Azul (AZUL4) deve concluir acordo com credores em questão de semanas e diz que plano é solução permanente

Empresa diz que só vai revelar detalhes financeiros quando fechar acordo com 100% dos "lessores"

Mitchel Diniz

Aviões da Azul
Aviões da Azul

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Em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2022, os executivos da Azul (AZUL4) afirmaram que estão próximos de concluir um acordo com os credores da empresa. Os trâmites devem chegar ao fim nas próximas “duas ou três semanas”, segundo John Rodgerson, CEO da companhia.

“Mas há zero pressão para a gente terminar em um certo prazo. Até aqui nos aguentemos a pressão do mercado, a volatilidade, fazendo a coisa certa para Azul. Não vamos correr ou nos comprometer com um cronograma”, complementou Alex Malfitani, CFO da companhia. ”

“O importante é fazer um deal que dê fluxo de caixa que caiba na empresa, trazer recuperação pro parceiro”, disse.

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Na noite de ontem (5), a Azul informou ter chegado a acordos com arrendadores de aeronaves responsáveis ​​por 90% de seus passivos de arrendamento. A empresa vai dar ações e títulos de dívidas ​​em troca de desconto no pagamento aos credores.

Ainda segundo a Azul, os arrendadores aceitaram eliminar diferimentos relacionados à pandemia e a diferença entre as taxas acordadas em contrato e as atuais taxas de mercado.

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Em troca, os “lessores” devem receber bonds com vencimento em 2030, com valor em reais, e mais uma parcela em ações.

A Azul preferiu não der mais detalhamentos financeiros enquanto o acordo não for fechado com 100% dos credores. No entanto, adiantou que, com o sucesso das negociações, o caixa da companhia deve terminar 2023 em break even – ante uma expectativa de rombo de R$ 3 bilhões.

“Estamos muito comprometidos em melhorar o fluxo de caixa da companhia ao mesmo tempo em que seguimos o principio de uma recuperação de 100% para os nossos parceiros”, afirmou Malfitani.

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Os executivos também frisaram que o plano não cobre somente o ano 2023.

“Não é para tapar o buraco de apenas um ano. É uma solução permanente que alinha os interesses de todos os nossos stakeholders e cria um balanço e fluxo de caixa consistente com nossa rentabilidade”, disse o CFO.

O CEO John Rodgerson afirmou que o acordo obtido pela empresa com seus credores ocorreu pelos resultados que a empresa vem entregando.

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“O apoio dos lessores se materializou não porque eles são legais ou porque gostam da gente. Foi uma boa decisão de negócios, pois somos uma companhia que produziu mais de R$ 1 bilhão em Ebtida [lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização] e eles perceberam que não está precificada corretamente”, afirmou.

O Ebitda da Azul totalizou R$ 1,097 bilhão no 4T22, um crescimento de 6,9% em relação ao 4T21. A margem Ebtida do período ficou em 11,8%, acima da estimativa de 11,3% do JP Morgan, que deu destaque positivo ao dado em sua análise pós-resultado. O banco, no entanto manteve avaliação neutra sobre o papel.

“De maneira geral, os resultados parecem encorajadores, com o Ebitda acima das estimativas, mesmo com os ventos contrários do preço do combustível e do câmbio; uma significativa geração de caixa livre; e a diminuição da alavancagem, um pouco melhor que a prevista pela administração”, diz relatório do Citi.

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O banco tem recomendação de compra para os ADR’s (papéis de empresa brasileiras negociadas no exterior), com preço-alvo de US$ 13.

Mitchel Diniz

Repórter de Mercados