Destaques da Bolsa

Ações de PetroRio, Petrobras, Vale e siderúrgicas recuam com commodities; Tegma cai 6% e apenas 9 ações do Ibovespa sobem

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (19)

SÃO PAULO – A sessão desta segunda-feira (19) foi de forte aversão ao risco, puxada por temores econômicos decorrentes de novos saltos de casos de Covid-19 em alguns países com a variante delta.

Enquanto isso, as ações de petroleiras caíram forte na B3 na sessão puxadas pela decisão da Opep+ no fim de semana, com PetroRio (PRIO3, R$ 18,20, -3,45%) em baixa de mais de 3%, enquanto Petrobras (PETR3, R$ 26,85, -1,18%; PETR4, R$ 26,24, -1,65%) caiu entre 1% e 2%.

No último domingo, ministros da Opep+ concordaram em aumentar a oferta de petróleo a partir de agosto para frear os preços, que subiram para máximas em dois anos e meio à medida que a economia global se recupera da pandemia de coronavírus.

O grupo, que inclui países da Opep e aliados como a Rússia, chegou a um importante acordo para os níveis de produção a partir de maio de 2022 após a Arábia Saudita e outros terem concordado com um pedido dos Emirados Árabes Unidos (EAU) que havia ameaçado o plano. O petróleo registra queda de mais de 3% na sessão, também em meio aos temores sobre o coronavírus.

Com a decisão, nesta segunda, o contrato futuro do petróleo brent para setembro teve queda de 6,75%, a US$ 68,62 por barril, enquanto o petróleo dos Estados Unidos (WTI) com vencimento em agosto recuou 7,28%, a US$ 66,35 o barril.

Já os papéis da Vale (VALE3, R$ 112,16, -1,09%) também registraram baixa, enquanto as ações de siderúrgicas também recuaram. A referência do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian terminou a sessão em queda de 1,5%, a 1.225 iuanes por tonelada.

Ainda em destaque, a Tegma (TGMA3, R$ 24,93, -6,00%) informou na sexta-feira que seu conselho de administração decidiu por unanimidade rejeitar a proposta não solicitada de combinação de negócios pela JSL (JSLG3, R$ 12,22, -2,16%).

Com a aversão ao risco, apenas nove das 84 ações do Ibovespa fecharam em alta, com destaque para Locaweb (LWSA3, R$ 26,36, +1,38%) e Rumo (RAIL3, R$ 20,87, +2,00%), as únicas com ganhos acima de 1%.

Confira no que ficar de olho:

Lojas Americanas (LAME3, R$ 7,77, -6,61%;LAME4, R$ 7,90, -8,78%) e Americanas s.a. (AMER3, R$ 61,92, -8,94%)

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A partir desta sessão, a B2W passa a ser negociada com o código AMER3 na B3, passando a representar não somente os ativos digitais das Lojas Americanas, mas também os físicos, enquanto LAME3 e LAME4 passam a representar a holding da companhia.

Vale (VALE3, R$ 112,16, -1,09%)

A Vale apresenta sua prévia operacional do segundo trimestre após o encerramento do pregão desta segunda.

Oi (OIBR3, R$ 1,47, -8,13%; OIBR4, R$ 2,13, -4,91%)

A Oi apresenta seu plano estratégico para o triênio de 2022 a 2024 (veja mais clicando aqui). A companhia divulgou comunicado com as principais diretrizes antes do pregão, projetando receita entre R$ 14,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões em 2024. Já a projeção para o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) é entre R$ 1,9 bilhão e R$ 2,3 bilhões em 2024.

A expectativa é de relação entre Ebitda e receita líquida (ou margem Ebitda) entre 13% e 15% em 2024. Já a projeção é de uma relação entre dívida líquida e Ebitda em 6,6 vezes.

Na semana passada, a Oi informou em comunicado que engajou instituições financeiras com o objetivo de avaliar alternativas de captação de recursos no mercado doméstico ou internacional de capitais de dívida, em conexão com o potencial refinanciamento das debêntures de primeira emissão da Oi Móvel, com vencimento em janeiro de 2022.

Tegma (TGMA3, R$ 24,93, -6,00%) e JSL (JSLG3, R$ 12,22, -2,16%)

A Tegma informou na sexta-feira que seu conselho de administração decidiu por unanimidade rejeitar a proposta não solicitada de combinação de negócios pela JSL.

Em 1 de julho, a JSL havia informado que enviou uma proposta de combinação de negócios para a rival Tegma, numa transação em dinheiro e ações.

