrobras vai acarretar um reajuste adicional de no mínimo 5% no valor do frete, fator esse que deve ser aplicado emergencialmente.

4. Covid

No último domingo (19), o Brasil registrou 47 mortes e 9.376 casos de covid-19 em 24h, segundo informações do consórcio de veículos de imprensa, às 20h.

A média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 133, elevação de 73% em comparação com o patamar de 14 dias antes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 32.581, o que representa alta de 10% em relação ao patamar de 14 dias antes.

O consórcio de veículos de imprensa não divulgará os dados da vacinação no país na quinta (16), sexta (17), sábado (18) e domingo (19), voltando a publicar os dados na segunda-feira (20).

5. Radar Corporativo

Petrobras (PETR3;PETR4)

A Petrobras (PETR3;PETR4) comunicou que os acionistas minoritários indicaram candidatos ao conselho de administração: José João Abdalla Filho e Marcelo Gasparino da Silva.

Klabin (KLBN11)

A Klabin (KLBN11) aprovou a emissão de R$ 2,5 bilhões em debêntures, no contexto de uma operação de securitização, com taxa correspondente a NTN-B 2032 + 60 bps ou IPCA + 6,30% e prazo máximo de até 12 anos.

As debêntures serão objeto de colocação privada, subscritas integralmente por companhia securitizadora e posteriormente vinculadas a certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs), os quais serão objeto de oferta pública com esforços restritos de colocação, segundo a regulamentação aplicável.

Eletrobras (ELET3;ELET6

Nove dos dez integrantes do Conselho de Administração da Eletrobras apresentaram carta de renúncia, segundo fato relevante divulgado pela empresa. A Eletrobras passou por recente processo de capitalização.

(Com Estadão, Reuters e Agência Brasil)

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