A proposta incluía pagamento de R$ 989 milhões aos acionistas da Tegma, além de 49,4 milhões de novas ações da JSL, o que os fariam ter cerca de 15% do capital da JSL. A empresa combinada teria receita bruta de R$ 6,1 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) de R$ 827 milhões.

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Em comunicado, a JSL informou que, em virtude do caráter definitivo da proposta, reforça que seguirá executando seu
planejamento estratégico independente da Operação, seja de maneira orgânica ou através de aquisições, atuando como líder e consolidadora do setor de logística rodoviária no Brasil.

“Durante o período de 15 dias em que sua proposta esteve válida, a JSL não foi convidada a se reunir com a Tegma e seus assessores para apresentar, em detalhes, o racional, os méritos da operação e potenciais sinergias, que beneficiariam de maneira equânime seus respectivos acionistas, clientes, colaboradores, motoristas de caminhão (próprios, terceiros e agregados) e o setor logístico brasileiro”, disse a JSL.

“Além disso, não houve oportunidade para demonstrar o preço justo das ações da JSL que seriam dadas como parte relevante do pagamento, as quais acreditamos não refletirem em seu preço atual os fundamentos existentes para criação de valor sustentável no longo prazo, assim como o valor das cinco aquisições já executadas desde seu IPO, que adicionaram R$ 1,6 bilhão à Receita Bruta e R$ 267 milhões ao Ebitda da companhia, correspondendo aos crescimentos de 50% e 66%, respectivamente”, explicou a empresa.

A empresa afirmou ainda que, embora o benefício mútuo adicional vislumbrado não tenha se concretizado, ressalta que o setor de logística no Brasil oferece inúmeras oportunidades, dada a sua grande fragmentação e potencial de consolidação. “A JSL continuará executando sua agenda de aquisições, parte delas já em processo de negociação, respeitando a disciplina no emprego de seu capital, com foco na melhoria dos retornos, prezando pela diligência em relação à geração de valor a todos os seus acionistas”, destacou.

O Bradesco BBI afirma que a fusão entre Tegma e JSL poderia liberar R$ 1 por ação da Simpar. O banco espera que as empresas mantenham disciplina fiscal e que uma contraoferta seja realizada. O banco diz que a JSL tem uma lista grande de empresas para adquirir, e deverá buscar seu próximo alvo. O Bradesco mantém uma avaliação outperform para a Simpar, com preço-alvo de 2022 em R$ 81, frente à cotação de R$ 64,4 de sexta.

Itaú (ITUB4, R$ 28,90, -0,58%)

O Itaú Unibanco informou na sexta-feira que venceu a licitação do governo de Minas Gerais pela folha de pagamento de servidores estaduais e pagamento a fornecedores. A proposta apresentada prevê pagamento de R$ 2,4 bilhões para a gestão de folha de pagamento, informou o banco, acrescentando que o acordo vale por cinco anos.

O pagamento da oferta será registrado como intangível e seu reconhecimento no resultado será diferido, afirmou o Itaú. A operação envolve 618 mil servidores de Minas Gerais, 20% deles na região metropolitana da capital Belo Horizonte, com saldo de crédito consignado de R$ 7,7 bilhões, além de 6,3 mil fornecedores pessoas jurídicas do Estado. O Itaú Unibanco disponibilizará a abertura de conta corrente digital e por meio de novos pontos físicos dedicados, adicionais às agências já existentes em Minas Gerais.

Eletrobras (ELET3, R$ 43,50, -1,58%; ELET6, R$ 43,07, -1,12%)

O conselho de administração da Eletrobras aprovou que a subsidiária Furnas Centrais Elétricas realize uma captação de recursos de até R$ 1,6 bilhão por meio de quatro operações junto a instituições financeiras, informou a estatal nesta sexta-feira. A captação, segundo a Eletrobras, poderá envolver até R$ 200 milhões junto ao Banco da Amazônia, com prazo de pagamento de cinco anos; R$ 500 milhões com o Itaú, também para pagamento em cinco anos; R$ 600 milhões com o Banco do Brasil, com prazo de sete anos; e R$ 300 milhões com o Bradesco, para pagamento em sete anos.

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Ainda em destaque, o governo está avaliando estender a operação de capitalização da Eletrobras para o mercado internacional, informou na sexta o presidente da estatal, Rodrigo Limp, em almoço com empresários promovido pela Fecomércio. Ele garantiu também que a sede da companhia permanecerá no Rio de Janeiro.

De acordo com a assessoria de Limp, ele deixou claro no evento que nada está definido sobre a oferta externa, possivelmente na Bolsa de Nova York, e frisou que a responsabilidade da modelagem da venda é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que contratou recentemente um consórcio de bancos para assessorá-lo. Ele ressaltou que a empresa está listada nas bolsas de Nova York e Madri, além da B3, em São Paulo, o que facilita a operação.

CCR (CCRO3, R$ 13,91, -0,22%)

O Bradesco BBI comentou os dados operacionais divulgados pela CCR, relativos à semana de 9 de julho. Houve uma redução de 2,2% em comparação com a semana anterior, e estabilidade em relação à mesma semana de 2019, ano anterior aos impactos da pandemia. O número de passageiros em concessões urbanas caiu 41% em comparação com 2019, e 2,3 pontos percentuais em relação à semana imediatamente anterior. O tráfego de passageiros em concessões de aeroporto caiu 39% em comparação com 2019, e subiu 5,8% na comparação semanal.

SLC (SLCE3, R$ 44,85, -5,28%) e Terra Santa (TESA3, R$ 46,35, -2,93%)

Já a SLC Agrícola e a Terra Santa anunciaram na sexta-feira um novo passo no processo de fusão que criará uma gigante de grãos no Brasil e informaram que as condições precedentes para a consumação da operação foram cumpridas. Com a incorporação de ações, as companhias disseram que foi confirmado o aumento de capital da SLC, com a emissão de 2.516.454 ações, pelo preço de subscrição total de R$ 138 milhões, correspondente a R$ 54,84 por ação.

Segundo os comunicados, em 14 de julho foi o registro de companhia aberta da Terra Santa Propriedades Agrícolas (ex-TS Agro), para listagem no segmento do Novo Mercado da B3. Assim, pode ser feita a redução de capital da Terra Santa, concluindo o cumprimento das condições precedentes da operação.

Petrobras (PETR3, R$ 26,85, -1,18%; PETR4, R$ 26,24, -1,65%)

A Petrobras informou na sexta que registrou no mês passado um recorde histórico na oferta de gás natural liquefeito (GNL) regaseificado no Brasil, ao atingir volume instantâneo de 42 milhões de metros cúbicos por dia em 28 de junho, em meio à forte demanda do insumo para a geração de eletricidade. Segundo a estatal, o marco do último dia 28 viabilizou a oferta total de 109,4 milhões de m³/dia de gás natural, “um dos maiores volumes dos últimos anos”, que compreende o gás produzido no país, a parcela recebida pelos terminais de regaseificação e o volume importado da Bolívia.

Ainda no radar da companhia, o Credit Suisse afirmou que sua equipe dedicada ao setor de petróleo elevou a previsão para produção de petróleo tipo Brent de US$ 66,50 para US$ 70 por barril para 2021; de US$ 68 por barril em 2022 para US$ 69 por barril; e de US$ 60 por barril para US$ 62 por barril no longo prazo.

O banco diz que o rendimento do fluxo de caixa do acionista (FCFE na sigla em inglês) em 2021 pode ser de até 23%. Mas a maior parte desse rendimento deve ser paga aos acionistas como dividendos, uma vez que a Petrobras atingir sua meta de US$ 60 bilhões de dívida bruta. O banco diz acreditar que isso pode ocorrer já no terceiro trimestre de 2021. Este fator pode ser um catalisador para o valor dos papéis.

O banco está atualizando o modelo para incorporar os resultados mais recentes e suas expectativas mais altas para o Brent. O banco elevou o preço-alvo de US$ 10 por ADR para US$ 11 por ADR, mantendo avaliação neutra sobre as ações. Para o segundo trimestre, o banco prevê um lucro Ebitda de US$ 9,6 bilhões para a Petrobras, 11% acima do trimestre imediatamente anterior, e 185% acima do patamar de um ano antes. O banco estima receita líquida de US$ 5,4 bilhões, impulsionada pela valorização do real.

Embraer (EMBR3, R$ 17,30, -1,37%)

A fabricante brasileira de jatos Embraer anunciou na sexta-feira que convocou assembleia de acionistas para 16 de agosto, na qual quer eleger dois ex-executivos da Airbus e da Boeing para seu conselho de administração. Um dos indicados é Todd Freeman, ex-Airbus Americas, antes de trabalhar por 29 anos na GE Capital Aviation Services (Gecas), onde liderou a área de aviação regional e o negócio na região do Oriente Médio, África e Rússia. O outro é Kevin McAllister, também com passagem pela GE, onde presidiu a GE Aviation Services, antes de ser presidente da divisão de aviação comercial da Boeing.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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